E assim , olhando você em minha frente com esse rosto , esse corpo ,
todo perfeito. Com a luz da manhã clareando nosso quarto , como pode
ser assim , a vida , tão linda .
Sinto sua pele , seu calor , seus
abraços , e assim , vou vivendo , admirando cada pequeno detalhe , e
questionando o tempo , por passar tão rápido quando estou com você .
Incrível
, você não foi embora dessa vez , agora você esta aqui , aqui para nunca
me deixar , aqui para estarmos juntos para sempre.
Eu deito no seu colo e sinto sua mão sobre meus cabelos, sinto teus lábios tocando os meus, ouço tua voz dizendo que me ama.
Mas
como ? não entendo , esse momento , tão magico , passa tão rápido , mas
consigo entender e ver cada minimo detalhe e ao mesmo tempo não consigo
entender nada , pois essa perfeição do momento me deixa confuso .
Mas como , estou em meu quarto ? em minha cama ? nao consigo entender,parecia ser real , mas não era ....
A perfeição de uma vida,
A perfeição de um amor,
Da incrível magia
De ter você ao meu lado ,
Para sempre
Eu e você ,
Não passou , e nunca ira passar,
De um simples ,
Sonho perfeito ...
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Condenando-se a mim mesmo
Quando uma noite eu adormecia, senti um frio me percorrer a alma, um grito infernal me rasgou a paz, dilacerando meu descanso e me condenando aquele pesadelo que tardaria a acabar. E eu me neguei.
-Não me atormentais! Somes daqui, criatura infernal! Nada és real, teu tormento descansa junto ao teu corpo, perecendo em teu calabouço. Saia de meus pesadelos... E me deixe em paz!
Orei e tentei afastar aquela maldição de minha vida. O tempo se passou e os gritos de discórdia e angustia, eram cada vez mais constantes em minhas noites de insônia. Minha alma caiu em prantos diante de tanta desgraça, por fora tentava ser forte, mas aquela alma inquieta tentava arrancar-me a insanidade. Foi naquela noite que senti meu coração disparar, o cheiro da morte invadiu meu lar, o aroma pútrido pairava no ar. Deitado em minha cama, ouvi passos em minha direção, o pé frio e dilacerado se confrontava com o chão de madeira, e a cada passo da criatura, meu corpo gelava, como se estivesse se preparando para a morte. Mas eu sabia que aquilo não era real, temia por minha saúde mental. Arrependi-me ao notar que minha honra foi banhada pelo sangue de inocentes. Sim; jamais me perdoei, mas minha decisão havia sido decretada. Naquela noite eu a vi, era minha amada, junto a mim há mais de quinze anos, minha esposa, amiga e companheira.
Naquele dia a segui. Olhei pela janela e vi minha condenação, arregalei os olhos ao presenciar tal traição. Ela a quem eu amava, me jogou no lixo, traiu minha confiança e me condenou a desgraça. Meu ódio dominou-me por completo. Meus olhos exalavam a pura maldade. Sim eu queria me vingar, de ante mão, planejei tudo. Decidi acabar com a vida do maldito, e logo depois acabaria com ela, decretando assim minha vingança. Ambos morreriam olhando face a face um do outro, morreriam vendo aquela última imagem na cabeça, meu sorriso insano preencheria aquela noite sombria.
Na noite seguinte caminhei sorrateiro, a seguia com destreza, cada passo era predestinado, eu estava convicto de meu objetivo. Adentrei na casa do desgraçado antes que ela pudesse chegar. Com um golpe na nuca, o maldito desmaiou. Atei sua boca com um pano, e o amarrei em uma velha cadeira. Em plena sala, deixei seu corpo à espera de sua amante. Acolhi-me no canto da porta, foi quando a ouvi chamar, abri lentamente a porta e era ela, entrou distraída na sala. Um grito ecoou após notar seu amante preso naquela cadeira. Agarrei uma barra de ferro ao lado da porta, e com toda força acertei sua cabeça, a pancada fez com que Luci, desmaiasse. O sangue escorria lentamente de seu crânio enquanto eu observava seu corpo em câmera lenta cair ao chão.
Após respirar fundo, senti um vazio enorme. Eu acabara de matar minha esposa a quem eu amava de corpo e alma. Mas sempre a alertei que a mataria se um dia me traísse. Ela não me ouviu. Descobri que se encontrava quase todas as noites com aquele jovem rapaz. Caminhei em sua direção e abracei seu corpo, senti suas batidas pulsarem, então notei que a desgraçada ainda estava viva. No mesmo instante o amante acordou de seu tormento, tonto e sem entender nada, vi uma lágrima percorrer os olhos daquele infeliz. O ódio mais uma vez me dominou. Notei que a mataria por culpa daquele lixo, um jovem rapaz que não respeitava a nada, será que não percebera que ela era casada, sem nada a perder se deitou com minha mulher, ao menos se fosse esperto, saberia que esse pecado teria um preço... A morte. Arregalei os olhos de Luci, esbofeteei seu rosto, tentava acordá-la, queria que ela testemunhasse a morte de seu amante. Talvez notasse que seu erro a condenou junto a ele. Após algumas tentativas ela despertou atordoada, tremula e com pouco sentido, apenas via o sangue descer de sua testa, a puxei pelos cabelos e amarrei junto à outra cadeira, deixei os dois face a face. Caminhei até a cozinha, e de lá empunhei uma linda faca de prata com cabo de marfim, seria aquela lâmina que cortaria o mal pela raiz.
