quarta-feira, 18 de março de 2015

Sempre existe um aprendizado

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Impossível é enganar a morte. Impossivel é vestir uma calça 36 depois dos 25 anos de idade. Impossível é não fazer careta comendo chouriço. Isso é impossível. Amores, não.
Amores impossíveis não precisam de tempo, de paciência ou de remédio. O que eles precisam é serem encarados como verdadeiramente são: Amores que não querem acontecer.
O que ocorre é que é mais bonito culpar o pobre do amor do que os envolvidos nele, ou na falta dele. Ninguém escreve livros ou faz filmes sobre pessoas com preguiça de amar. A verdade não vende. As pessoas querem sempre comprar a dor. Por mais mentirosa que a causa dela seja.
E coitado do amor. Não tem nada a ver com isso e sempre acaba levando a culpa. Tá ele lá, super disposto a nascer mas sem ninguém disposto a parir.
Quem já amou sabe o quão possível o amor é. Quem não amou, sabe o quão acomodado ele pode ser. Ninguém tira a bunda do sofá por amores que se esqueceram de acontecer. O amor move. O desamor acomoda.

É ruim pro ego aceitar que aquela pessoa que você amou, não estava tão disposta a amar você de volta, e então você procura novos culpados. Culpa o amor, nunca o amado. Culpa os deuses, que não tem nada a ver com isso mas estão lá levando a culpa também. Culpa a vida, que de alguma forma te avisou – ela sempre avisa – mas você resolveu não considerar. Culpa até mesmo você, mas o amado não. O amado é intocável. Ninguém pode culpá-lo de nada. Nem você. O amado tem a licença não tão poética assim de quebrar seu coração quantas vezes você deixar, e quantas não deixar também. O amado pode impossibilitar o possível, seja por preguiça, por capricho ou por falta de amor. Ele pode se retirar e voltar à cena quantas vezes e quando quiser, e você que antes era diretor, vira espectador da sua própria vida.
Os amores mentirosamente impossíveis são o que fazem valer a pena esse lance de amor. A graça do amor é sofrer por ele. A graça do amor são as madrugadas chorando no chão da cozinha, para no dia seguinte enxugar as lágrimas e ir em busca de um novo amor fresquinho, saindo do forno. A graça do amor é se quebrar e se reconstruir para depois se quebrar novamente. O amor é contrário a ele mesmo. Tá ruim, mas tá bom. Dói, mas conforta. É amargo, mas é doce. É vilão, mas é mocinho. Mas ele é possível. O amor é sempre possível.

Carregue suas ''bagagens''

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Seria ótimo se conseguíssemos apagar o passado das pessoas com quem nos relacionamos. Seria ótimo se no momento em que decretado o fim, a terra se abrisse e sugasse para dentro, sem possibilidade de retorno, o ex conjugue da outra pessoa. Seria ótimo se existisse um aparelho de apagar memórias, igualzinho o que Will Smith usa em M.I.B, e a outra pessoa nunca mais lembrasse de ninguém antes de nós, não é? Imagina só se pudéssemos num passe de mágica, ser sempre os primeiros a chegar naquela vida, a mexer naquele coração, a dar voltas naquela cabeça.
Seria ótimo! Seria? Será que nosso ciúme bobo e incabível do passado é tão incontrolável assim que preferiríamos apagar um passado que como a própria palavra diz, já passou, do que aprender a lidar com ele? Porque nos incomodamos tanto com as bagagens que o outro carrega, se também carregamos as nossas?
Infelizmente, ou felizmente, o passado não se apaga. Ele acontece para todos, e não há nada que ninguém possa fazer para mudar o que já passou. O passado pode ter sido lindo, pode ter sido terrível, pode ter sido intenso, pode ter sido frio como uma geladeira, não importa, o passado é a página virada, a esquina que ficou pra trás, o assunto que nunca mais voltará a mesa. Acabou. Fim. C’est fini. E ele não representa perigo nenhum.
É difícil imaginar o coração que hoje te ama, amando outras pessoas. A boca que hoje te beija, passeando por outros corpos. As juras feitas para você, sendo destinadas a outras pessoas. É difícil, eu sei, mas a boa notícia é que você não precisa imaginar nada disso. Você não precisa ocupar nenhum espaço da sua mente com o que ficou pra trás na vida do outro. Pra quê tanto masoquismo desnecessário? O tempo que você perde odiando o que ficou pra trás, poderia estar amando o que está bem na sua frente.
Somos hoje, fruto do que o passado fez de nós. Não existe melhor professor do que as experiências adquiridas com os erros e os acertos de ontem. Seja grato pelo seu passado. Seja grato pelo passado das pessoas que você ama. Sem ele, elas não seriam quem são.
Tudo acontece no momento em que tem que acontecer. Às vezes somos apenas passagens nas vidas alheias. Às vezes somos nós os ensinamentos. E quando é assim, umas hora elas vão embora. Elas seguem seus rumos, e a gente segue o nosso. Mas outras vezes, nós somos a reta final. Nós somos o porto definitivo daquela vida e ela a nossa. E é de uma injustiça tamanha amaldiçoarmos as águas pelas quais aquela pessoa teve que navegar até vir de encontro à nossa. Ela precisou percorrer aquele caminho. E sem ele, ela não estaria onde está hoje.
Então seja grato pelas bagagens que o outro carrega. Todas serviram de ponte até você. E  quando o presente é lindo – quando temos realmente vontade de fazê-lo lindo – ele é tudo o que importa.

