quarta-feira, 8 de maio de 2013

A Má (Drasta)

- Mariana, minha filha, esta será a sua nova mãe! – fala o pai, com um sorriso encantador, enquanto se agacha e abraça a filha, com ternura. Mariana olha para a mulher bela e elegante que está à sua frente e sente um arrepio percorrer a sua coluna vertebral. Que olhar é aquele? Que sorriso é este, meu bom Deus?
          - Venha dar um abraço na mamãe! – e ela abre os braços, parecendo um abutre de asas abertas, pronto para devorar a sua presa.
          - Ninguém vai substituir a minha mãe! Você não é a minha mãe! – grita Mariana, colocando raiva na voz; desvencilha-se dos braços do pai e sobe as escadas, correndo.
          - Mariana, volte aqui...
          - Deixe-a, meu amor! – fala Letícia, colocando doçura na voz, interrompendo-o. - Ela vai precisar de um tempo para se acostumar! Precisamos ser pacientes e eu terei todo o tempo do mundo para conquistá-la.
          - Ah... como você é linda e meiga, meu anjo! – e Fernando puxa Letícia e a envolve num afetuoso abraço.
          No quarto, abraçada ao retrato da mãe, Mariana chora de forma convulsa, enquanto murmura: - Ninguém... vai... substituir... você... mamãe! – e as lágrimas descem copiosas, salgadas e hidratam os seus lábios ressequidos. – Eu te juro! Pela minha vida!
          Batidas suaves   na porta e a voz carinhosa do pai: - Mariana, posso entrar? – Entra, sem esperar pela resposta, senta na cama e coloca a filha no colo. – Minha filha... você precisa entender... já faz dois anos que a mamãe morreu...  o papai amava muito a mamãe... mas o papai não pode continuar sozinho...
          - Você não está sozinho! - Mariana se agarra a ele, em desesperado choro. – A  mamãe e eu estamos com você! Nós vamos estar sempre com você...
          - Mariana... a mamãe morreu! – e ele a sacode com ternura. – Acorda, filhinha! A vida precisa continuar...
          - Papai, por favor, não faz isso comigo! – e se agarra, trêmula, a ele. – Aquela mulher não presta! Eu vi... eu senti isso! Não traga ela para dentro desta casa, papai! Por favor... por favor!
     - Filhinha... chega! – há ira na sua voz. – Você tem apenas sete anos e nada sabe da vida! A Letícia será a sua nova mãe e ponto final! Vá se acostumando com a ideia...
               - Mas... papai...
          - Chega, minha filha! Não toque mais neste assunto! E agora, durma! –  dá-lhe um suave beijo na testa e sai do quarto. Desce a escada e Letícia o recebe com um sorriso encantador.

*  *  *  *  *
          A igreja está cheia de convidados. No altar, Fernando saltita nervosamente, olha com frequência  para a entrada da igreja, impaciente... Quando a porta se abre e Letícia aparece em seu primoroso vestido de noiva, o coração dele dispara e o seu rosto se abre no mais belo sorriso. Cúmplice, a noiva devolve-lhe um sorriso encantador. Ela está deslumbrante, ele pensa, enquanto caminha ao seu encontro. Recebe-a, beija-lhe a testa e dirigem-se para o altar.
          A dama de honra entra com as alianças. Sua fisionomia contrasta com as fisionomias reinantes; não há brilho no seu olhar, não há sorriso em seu rosto... Ela não queria trazer as alianças, mas o pai a obrigou. Ela entra lentamente, como se quisesse adiar para sempre aquele terrível momento. De repente,  o olhar dela  se encontra com o olhar de Letícia e ela sente um arrepio percorrer todo o seu corpo. Há uma maldade satânica naquele olhar. Mariana fica paralisada pelo medo...
     - Venha, ternura do papai! – anima-a Fernando, com o mais doce sorriso.
     - Venha, querida! – e Letícia lhe dirige um belo sorriso, mas os seus olhos fuzilam...
     Mariana se aproxima... entrega para o padre a almofadinha rosa, em forma de coração, na qual estão entrelaçadas as duas alianças... duas lágrimas cristalinas despencam dos seus olhos.
     - Se alguém tem conhecimento de alguma coisa que possa impedir esse casamento, que fale agora, ou se cale para sempre! – sentencia  o padre, com voz grave.
          - Eu tenho!
          Todos os olhares se voltam para a pequena Mariana; há um assombro estampado em cada rosto. A incredulidade toma conta de todos os presentes.
          - O que é que você tem contra, meu anjo? – pergunta o padre, agora com doçura na voz e um sorriso divertido no rosto.
          - Ela é uma mulher má! – responde Mariana e aponta o dedo indicador da mão direita para o rosto de Letícia. – Ela vai me matar! – olha nos olhos de Letícia, sofre um estremecimento, abaixa a cabeça...  
          - Ora... ora... – o padre sorri, divertido, e a seguir, estende a mão sobre o casal. – Eu os declaro marido e mulher!
          Durante a festa, Mariana se recolhe num canto mais sombrio do salão. Repentinamente, Letícia se aproxima dela, agacha, segura os seus ombros com força e diz, por entre os dentes: - Depois nós duas vamos acertar as nossas contas!  - e ao perceber que Fernando se aproxima, acaricia as bochechas dela  e fala com ternura:      - Eu gosto muito de você, Mariana; nós vamos ser grandes amigas! – e sorri um sorriso metálico e  olha para ela com ódio intenso. Mariana estremece... se encolhe...
 