O covarde do rapaz chorava presenciando aquela cena. Eu entendo sua angustia, sua amada quase morte, e sua vida nas mãos de um insano, um homem traído e renegado em busca de vingança. Eu não tinha duvidas do que faria, antes de acabar com sua vida, decidi dilacerar a garganta de Luci, assim ele notaria os frutos de sua aventura sexual. E os frutos não eram coloridos, apenas o vermelho do sangue e o preto da escuridão que rondaria suas almas do outro lado da vida. Caminhei em direção a Luci, e com a faca na mão direita, aproximei-a do pescoço de minha amada, com a outra mão, segurei seus cabelos com força, esticando seu pescoço para um melhor corte, o sangue jorraria no rosto de seu amante. E assim o fiz, com extrema força e velocidade, vi a faca rasgar com violência a carne de meu amor, o sangue jorrou em abundancia na face do infeliz. E ele continuava a chorar, tripudiava quase caindo da cadeira, estava pálido, em puro estado de choque, não era para menos, logo depois chegaria sua vez.
Após gargalhar em puro estado de loucura, apreciei meu feito, degolar minha esposa foi prazeroso, sentir o sangue quente molhar minhas mãos, a faca ultrapassar a carne de uma mulher infiel, foi alucinante. senti-me como um rei, estava satisfeito por acabar com a vida daquela traidora. Meu amor ainda era presente, mas sou um homem orgulhoso, “ou vive comigo, ou morre por minhas mãos”. Não aceito traições. Encarei a cara pálida do desgraço e sorri maquiavélico, eu precisa acabar logo com aquilo. Com a mesma faca me aproximei e dei minhas últimas palavras ao maldito antes de ir embora.
-Você é o único culpado por isso, Desgraçado! - O esbofeteei na cara - Estou exausto, você me tirou a felicidade, me condenou a isto! Eu a amava tanto, e um ser desprezível como você ousou acabar com nossa vida de casados.
Aproximei-me enquanto os olhos de minha vítima brilhavam. Por alguns segundos, senti como se ele me pedisse piedade, piedade? Não eu não teria. Empunhei firme aquela faca nas mãos, o golpe foi certeiro, e novamente presenciei o sangue molhar meu corpo. Por fim aquele pesadelo acabara, decidi carregar o corpo do maldito e jogá-lo no pântano. Carregaria o corpo de minha esposa e a deixaria perecer em meu porão. Caminhei até o velho galpão de sua casa, peguei cordas e algumas ferramentas, notei uma velha caixa, coberta com um pano, abri com certa curiosidade, notei algumas fotos e na hora deixei as ferramentas cair em meus pés, não notei a dor, pois aquelas fotos me partiram a alma. Não pude acreditar que era minha esposa, jovem e bela, segurava uma criança nos braços, nos retratos seguintes a vi com ele, a quem eu achava que era seu amante. Eu sabia que Luci, já havia sido casada um dia, mas nunca imaginei que ela escondia um filho. O filho a quem eu tirei a vida com crueldade a poucos minutos, matei minha mulher por ilusão de minha mente... meu Deus como fui tolo! Não aguentei e desabei ao chão, chorei rasgando minha dor com um grito, estava em choque, desesperado, não podia aceitar isto, como eu pude fazer isso com eles, nem mesmo a escutei, agi sem noção, não lhe dei nem a chances para se explicar...
Aos prantos bradei a morte de minha esposa, um erro fatal em minha vida, eu era um covarde. Liguei a velha caminhonete que achei na garagem, lá coloquei o corpo do filho de minha mulher. Após alguns minutos cheguei a meu destino, desolado me vi a jogar o corpo daquele jovem. Aparentava ter menos de vinte anos de idade, esperei e vi os crocodilos dilacerarem sua carne.
Após me recompor, dirigi de volta a casa onde acabei com a vida de ambos. Carreguei o cadáver de minha mulher, o sangue frio molhava ainda mais minhas vestes, a joguei na cabine e logo depois passei horas limpado aquela sala, queimei tapete e cadeira, não deixei nenhum vestígio no local do crime. Perdido por meus atos dirigi com o cadáver de minha esposa até nossa casa, estacionei a caminhonete e amarei uma corda junto ao seu corpo, arrastei com dificuldades até o porão, voltei à caminhonete e peguei pá e picareta. Guardei as ferramentas em minha casa, e logo depois lavei o automóvel, dirigi de volta a casa de onde ocorrera aquela chacina, não consegui entender o porque dela esconder esse segredo, eu aceitaria essa ideia, pena que não foi assim, terminei por cometer o pior ato de minha vida. Deixei a caminhonete no mesmo lugar que encontrei. O caminho de volta parecia uma eternidade, a pé me vi a recordar de cada cena que acontecera nesse dia, estava eu condenado, pensei em me matar logo depois de enterrar no porão o corpo de minha amada. Em fim cheguei em casa, passei a noite em claro cavando aquela cova, o último punhado de terra saiu do chão de meu porão, e com tristeza, mais uma vez bradei alto a morte de minha esposa.
-Me perdoe amor! Eu não sabia, por favor... - Clamava por piedade, mas não receberia o perdão, afinal ela estava morta!
Eu estava destruído, jamais em sã consciência, imaginaria que um dia acabaria com a vida de alguém, ainda mais com a vida de inocentes. Após jogar o corpo naquela terra úmida e empesteada de vermes, tapei o buraco e fui me deitar após um banho.
Todas as noites a alma atormentada de minha mulher me tirava o sono, eu apenas ouvia o tormento de sua voz, seus gritos e gemidos de angustia. Ela queria sua vingança, e cada noite suas visitas eram cada vez mais constantes. Eu nunca mais havia pregado os olhos, estava magro e abatido. Mas naquela noite eu a vi em meu quarto. Senti a porta do porão se destroçar, inerte eu apenas esperei por sua presença. Foi quando a vi diante de minha face, o corpo totalmente retalhado por ratos e vermes, a corda ainda estava presa ao cadáver, e mais uma vez me condenei por meu erro sem perdão. Levantei-me tremulo da cama, e permanecia imóvel, ela então caminhou em minha direção, minha cara pálida e meu coração saltitante, mostravam meu medo. Eu então me vi a mercê da morte, estava a apenas alguns centímetros da enorme janela de vidro. Ela bradou em ira, e com suas mãos firmes e pútridas, arremessou meu corpo da janela. Cai de cabeça nas pedras que decoravam o jardim. Após meses em coma, me vejo hoje aqui, preso na cama, não posso mexer uma parte se quer de meu corpo, apenas meus olhos podem ver, meus ouvidos ainda podem ouvir, mas falar... Jamais. Perdi esse dom... Eu a vejo me atormentando todas as noites, ela está ali, no canto da cama, aguardando ansiosa por minha morte...
