domingo, 19 de abril de 2015

A carta que você nunca chegou a ler

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Que eu descubra em você o que a vida tem de melhor, que seu sorriso seja nosso e nossa vida sempre feliz. Que nossos dias sejam doces e mesmo quando não forem, que o açúcar nos lábios não nos falte. Que no teu abraço eu encontre sossego e no meu ombro você encontre o amparo, a morte para suas dores. Que nossas mãos se entrelacem, nossos olhares se cruzem, nossos peitos se encontrem e nossas bocas pronunciem palavras com o peso da verdade. Que eu trabalhe e você também, que a gente acorde cedo e durma tarde, ou durma tarde e acorde cedo, mas que possamos dormir e acordar juntos, porque deitar ao seu lado é encontrar a paz que preciso para enfrentar a vida – nem sempre fácil. Que eu erre tentando acertar e você compreenda que fiz o meu melhor, que você acerte tentando me livrar dos erros e as falhas nos ensinem.
Que eu compre a coca cola e você a pipoca, que o descanso da poltrona do cinema levante e você incline seu corpo sobre o meu, ou eu sobre o seu, mas que a gente se incline e se mova com os olhos vidrados à diante, na tela ou na vida. Que eu fique acordado e você durma, ou você durma e eu permaneça acordado, ou que você acorde sempre antes, para que seu sorriso me saúde ao despertar em mais um dia. Que você corra e brigue para nos oferecer o melhor e que eu reconheça isso como uma oração ao nosso amor. Que você peça o vinho e eu a água, e a gente brinde, renove os votos, acredite. Que eu te abrace todos os dias e esse abraço dure o tempo necessário para que possamos nos sentir fortes. Que a gente ande juntos, a pé, no carro, de avião ou trem, lado a lado, ombro com ombro e quando isso não ocorra, que possamos carregar um ao outro no peito.
Que eu te olhe e você me entenda, eu me expresse e você compreenda, que nossos sorrisos falem e nossas vozes e preces sejam ouvidas. Que eu tenha fé e  você tenha fé, que a gente acredite que os dias, sendo fáceis ou difíceis, eu estou contigo e você comigo, e que a gente saiba que juntos, somos dois, logo, mais que um. Que tua família me aceite e eu os respeite, e a minha te respeite e eu os aceite, que juntos possamos ter a nossa própria família, uma casa, um cachorro e meia dúzia de boas gargalhadas ao longo do dia. Que eu leia e você assista a um filme, que eu tome uma dose de vodka e você um copo de suco, que eu reclame do calor e você do frio, mas, eu te entenda e você me compreenda. Que o amor seja maior que todos os ventos contrários que possam vir na nossa direção, como certa vez escreveu Caio Fernando Abreu, e que se não for, que os ventos sejam fracos e não mudem o nosso destino.
Que eu queira ir pro meio do mato e você pra uma selva de pedras e que a gente vá um final de semana lá, outro lá também, não esquecendo que no meio de tudo existe um cá, nosso canto, um lugar onde a gente deita, dorme e acorda juntos. Que eu dirija e você tenha o mapa, que você seja o norte e eu o piloto, e que se existir tesouros no meio do caminho, que possamos encontrar todos. Que chova e você tenha um guarda-chuvas, ou talvez que você não tenha medo de chuva, porque eu nunca tive e a gente pode dar boas risadas com isso.
Que o medo não nos visite e se isso ocorrer, que eu seja firme o suficiente pra te fazer entender que temos um ao outro. Que o nosso maior elo não sejam alianças, pingentes ou tatuagens, e sim o fato de que o amor reina entre nós.
E que no meio disso tudo eu seja sempre seu e você sempre minha, e a inveja não nos cruze, a dor não nos assole e o desamor não nos visite.
E o mais importante: Que eu te ame e você também se ame, e que eu me ame e você também me ame. E a gente se ame sem prazo, mas você compreenda se eu cruzar os dedos aqui e torcer para que seja pra sempre.
E será.