domingo, 15 de março de 2015

O termino


Em qualquer listinha de situações inesquecíveis, a primeira desilusão amorosa sempre figura o topo. É impossível se esquecer da primeira vez que se tem o coração destroçado em 27 pedacinhos. Eu lembro da minha, e tenho certeza que você também se lembra da sua. Pela ordem natural da vida, as desilusões que se seguem a partir da primeira, deveriam ser mais fáceis e menos duras, mas sabemos que não é assim. A teoria do aprendizado e do preparo se vai no momento em que uma nova dor chega. Dói como se fosse a primeira vez, dói ainda mais forte talvez justamente por não ser a primeira vez. E a cada nova dor, você sofre em dobro, em triplo. Cada novo “não” te remete aos “não” passados e não completamente digeridos. Superar uma desilusão é ter que superar todas as desilusões da vida ao mesmo tempo.
Amar é estar constantemente em queda livre e torcer para o chão nunca chegar. Não existe amor sem entrega. Não existe amor sem risco. Ou você ama completamente, ou você não ama nada. Não existe meio termo quando se trata de amor. É tudo ou nada. Essa é a primeira regra do amor. E é por isso que tantas pessoas permanecem tão receosas em amar. Uma vez que você se joga, não existe mais volta. Ou você se joga com fé, com medo, e com todo o resto, ou permanece no topo se agarrando à ressentimentos passados.
Cair faz bem, já dizia o comercial de sabão em pó. Se espatifar também, diz a experiência que ecoa em qualquer um que tenha se aventurado em se jogar no precipício do amor. É a tal da dor que desatina sem doer que Camões tanto tentou te ensinar.
Quebrar a cara é subestimado por aqueles que se esquecem da liberdade que vem depois. Desilusão é o acordar de algo que só existia para você, de algo que talvez nunca tenha existido ou que existiu um dia mas hoje já não existe mais. É o despertar da Matrix. É encarar de frente a única verdade que você tanto se negou em enxergar.
Ninguém quer viver de mentiras, mas poucos são os que possuem a coragem de lidar com as verdades por pior que sejam. É difícil, mas é necessário. Te destrói por completo, mas é só depois do abalo que você tem em mãos a oportunidade de se reconstruir. E dessa vez ainda melhor. Ainda mais forte. Ainda mais verdadeiro.
Toda desilusão traz consigo algo de bom. Talvez não de imediato, mas um dia você se pega pensando numa terça nublada que está bem melhor do que antes. Quando passa, você agradece. Quando acaba, você valoriza. E em casos ideais, você até esquece. Você só para de odiar o seu passado, quando abre os embrulhos do presente e se dá conta de que o novo é o que você sempre quis mas não sabia.
Com experiência no assunto, digo do fundo do meu coração, que agradeço aos que me levaram à lama e me deixaram lá. Descobri sozinho o caminho de volta, e por esse caminho descobri quem eu sou, descobri o que eu quero e principalmente o que não quero. Tive a oportunidade de me encarar no espelho da verdade e mesmo sujo, cansado, nu e vulnerável, me achei mais incrível do que nunca. Jogar-se de volta à vida é uma graça. Nunca uma maldição. De todas as desilusões da minha vida, só ficou o que realmente valia a pena: mais de mim mesmo.