Me acompanha ?
A noite já ia alta quando lembrei que teria de acordar mais cedo para viajar a trabalho.
Então resolvi deixar o bar e lembrei que fui a pé, pois nunca gostei de dirigir após ingerir álcool.
Meus passos eram incertos devido à ingestão excessiva de vodka, mas nada que interrompesse meu trajeto.
Ao dobrar a esquina avistei uma bela mulher sozinha sentada no ponto de ônibus. Ela parecia perdida e ao me avistar correu em minha direção.
- Graças a Deus! Uma pessoa por aqui a essa hora! Disse sem conter a felicidade.
- Posso ajudar? Aconteceu alguma coisa?
- Sim, o senhor pode me ajudar.
- Em que posso ser útil – perguntei a linda mulher que agora me fitava nos olhos como se tentasse penetrar meu cérebro...
- O senhor atravessará o cemitério a essa hora da noite?
- Sim, pois estarei ganhando alguns minutos com esse atalho.
- O senhor não tem medo?
- Não – respondi com firmeza para tentar impressionar a bela moça.
- Posso acompanha-lo?
- Claro, seria um enorme prazer.
Fomos conversando entre os arbustos e túmulos como velhos amigos...
Na ultima quadra a moça parou e disse:
- Agradeço por me fazer companhia.
- Que é isso, foi um prazer. Mas por que parou aqui?
Ela olhou-me dentro dos olhos e disse:
- Eu moro aqui há alguns anos.
Então pude ver na lapide a foto da mulher que eu fiz companhia até sua eterna morada.
Não corri como você deve estar pensando, corri muito mais, tanto que nem sentia meus pés tocarem o chão...
E nunca mais passei pelo cemitério.
Então resolvi deixar o bar e lembrei que fui a pé, pois nunca gostei de dirigir após ingerir álcool.
Meus passos eram incertos devido à ingestão excessiva de vodka, mas nada que interrompesse meu trajeto.
Ao dobrar a esquina avistei uma bela mulher sozinha sentada no ponto de ônibus. Ela parecia perdida e ao me avistar correu em minha direção.
- Graças a Deus! Uma pessoa por aqui a essa hora! Disse sem conter a felicidade.
- Posso ajudar? Aconteceu alguma coisa?
- Sim, o senhor pode me ajudar.
- Em que posso ser útil – perguntei a linda mulher que agora me fitava nos olhos como se tentasse penetrar meu cérebro...
- O senhor atravessará o cemitério a essa hora da noite?
- Sim, pois estarei ganhando alguns minutos com esse atalho.
- O senhor não tem medo?
- Não – respondi com firmeza para tentar impressionar a bela moça.
- Posso acompanha-lo?
- Claro, seria um enorme prazer.
Fomos conversando entre os arbustos e túmulos como velhos amigos...
Na ultima quadra a moça parou e disse:
- Agradeço por me fazer companhia.
- Que é isso, foi um prazer. Mas por que parou aqui?
Ela olhou-me dentro dos olhos e disse:
- Eu moro aqui há alguns anos.
Então pude ver na lapide a foto da mulher que eu fiz companhia até sua eterna morada.
Não corri como você deve estar pensando, corri muito mais, tanto que nem sentia meus pés tocarem o chão...
E nunca mais passei pelo cemitério.
A Balada Maldita cancelado
Bom, devido a alguns acontecimentos macabros e coisas digamos que '' Sobrenaturais''
não vou continuar com o conto '' A Balada Maldita''.
Mas novas histórias estão por vir, aguardem.
não vou continuar com o conto '' A Balada Maldita''.
Mas novas histórias estão por vir, aguardem.
Não gosto de balada, nunca gostei
Não gosto de balada
É um lugar da razão se divertir
E por isso não existe poesia
Os jogos de luzes são artificiais
A lua realmente não gosta disso
Ela me disse isso sábado agora
Não gosto de balada
Já fui por falta de solidão
Porque rodeado de desapego emocional,
Onde beijos são beijos e pontos finais,
Me sinto mais solitário ainda
Bebidas alcoólicas estragam a poesia
Não vejo nada nesse lugar
Apenas sinto que não cheira bem
E isso já é o suficiente pra que eu queira ir embora
Não gosto de balada
Não me venha com posturas fotogênicas
de preto com sorrisos de flash industrial
A pista de dança é uma metáfora da incógnita
Onde corações sem bocas tem medo de dizer
Que ali você não encontrará alguém para realmente amar
E quem está lá, está justamente querendo isso, não amar
Pegar e desapegar no mesmo instante
Me sinto mal nesses lugares
Eu saio dele, mas ainda em pensamento estou lá
Tentando achar algum sentido
No pegar e no desapegar
Não gosto de balada
Tenho 19 anos e gosto mais da solidão
Alguns me disseram que isso é doença de poeta
E concordo plenamente
Não existe poeta saudável
Não existe arte sem a loucura
Assim como não existe a loucura sem a doença
Poetas são sujeitos doentes entre seu pensar e sentir
Não gosto de balada
Sinto vergonha de estar ali
Inferiormente intencionado à opressão da
Ideologia falsa do século XXL: "tenha atitude"
Isso me faz delirar por não aceitar essa
frase feminista composta de menininhas
semi menstruadas a deriva de status de
vestido mais curto da pista
Porque muitas vezes é mais vantajoso agarrar
uma oportunidade (de ir embora) do que agarrar alguma "mulher"
Não gosto de balada
Balada é lugar de adultério de palavras
O coração que devia dar o veredito para o bem da alma
mas a razão deixa que o refrão do sertanejo
Universitário tome conta do ambiente transparecendo
a metafísica do "foda-se o amor"
Não gosto de balada
Minha mediunidade odeia balada
São como motéis, corrompem-se as energias
O beijo sem amor conecta-se ao perispírito
A aceitar o pecado do outro sem identificar
Se o pecado dele é negativo
Disso nasce a enganação
Na balada todos se enganam
Porque tudo é aparência física
Não gosto de balada
Deu para entender agora?