Monte Inverno

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De alguma forma eu sei que a gente vai ficar junto.
Eu sinto isso. Não me pede pra te explicar como ou porquê. Eu sinto isso e pronto.
E você sabe que sentimento não tem explicação, só sentido.
Estou tentando ser compreensível pra entender melhor o que acontece entre a gente.
Por que a gente não está junto agora? Por que estamos distantes?
Por que nos tratamos como estranhos? Por que não deu certo?
Por que?
Eu me refaço todas essas perguntas, todas as noites.
E tudo que tenho de volta são mais perguntas.
Mais torturas.
Por que não é você que eu chamo de ‘amor’?
Por que você não está aqui do meu lado na cama?
Por que não sinto mais o seu cheiro? Por que não tenho mais a sua boca linda?
Por que você teve que ir? Por que eu tive que ir?
Por que eu não sou quem você chama de ‘amor’?
Por que?
A gente dá muito certo juntos. A química é grande.
Não precisou de muito tempo pra sentir como se já te conhecesse há tempos.
Lembra quando a gente ficava conversando até tarde sobre coisa nenhuma?
Lembra quando conversar sobre ter filhos era a coisa mais legal do mundo?
Lembra quando você foi a primeira pessoa que eu procurava quando precisava desabafar ou chorar?
Eu lembro do quanto seu abraço me fazia bem.
E lembro do quanto ele faz falta.
Talvez a gente se conheça de vidas passadas. Você sempre acreditou nessas coisas.
Que a gente tenha vindo pra um entrar na vida do outro, de novo.
E que talvez a gente tenha sido feito pra se completar. Feitos um pro outro.
Então talvez a gente se encontre na próxima vida quando formos gatos.
E mesmo que eu venha como um cachorro e você como um gato, a gente dá um jeito.
Mas saiba, esperar outra vida pra ter você de novo vai ser a maior tortura que já existiu no mundo.

Eu tentei. Você tentou.
Você teve seus poréns, eu tive os meus.
Acabamos chegando ao mesmo fim. Parece um amor impossível.
Mas somos tão intensos que não acredito que nossa história seja uma coisa qualquer.
Não é certo.
Lembra quando o Wall-E apresentou um mundo novo pra EVE? Lembra de como eram bons juntos?
E quando ela precisou ir, ele fez de tudo pra ficar com ela porque acreditava naquilo?
Eu sou o Wall-E. E você pode contar comigo pra fazer as coisas darem certo.
É uma péssima referência, eu sei. E você sempre achou graça dos meus gostos.
Você não está aqui hoje mas a gente vai se reencontrar.
Talvez apenas não seja o momento certo pra gente ficar junto. Quem sabe lá na frente?
Quem sabe a gente só precise ficar pronto um pro outro. Viver outras coisas.
Quem sabe nosso amor fique dormindo um tempo pra reascender no futuro.
Quem sabe a gente não se esbarre numa rua qualquer num dia bonito.
E se olhe e perceba o que um significa pro outro.
E a gente não precise dizer nada.
Estaremos completos.
Nosso amor impossível será feliz.

Não tente ser mais do que tu és

esperança
E lá está você anotando no caderninho mental tudo o que ele gosta, quer e espera de alguém, e sendo. Sendo aquilo que você faz força para ser, porque você sabe que ser apenas você mesma, é ser alguém que troca os pés pelas mãos e que sempre acaba boicotando suas próprias vontades. Ser você mesma é o que há de mais imperfeito em toda a sua essência.
Lá está você sendo perfeita em vão, sendo perfeita para que ninguém veja, sendo perfeita para alguém que não precisa da sua perfeição. Você se esforça ao seu máximo, mas a sua perfeição e o seu máximo nunca são o suficiente.
E cansa. Cansa demais demorar um mês inteiro para ser perfeita, e em questão de segundos ser jogada o mais longe possível. Cansa demais se perguntar onde tudo desandou. Cansa demais não aceitar que tudo tenha desandado. Cansa demais se culpar, culpar os outros, culpar alguém. Cansa demais ser perfeita em vão.