Coincidências ou Destino

about time

Aquele dinheiro que você achou no bolso de trás da calça quando precisava.
O ônibus que chegou bem na hora que você chegou no ponto.
Chame de coincidência. Chame como você quiser.
Eu acredito em causa e efeito. Ação e reação. Efeito borboleta (sim, tipo o filme mesmo).
Uma única ação cria uma grande sequencia de ações que chegam a um resultado inesperado. E no final você fica com cara de idiota pensando “Nossa! Que coincidência! Como a vida é incrível/horrível comigo!”
As coisas acontecem baseadas numa sequência de ações sem proposito que vieram antes dela. As coisas simplesmente acontecem, né?
Mas a gente sempre tenta dar motivos pra tudo, achar razão e lógica pra tudo.
Pra quê?
“(…) moleque, sabe aquela social de ontem que você furou comigo? (Cara, eu nem confirmei que ia). Ela tava lá. (E você não sabia que ela ia? Valeu…). Não, juro. Não olhei o evento no Facebook, só fui. E nem era de amigos em comum, muita coincidência ela estar lá. (Pois é, muita coincidência, né… O que aconteceu?) A gente se esbarrou algumas vezes mas estávamos em rodas de amigos diferentes. Nem ia falar com ela, nada a ver. Fiquei na minha trocando ideia com o pessoal, tentando não pensar que ela tava ali. Tava levando de boa e me controlando pra não fazer nada. Dai na hora de ir embora uma amiga minha pede carona… e ela veio junto! Porra! (hahaha e você deu, claro). Claro! Vou falar o quê? Ela ficou toda sem graça quando viu que a carona era comigo, mas veio mesmo assim. (Perai, qual foi a ultima vez que vocês se falaram ou se viram?) … Que eu me lembre… Umas 5 vezes, sei lá. (5 vezes? Por coincidência? Continua…) … Bem, lembro que passei por ela no shopping uma vez, ela tava com um cara. Outra vez na Lapa. Uma vez na fila do cinema também… Mas tem um tempo que não nos falamos, só essas visões aí do nada. (Entendi… dai você deu carona pra sua amiga e pra ela e ficou o tempo todo sem nem trocar um “oi”?) Então, cara… to te mandando mensagem com ela aqui do meu lado na cama. Ela dormiu aqui! (hahaha a vida é foda, né?)”

Acredito que as coisas simplesmente acontecem, sou racional.
Não acredito em coincidências quando se trata de pessoas, sou passional aí.
Eu acredito em destino.
Acredito que nada é por acaso.
Talvez várias “coincidências” aconteçam com você e seu outro alguém.
Não foram sem motivo.
Você pode não entender agora. Você pode ficar puto agora.
Pode achar que teve uma grande perda agora.
Mas em algum momento as coisas farão sentido.
Lá na frente.
Ok, essa é a parte que fico meloso, tá bem?
Eu acredito que as pessoas possuem destinos. Cada um com o seu.
Claro, a gente nunca sabe o nosso. Talvez a gente nem perceba quando finalmente chegar no nosso destino.
Mas a gente, secretamente, anseia que nosso destino cruze com o destino de alguém.
Todo mundo.
Ninguém quer ficar sozinho.
Me recuso a acreditar que o destino de alguém seja ficar só. Não é certo!
Conheço pessoas bem resolvidas e que curtem sua “independência de não precisar estar numa relação”. Respeito.
Conheço pessoas que pulam de relação em relação, parece que não conseguem se ver sozinhas. Respeito também.
Mas quando é pra ser, é. E é melhor você nem tentar reagir.
Porque vai chegar o momento de você se apaixonar por cada maldito defeito daquela pessoa perfeita. Cada mania irritante vai se tornar seu TOC preferido de assistir. Cada mensagem recebida vai ser um frio na barriga novo.
E aí você vai perceber que o destino pode estar batendo à porta, deixa ele entrar e “não repare a bagunça”.
Uma parte incrível (e igualmente assustadora) da vida é “a busca por encontrar alguém”, que caminha lado a lado com “à procura da felicidade”.
Ter alguém pra andar contigo na direção do seu destino.
E você, na direção do destino dele.
Conseguir isso.
Conseguir isso deve ser o destino de todos.
Porque, na boa, respeito você, amiga independente que não precisa de ninguém, mas realmente é impossível ser feliz sozinho…