A hora do palhaço maldito
Toni,
o relojoeiro, trabalhava incansavelmente. Seu comercio com centenas de
relógios nas paredes, o lapidava com seus toques dos segundos que
atiçavam seu cérebro, fazendo seus nervos mexerem em sincronia com eles.
Toni era fiel ao tempo, pois era esse seu ganha pão. Passava boa parte de seus dias concertando relógios e mais relógios, sempre trabalhando com o tempo dentro de seu próprio tempo, para pessoas que não queriam se atrasar e nem se adiantar.
Ao final do expediente, pegava a bicicleta nos fundos da relojoaria e pedalava dois quilômetros e meio, até chegar a sua casa.
Em seu lar não era diferente, tinha hora para tudo, até para espirrar! Sua esposa bonita e desengonçada era uma preguiçosa assim como seu filho pequeno. Ambos não ligavam para o tempo, totalmente desleixados e arrogantes, perdidos na falta do que fazer.
Mas graças a ele a casa era cheia de regras para serem cumpridas dentro de seus prazos. Em cada cômodo tinha dezenas de relógios, todos certinhos, com ponteiros calibrados e seguros.
Toni queria se sentar a mesa e cear na hora certa, a esposa irritada tentava obedecê-lo. Preparava a comida ruim, colocava a mesa e ambos esperavam o ponteiro bater nas 7 horas para jantarem. O garoto olhava para as batatas frias engorduradas, olhava para a mãe também faminta e para o pai:
— Faltam quantos minutos ainda, mamãe?
A mãe olhava para o relógio e respondia:
— Doze minutos meu anjo.
O relojoeiro se incomodava, olhava para as panelas grossas de sujeira, para o ponteiro tardio e ouvia a esposa reclamar:
— Costume imbecil este o seu de querer fazer tudo com hora certa! Qualquer dia eu endoido e quebro todas as porcarias desses relógios!
Ele era fiel a este procedimento, esperava cauteloso às 7 horas, e quando esta vinha, ai sim começavam a comer.
E toda noite, na hora do sexo, ele calculava no relógio de pulso as preliminares. Era de seu juízo que estas fossem em 8 minutos, depois então, pulava sobre a esposa e ficava sobre ela por exatos 23 minutos, pouco mais de meia horinha de relação amorosa para enfeitar sua vidinha chata. Quando a esposa queria mais ou reclamava por não ter chegado ao orgasmo no tempo programado, ele dizia que nada podia fazer, e dormia para não chegar atrasado aos seus sonhos.
Seus sonhos consistiam em um grande relógio de uma torre em meio ao deserto, um relógio que ele não conseguia concertar. Certa vez sonhou que o concertou, mas quando foi colocar na hora certa, percebeu que não tinha com ele nenhum relógio, de modos que não saberia colocar a hora exata... Este sonho lhe virava um pesadelo e ele acordava suado, diante de sua total incompetência. Decidiu então que dormiria com um relógio debaixo do travesseiro, e ao barulho dos segundos, cochilava e voltava à torre dos sonhos, em meio ao deserto, ao grande relógio quebrado.
O concertou, conseguiu colocar a hora certa, mas quando olhou a sua volta, viu centenas de outras torres, todas com relógios quebrados, faltando ponteiros e números... Acordou mais desesperado ainda, gritando e levando as mãos na cabeça.
Graças a estes sonhos seu trabalho lhe começou a ser um fardo, os relógios a sua volta lembravam-se das torres do deserto, se via incomodado e não conseguia entregar mais seus pedidos a tempo. Os clientes acostumados a terem seus relógios pontuais e na hora combinada, se atrasavam e reclamavam, dizendo que procurariam outro relojoeiro.
E o pobre homem não imaginava que dentro de sua casa, a esposa insossa e o pequeno filho tramavam quebrar as regras, deixar de lado este negócio de tudo certinho... Comeriam o jantar quando bem entendessem e seriam senhores do próprio tempo!
O relojoeiro Toni em seu trabalho se pondo louco, ouvia os ponteiros e as badaladas infernais dos relógios atrasados, enquanto tentava concertar os quebrados. Sabia que a demência estava prestes a corromper seu cérebro... O trabalho em exaustão, os pesadelos medonhos, a descrença de sua família e a reclamação dos clientes faziam sua mente organizada borbulhar em desordem, lhe levando a um caos mental e mortal.
Foi então que um velho estranho entrou em sua loja com um antigo relógio infantil... Disse que o queria concertado até às seis horas, para presentear o neto. O relojoeiro olhou com atenção o belo relógio, que nada mais era que um palhaço que mostrava as horas dentro de sua boca grande e vermelha. Ele se encantou com a beleza clássica e simples do relógio do velho, disse que queria comprá-lo e o ouviu dizer:
— Veio este do México a vinte e tantos anos atrás. Não se fabricam mais deles por lá e nem por aqui. Este dei ao meu filho, mas ele morreu de derrame... Estou pedindo para você concertá-lo para presentear o filho dele, meu netinho.
O relojoeiro encantado passou o resto do dia se dedicando ao belo relógio em forma de palhaço, até concertá-lo. Se apegou a ele, mas sabia que o velho viria buscá-lo...
Chegando dentro da relojoaria, o velho começou a passar mal... Caiu tremulo no chão e se entregou a morte repentina. Enfarte fulminante. O socorro foi chamado, o legista olhou a sua volta, as paredes cheias de relógio. Perguntou ao relojoeiro que horas percebeu a morte do homem, para constar nos altos.