Você finge que não se importa, e isso também cansa demais. Você tenta não esperar nada, mas você ainda está parada na mesma estrada em que te deixaram esperando por alguém que não vai voltar. Mas você continua a esperar. E então o bichinho da esperança começa a ser esmagado pelos dias de espera. Dias que viram semanas e semanas que viram meses, e você se recusa a esperar que os meses virem anos. Mas essa espera já não depende mais de você. Essa espera depende daquilo que você abafou por tanto tempo com a sua enorme vontade de ser perfeita.
E que merda é ser perfeita. Que merda é esconder os erros do outro debaixo do tapete, mas se martirizar por um vida inteira pelos seus. Que merda é ter que aceitar que acabou. Quer merda é ter que dar a volta por cima. Que merda não achar o botãozinho interno que decretaria o fim, sem volta, sem retorno, sem a bosta de esperança. Que merda não conseguir ser perfeita para você mesma.
As pessoas caem nas frases feitas, nas ilusões criadas por elas mesmas, nos medos mais internos e em suas enormes vontades nunca saciadas. Por que dessa vez pode ser diferente. Dessa vez você se preparou. Mas a verdade é que quando a dor chega, todo o preparo sai pela porta dos fundos.

Atualizando pensamentos

elef
Dia desses, não faz muito tempo, li um texto, crônica ou sei lá o quê, que era enfático ao pedir: “Poupe quem você ama!”. Não sei porque cargas d’água eu não salvei este texto em minhas pastas para uma leitura constante. A crônica era enfática: Amigos, amores, não são nossos “anexos”, são nossos suportes, são para eles que corremos quando o mundo desaba, a relação acaba, o salário aperta, a decepção bate à porta, mas, como para tudo na vida há uma dose, que saibamos dosar.
Sou um cara franco, que aprendeu a ser prático e independente logo aos 16 anos e que além disso, descobriu que sim, sou (somos) só(s). Tudo isso pode parecer um papo de autossuficiente, mas não é, é apenas a conversa de alguém que já se decepcionou muito com a vida e não pretende se tornar um ser insensível, mas sim, com um alto poder de seleção e autonomia para decidir como eu quero que meu dia seja.
E, o mais importante: Decidi que quero dias leves, sempre. Reconheço a dificuldade que é viver 24h sem se chatear com algo, mas aprendi a selecionar aquilo que não quero dar atenção e desvio do caminho por várias vezes ao longo do dia. Tudo isso é meio que um jogo de cintura constante, mas me proporciona ao deitar na cama a noite uma leveza incontestável. Decidi também que quero encontrar com amigos de verdade e ouvi-los na hora que lhes for conveniente, sem que antes de tudo, isso para mim seja um fardo. Decidi que quero fazer feliz o dia de alguém, sem contar meus desabafos e enumerar meus desafetos.
Que quando eu ligue para quem quer que seja a minha voz vibre em sons de alegria e boas notícias, porque é somente assim que a vida deve ser tocada. Chega de lamentações e dramas, na vida do outro.
O fato de que eu tenho um problema, não implica dizer que terei que compartilhar com você, ou, vice-versa. Amigos quando amigos, se poupam e vivem unicamente o bem, penso.

E se por um acaso, algum parente seu falecer, eu estarei prontamente ao seu lado;
Se seu amor for embora, amor de verdade, não aquele de 15 dias, eu vou te levar para jantar, prometo.
Se seus dias estiverem tristes, eu limpo a janela, tiro a poeira e faço você enxergar o azul do céu, mas, não me venha com lamentações, murmúrios e choros o tempo inteiro.
Talvez, o que para mim seja seletividade, para muitos é egoísmo, e se pensarem assim, eu não contesto. Aprendi a baixar à cabeça aquilo que é tido pelo outro como certo, isto é, a minha opinião sempre irá até onde você me permitir que ela vá, nem mais, nem menos.
E assim, a cada dia eu torço para que possamos ser recíprocos e atentos, um com a vida do outro, sabendo a hora exata de partilhar.
Que as lamentações acabem;
Que o oportunismo, não surja;
Que a inveja não nos ronde;
Que a inconstância do humor alheio não nos afete;
E que saibamos poupar quem nós amamos, da melhor forma possível: Amando.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Sempre existe um aprendizado