Eu nem quero que a gente tenha o mesmo destino. Não precisa.
Só quero ser testemunha do seu destino, e que você seja testemunha do meu.
Mas e se acontecer de a gente não percorrer o mesmo caminho durante a vida, bem, azar da vida.
Porque eu sei que vou te encontrar quando chegar no meu destino.
Estaremos juntos, afinal.

sábado, 14 de março de 2015

Diário de uma paixão

Não teve castelos, fadas, e nem melodia de fundo.... o cavalo branco do seu príncipe foi transformado em um ônibus, a espada que ele segurava em um celular, e a coroa em um boné. Ao te abraçar pela primeira vez, pude entender o que as pessoas diziam, em que amando você abraça o mundo, pois naquela noite, naquela hora, naquele segundo, meu mundo inteiro era você. Ainda me lembro do seu olhar de não acreditando que eu estava ali, parado em sua frente.... e eu conversando com a garota que eu queria ver daquele jeitinho..... uniforme de trabalho, cabelo solto, sem muita maquiagem, totalmente linda haha Levantando aquele olhar e dando um sorriso lindo, fazendo eu querer aquele sorriso por uma vida inteira.... mesmo que uma vida fosse muito pouco. Queria que o que estávamos sentindo fosse como uma corda sem nós, uma corda reta e infinita..... uma corda sem pontas por perigo de cair, ou que um de nós soltasse uma das pontas. Seus olhos, caramba... os seus olhos faziam as estrelas parecerem que não tinham brilho algum, seus cabelos recaiam perfeitamente sem que você precisasse fazer nada. Quando eu olhava o seu rosto, não havia nada que eu quisesse mudar, pois você era, e é incrivelmente incrível do jeitinho que você é. Pois se é perfeição que você busca, continue exatamente assim! Apenas quero te agradecer por tudo, por ter sido a rara lembrança do que eu tive de felicidade um dia, por ter feito eu ter a certeza de que meus sentimentos não eram transformado somente em palavras, pois te amei com a força de um cometa, e talvez por isso eu seja uma luz em sua vida, quando está entrando em uma escuridão, e não tem mais onde correr, você vem até mim, pois minha luz só funciona, porque tem você como energia para fornecer. Enfim, apenas quero te dizer MUITO OBRIGADO... Um dia ainda irei escrever um livro contando o dia em que eu estive nas trevas, e você apareceu e me tirou dela. E só pra terminar esse meu relato, quero lembrar daquele cara que foi apaixonado por você ontem, que te admira hoje, e que vai estar do seu lado sempre, e que saiba que sempre que digo ter um sonho em ser pai, imagino você do meu lado sendo a mãe, mãe de duas lindas crianças de olhos azuis e cabelos loirinhos.