Ele, no auge de sua incompetência, com tantos e tantos relógios atrasados e adiantados, não soube o que responder. Olhou para a boca do palhaço e temeu em dizer a hora errada, enquanto carregavam o corpo morto.
E debaixo do seu braço estava o relógio em forma de palhaço, o relógio que o menino não iria ganhar... Tratou de levá-lo pra casa e colocar no melhor canto de seu lar, para poder deslumbrar sempre a sua beleza.
Ao chegar em casa, com o embrulho debaixo dos braços, percebeu tudo diferente. Manteve seu objetivo, colocou o belo relógio em forma de palhaço na parede do seu quarto, cheia de tantos outros relógios. A esposa não mais era pontual, assim como o filho. Ambos abusaram em quebrar as regras e o puseram ainda mais louco. Na hora do jantar, o menino ansioso por demonstrar sua rebeldia incentivada pela mãe, perguntou a ela:
— Quantos minutos faltam para há 7 horas, mamãe?
Ela sorrindo respondeu:
— Faltam ainda 15 ou 20... Talvez apenas 10, meu amor... Mas não precisamos esperar. Pode se servir!
Toni indignado olhou a esposa e o filho comerem feito porcos, desorganizados propositalmente na mesa, enquanto esperava boquiaberto as 7 horas chegar. Quando esta chegou, a comida estava fria, e ele cheio de ira, se levantou, se escovou e foi dormir, sem os sagrados 30 minutos de sexo.
Quando acordou pela manhã, notou a ausência do relógio em forma de palhaço. Olhou para os outros e boquiaberto, percebeu que estavam todos desajustados, alguns adiantados, outros atrasados...
Se desesperou! Gritou feito louco procurando pelo relógio em forma de palhaço... O encontrou jogado e todo quebrado, dentro do lixo:
— Eu fui desarrumar a hora e ele caiu no chão – Disse calma a esposa, enquanto bebia o café.
Toni endoidou. Olhou raivoso para a mulher sínica e perguntou em tom de indignação:
— Porque diabos desajustou todos os meus relógios?
Ela sorriu:
— Eu e o menino estávamos entediados. Desajustamos alguns, quebramos outros...
O relojoeiro em ira pura foi em direção a esposa e a enforcou com todas as suas forças... Ela desesperada perdendo o ar em seus braços fortes, nada conseguia dizer... De repente ele caiu em si, soltou a esposa e correu para o quarto, enquanto ela recuperava o ar.
No quarto, olhou para a maquiagem da mulher... Pensou no palhaço do relógio e se pintou tal qual ele. Deslumbrou-se insano em frente ao espelho e sorriu neurótico... Já não estava mais em seu juízo, se julgava o próprio palhaço e buscava vingança por ter sido quebrado.
Sim, essa é a grande desgraça. O relojoeiro organizado pintou-se de palhaço, passou no rosto o bastão colorido e sorriu maquiavélico, pronto para ousar, pronto para concertar as coisas.
Caminhou com passos curtos até a cozinha... Pegou o cutelo afiado e foi até a sala, onde a esposa ligava para a policia, denunciando a agressão cometida por ele minutos atrás.
O primeiro golpe lhe pegou no ombro... Ela em desespero largou o telefone e o encarou, enquanto o ombro decepado pendia para o lado. Toni sorria, como que seus dentes fossem números e sua língua um ponteiro. Sorria desgraçadamente, pondo mais medo ainda na mulher aflita. Ela gritava em desgraça, olhando para a cara pintada do marido. Não. Aquele não era mais ele... Aquele ser asqueroso e errante era Toni, o palhaço Insano. Sem piedade e motivado pelas próprias gargalhadas, o palhaço atingiu o crânio da mulher, arrancando um tampão da cabeça. Ela caiu tremula e agonizante no chão frio, babando sangue e medo, enquanto a morte a alcançava.
Ele se ajoelhou diante dela e aos risos e gargalhadas a cortou inúmeras vezes, até ver seus pedaços se espalharem nos ladrilhos da sala, lambuzando o palhaço em seu horrendo espetáculo.
O menino sujo adentrou na casa... O relojoeiro pintado lhe sorriu meticuloso e com o cutelo banhado de sangue, lhe perguntou em sarcasmo:
— Sabes que horas é agora, meu filho?
Quando a policia chegou, Toni estava trancado em seu quarto, concertando o relógio do palhaço quebrado. A esposa e o filho estavam despedaçados pela casa ensanguentada, com todos os relógios das paredes ajustados e funcionando em perfeita sincronia.
Dentro da prisão acolchoada o relojoeiro palhaço dormia, olhando do lado de fora o relógio em forma de palhaço enfeitar o corredor. Sorriu satisfeito e doentio com sua cara pintada, sorriu meticuloso e bobo, pois ali, tinha hora certa para comer, beber e dormir, sonhando o sonho bom com os relógios concertados de todas as torres do abismo de sua mente.
"E era sempre, Não foi por mal Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são"
Toni era fiel ao tempo, pois era esse seu ganha pão. Passava boa parte de seus dias concertando relógios e mais relógios, sempre trabalhando com o tempo dentro de seu próprio tempo, para pessoas que não queriam se atrasar e nem se adiantar.
Ao final do expediente, pegava a bicicleta nos fundos da relojoaria e pedalava dois quilômetros e meio, até chegar a sua casa.
Em seu lar não era diferente, tinha hora para tudo, até para espirrar! Sua esposa bonita e desengonçada era uma preguiçosa assim como seu filho pequeno. Ambos não ligavam para o tempo, totalmente desleixados e arrogantes, perdidos na falta do que fazer.
Mas graças a ele a casa era cheia de regras para serem cumpridas dentro de seus prazos. Em cada cômodo tinha dezenas de relógios, todos certinhos, com ponteiros calibrados e seguros.