*  *  *  *  *
          - Meu bem – diz Letícia – eu tenho observado a Mariana tão calada! Ela parece amedrontada... De que essa menina tem medo? Se eu souber, quem sabe eu posso ajudá-la a vencer os seus fantasmas? – e Letícia coloca as mãos de Fernando sobre os seus seios enrijecidos.
          - Amor, você é muito meiga! – e Fernando se delicia, distraído, com os mamilos intumescidos. – A minha menina só tem medo de barata e de escuro.
     - Fique tranqüilo, meu amor! – e Letícia se posiciona sobre ele. – Eu vou ajudá-la a vencer os seus medos! – e começa a se movimentar e Fernando é invadido por uma onda de prazer.
     - Meu Deus! Como você é boa! – suspira, ofegante. – E pensar que ela me procurou, apavorada, dizendo que você quer matá-la...
     - Ah... Crianças... Crianças não sabem o que falam! – e Letícia sela a boca de Fernando com um beijo apaixonado.
          Três dias depois, durante o jantar, subitamente Letícia pergunta:
     - Amor, você tem observado como a Mariana está estranha?
          Mariana abaixa os olhos, apavorada, começa a tremer...
     - Ela está apenas mais calada, meu bem! – fala Fernando, partindo um suculento bife. – Não está sendo fácil pra ela...
          - Mas ela precisa falar tanta asneira? – interrompe Letícia, friamente.
          - Como assim, besteira? – surpreende-se, Fernando.
    - Ontem eu ouvi ela dizer que vai se matar pra se encontrar com a mãe...
     - Isso é verdade, Mariana? – pergunta Fernando, levantando-se, pegando o paletó no encosto da cadeira e vestindo-o.
          - É mentira dessa bruxa! – grita Mariana, trêmula, em prantos, e sobe a escada correndo.
          - Mariana, volte aqui!
          - Pode deixar, meu bem! Vá para a sua reunião! Depois eu converso com ela.
          - Obrigado, meu amor! – e Fernando a beija e sai.
*  *  *  *  *
          Letícia abre a porta do quarto de forma brusca. Mariana se encolhe na cama e tenta esconder o retrato da mãe, que traz junto ao peito.
     - Saia do meu quarto, sua bruxa! – grita com voz trêmula.
          - Vejo que você está com saudades da mamãe! – sua voz é irônica. - Vamos resolver isso agora, sua menina vadia! – e seus olhos adquirem uma expressão satânica. Aproxima-se, pega Mariana pelos cabelos e a arrasta escada  abaixo, evitando que ela se machuque.Para diante da porta do quarto da empregada, abre, empurra Mariana, entra,  abre o armário e tira de dentro dele um grande vidro, contendo inúmeras baratas vivas. Mariana entra em pânico; todo o seu corpo treme de forma incontrolável. Letícia tranca a porta e ameaça abrir o vidro...
          - Não faça isso, pelo amor de Deus! – suplica Mariana, em pranto convulso.
          - São só umas baratinhas, meu amor! – Letícia sorri, de forma insana. – Olhe para cima! – Mariana olha, involuntariamente. – A titia tirou a lâmpada... baratas não gostam de claridade... a titia vai deixar você e elas trancadas aqui dentro, por duas horas! Depois a titia vem libertar você! – e começa a abrir a tampa do vidro, com uma expressão demoníaca no rosto.
          - Não faça isso! – chora descontrolada. – Eu faço o que você quiser, mas não faça isso comigo!
          - Você fará tudo que eu quiser? – seus olhos brilham febris.
          - Sim...
          Letícia tira da bolsa  um caderno, com motivos infantis, e uma caneta; estende-as na direção de Mariana e ordena:
          - Escreva aí: “Papai... fui encontrar com a mamãe...”
          - Só isso? – pergunta Mariana, mais calma.
        - Só isso, meu bem! – responde Letícia, com um sorriso vitorioso.
          Mariana escreve e entrega para Letícia. Letícia guarda dentro da bolsa, calça longas luvas de borracha, pega Mariana novamente pelos cabelos e se dirige para os fundos da casa. Aproxima-se da piscina e pula dentro, juntamente com Mariana. Afunda a cabeça dela dentro da água e segura. Sente que as mãozinhas dela, em desespero, apertam o seu braço, arranham a luva... a força vai diminuindo... diminuindo...
*  *  *  *  *
          -Alô?
     - Fernando? – a voz era trêmula, hesitante... – Venha para casa, meu amor!
     - Aconteceu alguma coisa? – sente o coração pulsar descompassado.
     - A Mariana... a Mariana... – um choro convulso é tudo o que ele ouve.
          Quando Fernando chega e vê o corpo da sua querida filha inerte, dentro da piscina, entra em desespero. Pula na água, pega a filha no colo, beija-a, apaixonadamente.
          - Minha filha... minha filha... – é tudo que consegue balbuciar. Sai da piscina, com a filha nos braços. Seu rosto é a pura expressão da dor. Em silêncio, com lágrima nos olhos, Letícia pousa a mão direita sobre o ombro dele. A ambulância chega e o médico, silenciosamente, acolhe o corpo sem vida de Mariana, coloca-o sobre a maca, ausculta e olha para o chão. Não há mais nada a fazer.
          Fernando sobe a escada, amparado por Letícia. Abre a porta, entra novamente em um choro desesperado. Assenta-se na cadeira da filha e, atônito, lê a mensagem deixada por ela em pequenas letras desenhadas, trêmulas...  “Papai... fui encontrar com a mamãe...”
O choro rompe mais forte... as mãos trêmulas seguram o bilhete...