Ela gosta que reparem no cabelo dela

o jeito que ela arruma o cabelo
Quem é a pessoa que mais te conhece?
Seus pais? Algum amigo? Namorado?
Não.
Em teoria, você deveria ser a pessoa que mais te conhece. Que mais conhece sua personalidade, suas manias, gostos, opiniões e seu corpo.
Porque ninguém vai te conhecer completamente. Geralmente o interesse em conhecer alguém só vai até o capítulo do livro que o mocinho consegue beijar a donzela.
São raras as pessoas que realmente querem te conhecer a fundo.
Fazer parte de você.
E anos de relação não garantem anos de conhecimento.
No final vocês podem ser dois estranhos um ao outro. E nem sequer reconhece mais quem esteve contigo por anos.
A verdade é que ninguém conhece a gente, afinal. Ninguém.
E nem deveriam conhecer.
Mas, talvez, entender.
“(…) que besteira isso! Eu sou a pessoa que te conhece melhor! Claro que sou! Eu sei quando você ta brincando ou falando sério. Eu sei sua música preferida, a comida e o filme. E sei o que não gosta de comer, assistir ou ouvir. Sei o que você mais gosta de fazer no tempo livre. Cara, sei até qual é seu sonho na vida! É óbvio que eu te conheço muito bem! Com certeza eu sou a pessoa que te conhece melhor… e você nem deve saber a minha cor preferida.  (Eu não faço ideia qual seja sua cor preferida…) Eu sei disso! Você não sabe nada sobre mim… (Bem, dá pra dizer que você memorizou muitas coisas sobre mim, e eu não memorizei muito sobre você. E nem quero! Pra quê memorizar essas coisas? Não faz diferença pra mim. Aliás, você memorizou coisas sobre mim tipo quando a gente memorizava a matéria da escola. Mas lembra que na escola o maior desafio não era memorizar, era entender a matéria…? Eu te entendo. Eu sei o jeito que você fica quando ta ansiosa, eu sei quando você ta triste e precisa de um abraço, e eu sei o jeito que você sorri depois que eu te beijo. Mas não tenho a menor ideia qual é sua cor preferida…) … Entendi… Faz sentido… E minha cor preferida é… (Sério, eu não vou memorizar isso).”
O que acha de continuarmos sendo dois desconhecidos,
que se conhecem todos os dias?
—
Acho engraçado quando duas pessoas estão se conhecendo e a conversa parece um interrogatório. Pressa e sede de achar coisas em comum.
Mas pra quê? Você vai mesmo memorizar que ela gosta de comer “pastel de frango com salsicha” junto com café sem açúcar? (Sério, conheço quem goste e só gravei porque é bizarro)
Qual a real relevância de querer memorizar cada coisinha sobre aquela pessoa, como a cor preferida?
Por que não procurar entender aquela pessoa?
Melhor que memorizar coisas sobre alguém é dar atenção à detalhes. E isso, infelizmente, pouca gente faz.
Eu não lembro de quase nada sobre quase ninguém.
Nome: ok!
O que faz: ok!
Endereço: Google maps…?
A roupa que eu usou na segunda vez que nos vimos, naquele sábado à noite que fomos jantar naquele lugar que não lembro o nome: risos.
Mas se eu me importo contigo, certamente tenho algum detalhe guardado sobre você.
Pra mim isso vale mais que memorizar qualquer outra coisa cliché.
“Pequenos detalhes“.
É o que constrói uma relação.
Aquele sorriso que só você conhece. O modo que ela te olha querendo algo. A expressão dela quando ta concentrada. O cheiro no cabelo dela. A voz no seu ouvido…
Dar atenção à esses detalhes é onde mora o diferencial de um cara que presta atenção em você, pra um que só te memoriza.
Ver e enxergar são coisas muito diferentes.
“(Eu achei que a conhecia.
Óbvio.
Tantas conversas. Horas de assunto. A convivência.
Mas um dia eu percebi que não sei nada sobre ela.
Passou tempo. Deveria conhece-la. Mas não. Nada.
Aliás, qualquer um pode saber qualquer coisa sobre ela.
Alguns minutos de conversa e uma busca no Facebook e você já sabe os gostos, hobbies, opiniões, aonde vai e o que gosta de fazer.
Qualquer um pode conhecer essa garota. É fácil.
Isso me incomodou, mas só no começo.
Até lembrar que qualquer um pode conhecer, mas poucos vão entrar na vida dela. Ela não permite qualquer um. E vários tentaram, vários ainda tentam, claro. Mas ela não permite facilmente assim.

Mas me permitiu.
E quando pude entrar e enxergar como ela é de verdade, muito além de todas aquelas conversas e risadas e gostos em comum, eu percebi a sorte que eu tinha de poder ter todos aqueles detalhes que a fazem ser tão única e diferente das outras.

Se teve outros caras? Sim.
Mas não me importo. É sério.
Nenhum deles vai enxergar o que eu enxerguei nela.
Nenhum deles vai ter os abraços que eu tive com ela.
Nenhum deles vai olhar da forma que olho pra ela.
Nenhum deles vai viver o que eu vivi com ela.
E nenhum deles vai ficar hipnotizado com o jeito que ela arruma o cabelo, como eu fico.
Uma coisa tão simples, mas que tá na minha memória em cada detalhe, e é só meu.
É meu detalhe especial.

Nenhum deles.)”

E você? é um repolho, ou um repolhador?