Toni queria se sentar a mesa e cear na hora certa, a esposa irritada tentava obedecê-lo. Preparava a comida ruim, colocava a mesa e ambos esperavam o ponteiro bater nas 7 horas para jantarem. O garoto olhava para as batatas frias engorduradas, olhava para a mãe também faminta e para o pai:
— Faltam quantos minutos ainda, mamãe?
A mãe olhava para o relógio e respondia:
— Doze minutos meu anjo.
O relojoeiro se incomodava, olhava para as panelas grossas de sujeira, para o ponteiro tardio e ouvia a esposa reclamar:
— Costume imbecil este o seu de querer fazer tudo com hora certa! Qualquer dia eu endoido e quebro todas as porcarias desses relógios!
Ele era fiel a este procedimento, esperava cauteloso às 7 horas, e quando esta vinha, ai sim começavam a comer.
E toda noite, na hora do sexo, ele calculava no relógio de pulso as preliminares. Era de seu juízo que estas fossem em 8 minutos, depois então, pulava sobre a esposa e ficava sobre ela por exatos 23 minutos, pouco mais de meia horinha de relação amorosa para enfeitar sua vidinha chata. Quando a esposa queria mais ou reclamava por não ter chegado ao orgasmo no tempo programado, ele dizia que nada podia fazer, e dormia para não chegar atrasado aos seus sonhos.
Seus sonhos consistiam em um grande relógio de uma torre em meio ao deserto, um relógio que ele não conseguia concertar. Certa vez sonhou que o concertou, mas quando foi colocar na hora certa, percebeu que não tinha com ele nenhum relógio, de modos que não saberia colocar a hora exata... Este sonho lhe virava um pesadelo e ele acordava suado, diante de sua total incompetência. Decidiu então que dormiria com um relógio debaixo do travesseiro, e ao barulho dos segundos, cochilava e voltava à torre dos sonhos, em meio ao deserto, ao grande relógio quebrado.
O concertou, conseguiu colocar a hora certa, mas quando olhou a sua volta, viu centenas de outras torres, todas com relógios quebrados, faltando ponteiros e números... Acordou mais desesperado ainda, gritando e levando as mãos na cabeça.
Graças a estes sonhos seu trabalho lhe começou a ser um fardo, os relógios a sua volta lembravam-se das torres do deserto, se via incomodado e não conseguia entregar mais seus pedidos a tempo. Os clientes acostumados a terem seus relógios pontuais e na hora combinada, se atrasavam e reclamavam, dizendo que procurariam outro relojoeiro.
E o pobre homem não imaginava que dentro de sua casa, a esposa insossa e o pequeno filho tramavam quebrar as regras, deixar de lado este negócio de tudo certinho... Comeriam o jantar quando bem entendessem e seriam senhores do próprio tempo!
O relojoeiro Toni em seu trabalho se pondo louco, ouvia os ponteiros e as badaladas infernais dos relógios atrasados, enquanto tentava concertar os quebrados. Sabia que a demência estava prestes a corromper seu cérebro... O trabalho em exaustão, os pesadelos medonhos, a descrença de sua família e a reclamação dos clientes faziam sua mente organizada borbulhar em desordem, lhe levando a um caos mental e mortal.
Foi então que um velho estranho entrou em sua loja com um antigo relógio infantil... Disse que o queria concertado até às seis horas, para presentear o neto. O relojoeiro olhou com atenção o belo relógio, que nada mais era que um palhaço que mostrava as horas dentro de sua boca grande e vermelha. Ele se encantou com a beleza clássica e simples do relógio do velho, disse que queria comprá-lo e o ouviu dizer:
— Veio este do México a vinte e tantos anos atrás. Não se fabricam mais deles por lá e nem por aqui. Este dei ao meu filho, mas ele morreu de derrame... Estou pedindo para você concertá-lo para presentear o filho dele, meu netinho.
O relojoeiro encantado passou o resto do dia se dedicando ao belo relógio em forma de palhaço, até concertá-lo. Se apegou a ele, mas sabia que o velho viria buscá-lo...
Chegando dentro da relojoaria, o velho começou a passar mal... Caiu tremulo no chão e se entregou a morte repentina. Enfarte fulminante. O socorro foi chamado, o legista olhou a sua volta, as paredes cheias de relógio. Perguntou ao relojoeiro que horas percebeu a morte do homem, para constar nos altos.
Ele, no auge de sua incompetência, com tantos e tantos relógios atrasados e adiantados, não soube o que responder. Olhou para a boca do palhaço e temeu em dizer a hora errada, enquanto carregavam o corpo morto.
E debaixo do seu braço estava o relógio em forma de palhaço, o relógio que o menino não iria ganhar... Tratou de levá-lo pra casa e colocar no melhor canto de seu lar, para poder deslumbrar sempre a sua beleza.
Ao chegar em casa, com o embrulho debaixo dos braços, percebeu tudo diferente. Manteve seu objetivo, colocou o belo relógio em forma de palhaço na parede do seu quarto, cheia de tantos outros relógios. A esposa não mais era pontual, assim como o filho. Ambos abusaram em quebrar as regras e o puseram ainda mais louco. Na hora do jantar, o menino ansioso por demonstrar sua rebeldia incentivada pela mãe, perguntou a ela:
— Quantos minutos faltam para há 7 horas, mamãe?
Ela sorrindo respondeu:
— Faltam ainda 15 ou 20... Talvez apenas 10, meu amor... Mas não precisamos esperar. Pode se servir!
Toni indignado olhou a esposa e o filho comerem feito porcos, desorganizados propositalmente na mesa, enquanto esperava boquiaberto as 7 horas chegar. Quando esta chegou, a comida estava fria, e ele cheio de ira, se levantou, se escovou e foi dormir, sem os sagrados 30 minutos de sexo.
Quando acordou pela manhã, notou a ausência do relógio em forma de palhaço. Olhou para os outros e boquiaberto, percebeu que estavam todos desajustados, alguns adiantados, outros atrasados...