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Impossível é enganar a morte. Impossivel é vestir uma calça 36 depois dos 25 anos de idade. Impossível é não fazer careta comendo chouriço. Isso é impossível. Amores, não.
Amores impossíveis não precisam de tempo, de paciência ou de remédio. O que eles precisam é serem encarados como verdadeiramente são: Amores que não querem acontecer.
O que ocorre é que é mais bonito culpar o pobre do amor do que os envolvidos nele, ou na falta dele. Ninguém escreve livros ou faz filmes sobre pessoas com preguiça de amar. A verdade não vende. As pessoas querem sempre comprar a dor. Por mais mentirosa que a causa dela seja.
E coitado do amor. Não tem nada a ver com isso e sempre acaba levando a culpa. Tá ele lá, super disposto a nascer mas sem ninguém disposto a parir.
Quem já amou sabe o quão possível o amor é. Quem não amou, sabe o quão acomodado ele pode ser. Ninguém tira a bunda do sofá por amores que se esqueceram de acontecer. O amor move. O desamor acomoda.

É ruim pro ego aceitar que aquela pessoa que você amou, não estava tão disposta a amar você de volta, e então você procura novos culpados. Culpa o amor, nunca o amado. Culpa os deuses, que não tem nada a ver com isso mas estão lá levando a culpa também. Culpa a vida, que de alguma forma te avisou – ela sempre avisa – mas você resolveu não considerar. Culpa até mesmo você, mas o amado não. O amado é intocável. Ninguém pode culpá-lo de nada. Nem você. O amado tem a licença não tão poética assim de quebrar seu coração quantas vezes você deixar, e quantas não deixar também. O amado pode impossibilitar o possível, seja por preguiça, por capricho ou por falta de amor. Ele pode se retirar e voltar à cena quantas vezes e quando quiser, e você que antes era diretor, vira espectador da sua própria vida.
Os amores mentirosamente impossíveis são o que fazem valer a pena esse lance de amor. A graça do amor é sofrer por ele. A graça do amor são as madrugadas chorando no chão da cozinha, para no dia seguinte enxugar as lágrimas e ir em busca de um novo amor fresquinho, saindo do forno. A graça do amor é se quebrar e se reconstruir para depois se quebrar novamente. O amor é contrário a ele mesmo. Tá ruim, mas tá bom. Dói, mas conforta. É amargo, mas é doce. É vilão, mas é mocinho. Mas ele é possível. O amor é sempre possível.

Carregue suas ''bagagens''

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Seria ótimo se conseguíssemos apagar o passado das pessoas com quem nos relacionamos. Seria ótimo se no momento em que decretado o fim, a terra se abrisse e sugasse para dentro, sem possibilidade de retorno, o ex conjugue da outra pessoa. Seria ótimo se existisse um aparelho de apagar memórias, igualzinho o que Will Smith usa em M.I.B, e a outra pessoa nunca mais lembrasse de ninguém antes de nós, não é? Imagina só se pudéssemos num passe de mágica, ser sempre os primeiros a chegar naquela vida, a mexer naquele coração, a dar voltas naquela cabeça.
Seria ótimo! Seria? Será que nosso ciúme bobo e incabível do passado é tão incontrolável assim que preferiríamos apagar um passado que como a própria palavra diz, já passou, do que aprender a lidar com ele? Porque nos incomodamos tanto com as bagagens que o outro carrega, se também carregamos as nossas?
Infelizmente, ou felizmente, o passado não se apaga. Ele acontece para todos, e não há nada que ninguém possa fazer para mudar o que já passou. O passado pode ter sido lindo, pode ter sido terrível, pode ter sido intenso, pode ter sido frio como uma geladeira, não importa, o passado é a página virada, a esquina que ficou pra trás, o assunto que nunca mais voltará a mesa. Acabou. Fim. C’est fini. E ele não representa perigo nenhum.
É difícil imaginar o coração que hoje te ama, amando outras pessoas. A boca que hoje te beija, passeando por outros corpos. As juras feitas para você, sendo destinadas a outras pessoas. É difícil, eu sei, mas a boa notícia é que você não precisa imaginar nada disso. Você não precisa ocupar nenhum espaço da sua mente com o que ficou pra trás na vida do outro. Pra quê tanto masoquismo desnecessário? O tempo que você perde odiando o que ficou pra trás, poderia estar amando o que está bem na sua frente.
Somos hoje, fruto do que o passado fez de nós. Não existe melhor professor do que as experiências adquiridas com os erros e os acertos de ontem. Seja grato pelo seu passado. Seja grato pelo passado das pessoas que você ama. Sem ele, elas não seriam quem são.
Tudo acontece no momento em que tem que acontecer. Às vezes somos apenas passagens nas vidas alheias. Às vezes somos nós os ensinamentos. E quando é assim, umas hora elas vão embora. Elas seguem seus rumos, e a gente segue o nosso. Mas outras vezes, nós somos a reta final. Nós somos o porto definitivo daquela vida e ela a nossa. E é de uma injustiça tamanha amaldiçoarmos as águas pelas quais aquela pessoa teve que navegar até vir de encontro à nossa. Ela precisou percorrer aquele caminho. E sem ele, ela não estaria onde está hoje.
Então seja grato pelas bagagens que o outro carrega. Todas serviram de ponte até você. E  quando o presente é lindo – quando temos realmente vontade de fazê-lo lindo – ele é tudo o que importa.