Benefcios-do-repolho
Quem nunca levou um fora na vida? Um toco? Um bloqueio triplo da Rússia? E ainda assim continuou insistindo em conquistar a outra pessoa, mesmo que todas as informações e sinais recebidos tivessem deixado bem claro que não, meu amigo, você não vai conseguir nada? Isso é normal e saudável até certo ponto. É tomando na bunda que se aprende a deixar de ser mané, certo? Nem sempre.
Há situações pelas quais todos nós já passamos um dia (e ainda vivemos e viveremos) em que tomar um fora, um chega para lá e insistir no erro é apenas o primeiro passo de um longo e tenebroso processo de destruição da auto-estima. É quando viramos “repolhinhos”. Tem o outro lado também: quando estamos por cima da carne seca, criamos “repolhinhos”. Somos os “regadores” ou “repolhadores”. Não entendeu? Fácil explicar. A história é comprida, mas vou tentar resumi-la aqui.

Quando você tem uma hortinha, tem ali um repolhinho, que você rega toda semana, para não deixá-lo morrer. Ao mesmo tempo, o tal repolhinho é uma parada que não vai te saciar, que vai apenas servir para você passar o tempo e comer enquanto a refeição principal não chega. Por isso mesmo, você não pode perder todo o seu tempo adubando esse repolho para deixá-lo crescer. Tem que dar uma mijadinha básica nele ou tacar um pouco de estrume apenas o suficiente para não deixá-lo morrer. Assim, o pobre diabo agoniza em vida, mas fica ali, sempre dando as caras na sua horta.
Repolho branco
Na vida real é assim também. Em qualquer relação amorosa desequilibrada, a gente tem repolhinhos e é repolhado. O repolhinho é aquela pessoa que se pegou contigo algumas vezes e, coitado, caiu na besteira de gostar mais de você do que você dela. O problema é que você vai brincando de dar uns amassos na pessoa, evolui um pouco o nível de sacanagem, a pegação esquenta e, de repente, você se dá conta de que, apesar de estar na maior curtição descomprometida, tem um ser humano ali do outro lado, com sentimentos, emoções e coração, que está perdidamente apaixonado por você. E é aí que mora o perigo. Assim como o repolho da horta supra-citada, o seu “repolhinho” real não vai crescer nunca, mas é bom pro seu ego e pra sua saúde que ele fique ali, sempre disponível. E, invariavelmente, o pobre do repolho se fode até o pescoço nesse tipo de relação. O repolhinho humano, por assim dizer, tem duas características bem típicas:
1) Ele está sempre disponível para quando você (o repolhador) quiser. Ele tem aniversário do pai, casamento do irmão e formatura da melhor amiga no mesmo dia e você liga, bêbado às 2h da manhã de uma sexta pro celular do simpático vegetal folhoso e pergunta: “Tá fazendo alguma coisa? Vem aqui pra casa para a gente ver um filme e comer uma pizzazinha”. O repolho, na condição de refeição sempre a postos, não titubeia e, esquecendo-se do mundo que o cerca, responde: “Não, não tenho nada demais pra fazer hoje não. Tô indo aí já”. E aí, o repolho “fode” (com o perdão da palavra, mas não tem outra mais apropriada) a noite inteira e acorda com uma sensação de ressaca moral no outro dia. Se sente um merda, usado, manipulado. Mas nada disso faz diferença. A essa altura do campeonato, o pobre repolho já está coberto de folhas até o pescoço. Não conseguirá tão cedo sair de tal condição. Uma semana depois, o repolho vai estar fazendo a mesma coisa, cometendo os mesmos erros. Sempre a postos!!!
2) O repolhinho mantém uma vã ilusão de que vá um dia ser içado à condição de prato principal na refeição do regador. Isso não acontece em 99,99% dos casos. É fato. É uma situação patética, porque coitado, o repolho não se esquece de que, assim que começar a ganhar vida, o “repolhador” vai parar de regá-lo e o jogará para escanteio. E essa esperança mínima, contudo, é a força-motriz que coloca o pobre repolhinho de volta ao item 1: ele está sempre disponível.
O pior de tudo isso é que, mesmo sabendo desse triste fim dos repolhinhos, todos nós incorremos ou incorreremos no erro de repolhar e ser repolhado muitas vezes na vida. Resta saber acabar com a história antes de apodrecer. E procurar outra horta pra morar.