Se desesperou! Gritou feito louco procurando pelo relógio em forma de palhaço... O encontrou jogado e todo quebrado, dentro do lixo:
— Eu fui desarrumar a hora e ele caiu no chão – Disse calma a esposa, enquanto bebia o café.
Toni endoidou. Olhou raivoso para a mulher sínica e perguntou em tom de indignação:
— Porque diabos desajustou todos os meus relógios?
Ela sorriu:
— Eu e o menino estávamos entediados. Desajustamos alguns, quebramos outros...
O relojoeiro em ira pura foi em direção a esposa e a enforcou com todas as suas forças... Ela desesperada perdendo o ar em seus braços fortes, nada conseguia dizer... De repente ele caiu em si, soltou a esposa e correu para o quarto, enquanto ela recuperava o ar.
No quarto, olhou para a maquiagem da mulher... Pensou no palhaço do relógio e se pintou tal qual ele. Deslumbrou-se insano em frente ao espelho e sorriu neurótico... Já não estava mais em seu juízo, se julgava o próprio palhaço e buscava vingança por ter sido quebrado.
Sim, essa é a grande desgraça. O relojoeiro organizado pintou-se de palhaço, passou no rosto o bastão colorido e sorriu maquiavélico, pronto para ousar, pronto para concertar as coisas.
Caminhou com passos curtos até a cozinha... Pegou o cutelo afiado e foi até a sala, onde a esposa ligava para a policia, denunciando a agressão cometida por ele minutos atrás.
O primeiro golpe lhe pegou no ombro... Ela em desespero largou o telefone e o encarou, enquanto o ombro decepado pendia para o lado. Toni sorria, como que seus dentes fossem números e sua língua um ponteiro. Sorria desgraçadamente, pondo mais medo ainda na mulher aflita. Ela gritava em desgraça, olhando para a cara pintada do marido. Não. Aquele não era mais ele... Aquele ser asqueroso e errante era Toni, o palhaço Insano. Sem piedade e motivado pelas próprias gargalhadas, o palhaço atingiu o crânio da mulher, arrancando um tampão da cabeça. Ela caiu tremula e agonizante no chão frio, babando sangue e medo, enquanto a morte a alcançava.
Ele se ajoelhou diante dela e aos risos e gargalhadas a cortou inúmeras vezes, até ver seus pedaços se espalharem nos ladrilhos da sala, lambuzando o palhaço em seu horrendo espetáculo.
O menino sujo adentrou na casa... O relojoeiro pintado lhe sorriu meticuloso e com o cutelo banhado de sangue, lhe perguntou em sarcasmo:
— Sabes que horas é agora, meu filho?
Quando a policia chegou, Toni estava trancado em seu quarto, concertando o relógio do palhaço quebrado. A esposa e o filho estavam despedaçados pela casa ensanguentada, com todos os relógios das paredes ajustados e funcionando em perfeita sincronia.
Dentro da prisão acolchoada o relojoeiro palhaço dormia, olhando do lado de fora o relógio em forma de palhaço enfeitar o corredor. Sorriu satisfeito e doentio com sua cara pintada, sorriu meticuloso e bobo, pois ali, tinha hora certa para comer, beber e dormir, sonhando o sonho bom com os relógios concertados de todas as torres do abismo de sua mente.
"E era sempre, Não foi por mal Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são"
O falso profeta
"Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de
ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por
seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas
daninhas? Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore
ruim dá frutos ruins. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a
árvore ruim pode dar frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos
é cortada e lançada ao fogo. Assim, pelos seus frutos vocês os
reconhecerão!", Mateus 7:15-20.
***
Havia um menino que tinha o sonho de ser um grande escritor ou melhor, um famoso escritor. Desde pequeno ele criava suas estórias e tentava de todas as formas mostrar para o maior número de pessoas possíveis aquilo que havia produzido. Um talento nascia, mas esse se perdera quando a criança passou a se preocupar mais com a quantidade do que com a qualidade.
O tempo passou e aquele sonho que era inocente, se transformou em uma doença sem cura, que carregava consigo grandes doses de ignorância e um falso orgulho, tudo por que o mundo não era tão fácil, tudo por que haviam outros com os mesmos planos ou outros que não tinham os mesmos interesses, mas acabavam cruzando a mesma estrada.
O jovem passou a ver a escrita como uma guerra, sem ao menos perceber que era possível decidir, entre seguir sozinho ou se envolver nos caminhos alheios.
Foi assim que os propósitos de escrita que o rapaz transmitia em seus primeiros textos se perderam, dando lugar ao amontoado de palavras que só expressavam sangue e pseudo-críticas, violência sem sentido e atos desumanos, que só agradavam desequilibrados. As obras eram resultados de uma mente fraca, por muitas vezes plagiadora e ainda imatura, que insistia em sobreviver e em escrever, cada vez mais e mais.
Mesmo com todos os obstáculos e com o pouco talento, o rapaz seguia escrevendo, pois essa era sua única saída. Era na escrita que criava suas aventuras, seus amigos e seus amores. Muitos podem dizer que não há problema nisso tudo, certo? Mas uma coisa é fato, não se pode viver entre o real e o ficcional, não se pode brincar de Deus e criar seu próprio mundo, a uma linha que separa o escritor de suas obras. O erro do jovem escritor foi apagar essa linha, tudo por que mesmo estando em meio a tantos familiares, ainda se sentia sozinho, como se carregasse consigo um fardo, uma avassaladora solidão.
O remédio foi a criação de falsos amigos e inimigos, deu para si mesmo o título de mestre, de líder. Enganou dezenas e manipulou centenas, tudo sem perceber que ainda era um eterno amador, bancando um Profeta do Macabro.
Passaram se anos até que o preço por todas as mentiras enfim ganhou lugar. E esse veio mascarado, transformado e materializado na figura de um terrível demônio. Um monstro negro, com mais de dois metros de altura e um par de olhos azuis que certa noite apareceu na frente da cama do escritor enquanto o mesmo dormia.