          Carinhosamente, Letícia tira o bilhete de suas mãos, beija as lágrimas que escorrem pela sua face e o abraça. Fernando se deixa abraçar e se entrega – com toda a sua dor – a esta manifestação de solidariedade, carinho, amor...


terça-feira, 7 de maio de 2013

Declaração de um homem apaixonado

Bela moça que almejo Que ocupa meu pensamento
Conheces meus desejos
És a dona dos meus sentimentos

Veio de longe, só de passagem
E atracou em meu peito
Me descobriu em sua viagem
E tornou meu mundo perfeito

Moça linda e talentosa
Será que podes me perdoar?
Te trouxe apenas esta rosa
Na esperança de te encantar

Meu pensamento me governa
Me conduz até você
A semente do amor germina para ser eterna
Tendo nossos corações em seu poder

Moça que veio de um lugar distante
Como poderia eu não me encantar?
Penso em ti a todo instante
Sonhando em poder te buscar

Te trago em meu sossego
Pra viver comigo minha vida
Te peço que não tenha medo
Pois meu mundo é feito de poesias

O Troco

Sir ALEIXENKO OITAVO Primeiro Ministro do Reino de Gorobixaba entra no RESMUNGO - Restaurante Municipal de Gorobixaba e vê ESPERTÂNIA, uma mulher muito bonita sozinha numa mesa. Ele se aproxima e pergunta:

— Estou vendo você sozinha nessa mesa. Posso sentar-me e fazer-lhe companhia?

Ao que ESPERTÂNIA retruca bem alto:

— Trepar comigo? Você está pensando que eu sou o quê?

Sir ALEIXENKO ficou vermelho que nem um peru e voltou de fininho para sua mesa, diante dos olhares gozadores de todos no restaurante.

Alguns minutos depois a mulher se levanta e vai até a mesa dele.

— Me desculpe pela forma como o tratei ainda há pouco! É que sou psicóloga e estou fazendo um trabalho sobre a reação das pessoas diante de situações inusitadas e...

O Primeiro Ministro simplesmente a interrompe gritando:

— Mil reais? Você está maluca? Nenhuma puta vale tudo isso!