domingo, 15 de março de 2015

O termino


Em qualquer listinha de situações inesquecíveis, a primeira desilusão amorosa sempre figura o topo. É impossível se esquecer da primeira vez que se tem o coração destroçado em 27 pedacinhos. Eu lembro da minha, e tenho certeza que você também se lembra da sua. Pela ordem natural da vida, as desilusões que se seguem a partir da primeira, deveriam ser mais fáceis e menos duras, mas sabemos que não é assim. A teoria do aprendizado e do preparo se vai no momento em que uma nova dor chega. Dói como se fosse a primeira vez, dói ainda mais forte talvez justamente por não ser a primeira vez. E a cada nova dor, você sofre em dobro, em triplo. Cada novo “não” te remete aos “não” passados e não completamente digeridos. Superar uma desilusão é ter que superar todas as desilusões da vida ao mesmo tempo.
Amar é estar constantemente em queda livre e torcer para o chão nunca chegar. Não existe amor sem entrega. Não existe amor sem risco. Ou você ama completamente, ou você não ama nada. Não existe meio termo quando se trata de amor. É tudo ou nada. Essa é a primeira regra do amor. E é por isso que tantas pessoas permanecem tão receosas em amar. Uma vez que você se joga, não existe mais volta. Ou você se joga com fé, com medo, e com todo o resto, ou permanece no topo se agarrando à ressentimentos passados.
Cair faz bem, já dizia o comercial de sabão em pó. Se espatifar também, diz a experiência que ecoa em qualquer um que tenha se aventurado em se jogar no precipício do amor. É a tal da dor que desatina sem doer que Camões tanto tentou te ensinar.
Quebrar a cara é subestimado por aqueles que se esquecem da liberdade que vem depois. Desilusão é o acordar de algo que só existia para você, de algo que talvez nunca tenha existido ou que existiu um dia mas hoje já não existe mais. É o despertar da Matrix. É encarar de frente a única verdade que você tanto se negou em enxergar.
Ninguém quer viver de mentiras, mas poucos são os que possuem a coragem de lidar com as verdades por pior que sejam. É difícil, mas é necessário. Te destrói por completo, mas é só depois do abalo que você tem em mãos a oportunidade de se reconstruir. E dessa vez ainda melhor. Ainda mais forte. Ainda mais verdadeiro.
Toda desilusão traz consigo algo de bom. Talvez não de imediato, mas um dia você se pega pensando numa terça nublada que está bem melhor do que antes. Quando passa, você agradece. Quando acaba, você valoriza. E em casos ideais, você até esquece. Você só para de odiar o seu passado, quando abre os embrulhos do presente e se dá conta de que o novo é o que você sempre quis mas não sabia.
Com experiência no assunto, digo do fundo do meu coração, que agradeço aos que me levaram à lama e me deixaram lá. Descobri sozinho o caminho de volta, e por esse caminho descobri quem eu sou, descobri o que eu quero e principalmente o que não quero. Tive a oportunidade de me encarar no espelho da verdade e mesmo sujo, cansado, nu e vulnerável, me achei mais incrível do que nunca. Jogar-se de volta à vida é uma graça. Nunca uma maldição. De todas as desilusões da minha vida, só ficou o que realmente valia a pena: mais de mim mesmo.