CRIME ESPIRITUAL

Quarto eivado, faz-se o swing
À trocar energias, almas no ringue
Ojeriza minha poesia que distingue
O erro do desejo podre restringe

Toda a beleza! Vingo palavras pelo céu
A obsessão finda a impureza do motel
Não é noite de núpcias, é a nojeira cruel
De quem se assujeitou vejo a aura com véu

Não escrevo pela razão, por isso eu perplexo
Sei que sem amor o simples torna-se complexo
Auro as tentações fabricando minha calma

Existe a triste troca de energia no sexo
Transar por transar não tem nexo
É cometer crime contra a própria alma!

sábado, 4 de maio de 2013

Em algum lugar eu vou estar


Em algum lugar, na noite inquieta,
Enquanto você trava sua luta solitária,
Será que você vai se lembrar?
Estou de novo ao seu lado.
Como já estive em outros dias,
Quando trilhamos caminhos melhores.
É verdade que eu não posso tocar a sua mão,
Mas sei que você compreenderá.
O amor não depende do lugar,
Mas só de olhar um para o outro.
O amor é coisa do coração.
E mesmo vivendo separados,
Aí nunca é longe daqui.
E aqui nunca é longe daí,
Para quem gosta de verdade.
Então, se você me amou, não sofra,
Os que amam, acreditam.
Se precisar de mim, basta chamar.
Afinal, estou com você.
 
 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Não deve passar em branco

Uma mãe tigresa perdeu seus filhotes devido a um parto prematuro. Pouco depois, ficou deprimida e sua saúde declinou. Mais tarde, ela foi diagnosticada com depressão. Uma vez que os Tigres estão em perigo de extinção, todos os esforços foram feitos para proteger a sua saúde. Zoólogos embrulharam leitões em panos com cores e desenhos de pele de tigre e apresentaram eles a tigresa mãe. Agora, ela ama esses leitões e trata como seus próprios filhos.
E não é preciso mencionar a sua saúde que está de volta como antes. ♥ Sim, os animais, eles têm sentimentos.


O Anjo Caido

Uma vez lah no céu,um anjo não se sentia a vontade,sempre achava que algo lhe faltava
Então resolveu andar sobre a terra...e viu uma criatura linda olhando para o mar.
desde então esse anjo ficava ali na praia horas e horas observando aquela criatura que ele achava tão linda
Porém ele ah observava de longe,um dia ele resolveu se aproximar pensou assim:
Ela não ira me ver afinal sou um anjo.
chegou bem perto dela e sentou-se ao seu lado,e foi surpreendido...
-Oi faz tempo que vem me observando?disse a criatura
-como?como? você pode me ver?
-sim.
então o anjo assustado voltou correndo para o céu,e foi procurar o anjo mais sábio do céu...
e o sábio anjo ancião,lhe disse que essa criatura poderia ser um anjo caído...
ele contou ao anjo que a um tempo atrás,um dos anjos conheceu o amor,ciúme e vingança,
esse anjo machucou o seu amado,e com isso recebeu um castigo injusto...ele arrancou suas asas, a humilhou perante outros anjos...
com essa humilhação e sem asas,ela teve que descer para a terra,pois anjos sem asas não podem morar no céu,e ficam encarregados de cuidar de anjos feridos.
Com essa historia o anjo ficou mais curioso e resolveu ir ate a terra novamente e tentar falar com aquela criatura.
-ola você já deve saber de minha historia.disse a criatura
-Sim,então você é realmente um anjo caído?
-sim!! e o pior o anjo que jurei meu amor eterno não se lembra de mim!!pois quando o amor se afasta, ele é esquecido facilmente.
O anjo com uma certa duvida,voltou ao céu e se lembrou do que lhe faltava,então como ele já sabia que esse anjo cuidava de anjos machucados,fez feridas em suas asas para que esse anjo caído cuida-se de suas feridas...
-esta machucado irei te curar.disse o anjo caído
e virou se para pegar seus instrumentos de cura.
-gostaria de ter suas asas de volta?perguntou o anjo
-sim! respondeu com uma voz de choro anjo caído
-gostaria de voltar para o céu?
-gostaria de ter quem eu amo de volta.
derre pente um grito de dor,o anjo caído se virou e viu o anjo curioso com suas asas..
-esta aqui oque eu te arranquei!!
-não queria as minha asas!! só deseja que se lembra-se de mim.
então os dois anjos se lembraram de como o amor pode ser dolorido mais no final ele sempre vai prevalecer...
o anjo curioso arrancou suas próprias asas,para viver com sua amada,os dois ficaram aqui na terra para curar os humanos machucados por amores não verdadeiros...
reza lenda de que esses anjos caídos existem,mais sabemos que o amor verdadeiro nunca é esquecido,só que as vezes nosso orgulho nos deixa cegos e o ciúme nos deixam fora de si.