A besta se chamava Egoísmo e já estava faminta, por tantas falsas esperanças alimentadas durante anos.
Quando o escritor acordou, nem se deu conta de que tudo era verdade. Achou que aquele era mais um de seus pesadelos e até chegou a cogitar a ideia de aproveitar aquela situação no dia seguinte para escrever um conto. Mas não teve tempo para fazer isso, pois o monstro que lhe encarava avançou em sua direção. Subiu em cima de sua cama e lhe arrancou o coração.
No momento em que estavam cara a cara, o velho escritor fitou seu algoz e por alguns segundos; durante o tempo em que a vida ainda fazia parte de seu corpo; Viu na besta um menino, um garoto sonhador, mas que ao mesmo tempo carregava no olhar desprezo e decepção.
Então a dor atingiu seu ápice, um frio percorreu a espinha do velho prosador e depois, foi só escuridão para o falecido.
Levou mais uma semana para que um dos vizinhos invadissem a casa daquele estranho homem que se dizia escritor. Quando isso aconteceu, encontraram o velho, com seus cinquenta e quatro anos, deitado na cama, de olhos abertos, como se encarasse o infinito.
Um estranho fato chamou a atenção dos moradores do prédio, da residencia do defunto saia um forte cheiro de queimado, que contaminou todo o corredor durante uma semana. Nunca ninguém conseguiu explicar o ocorrido.
Após as autoridades serem chamadas, uma perícia aconteceu e o resultado dos médicos foi unanime. Lúcio Da Silva morrera devido a um ataque cardíaco. Mas mal sabiam os doutores, que a verdadeira causa do óbito era o Carma. As vezes as coisas demoram um pouco, mas como dizem os antigos, tudo que vai, volta...
FIM
***
Havia um menino que tinha o sonho de ser um grande escritor ou melhor, um famoso escritor. Desde pequeno ele criava suas estórias e tentava de todas as formas mostrar para o maior número de pessoas possíveis aquilo que havia produzido. Um talento nascia, mas esse se perdera quando a criança passou a se preocupar mais com a quantidade do que com a qualidade.
O tempo passou e aquele sonho que era inocente, se transformou em uma doença sem cura, que carregava consigo grandes doses de ignorância e um falso orgulho, tudo por que o mundo não era tão fácil, tudo por que haviam outros com os mesmos planos ou outros que não tinham os mesmos interesses, mas acabavam cruzando a mesma estrada.
O jovem passou a ver a escrita como uma guerra, sem ao menos perceber que era possível decidir, entre seguir sozinho ou se envolver nos caminhos alheios.
Foi assim que os propósitos de escrita que o rapaz transmitia em seus primeiros textos se perderam, dando lugar ao amontoado de palavras que só expressavam sangue e pseudo-críticas, violência sem sentido e atos desumanos, que só agradavam desequilibrados. As obras eram resultados de uma mente fraca, por muitas vezes plagiadora e ainda imatura, que insistia em sobreviver e em escrever, cada vez mais e mais.
Mesmo com todos os obstáculos e com o pouco talento, o rapaz seguia escrevendo, pois essa era sua única saída. Era na escrita que criava suas aventuras, seus amigos e seus amores. Muitos podem dizer que não há problema nisso tudo, certo? Mas uma coisa é fato, não se pode viver entre o real e o ficcional, não se pode brincar de Deus e criar seu próprio mundo, a uma linha que separa o escritor de suas obras. O erro do jovem escritor foi apagar essa linha, tudo por que mesmo estando em meio a tantos familiares, ainda se sentia sozinho, como se carregasse consigo um fardo, uma avassaladora solidão.
O remédio foi a criação de falsos amigos e inimigos, deu para si mesmo o título de mestre, de líder. Enganou dezenas e manipulou centenas, tudo sem perceber que ainda era um eterno amador, bancando um Profeta do Macabro.
Passaram se anos até que o preço por todas as mentiras enfim ganhou lugar. E esse veio mascarado, transformado e materializado na figura de um terrível demônio. Um monstro negro, com mais de dois metros de altura e um par de olhos azuis que certa noite apareceu na frente da cama do escritor enquanto o mesmo dormia.
A besta se chamava Egoísmo e já estava faminta, por tantas falsas esperanças alimentadas durante anos.
Quando o escritor acordou, nem se deu conta de que tudo era verdade. Achou que aquele era mais um de seus pesadelos e até chegou a cogitar a ideia de aproveitar aquela situação no dia seguinte para escrever um conto. Mas não teve tempo para fazer isso, pois o monstro que lhe encarava avançou em sua direção. Subiu em cima de sua cama e lhe arrancou o coração.
No momento em que estavam cara a cara, o velho escritor fitou seu algoz e por alguns segundos; durante o tempo em que a vida ainda fazia parte de seu corpo; Viu na besta um menino, um garoto sonhador, mas que ao mesmo tempo carregava no olhar desprezo e decepção.
Então a dor atingiu seu ápice, um frio percorreu a espinha do velho prosador e depois, foi só escuridão para o falecido.
Levou mais uma semana para que um dos vizinhos invadissem a casa daquele estranho homem que se dizia escritor. Quando isso aconteceu, encontraram o velho, com seus cinquenta e quatro anos, deitado na cama, de olhos abertos, como se encarasse o infinito.
Um estranho fato chamou a atenção dos moradores do prédio, da residencia do defunto saia um forte cheiro de queimado, que contaminou todo o corredor durante uma semana. Nunca ninguém conseguiu explicar o ocorrido.
Após as autoridades serem chamadas, uma perícia aconteceu e o resultado dos médicos foi unanime. Lúcio Da Silva morrera devido a um ataque cardíaco. Mas mal sabiam os doutores, que a verdadeira causa do óbito era o Carma. As vezes as coisas demoram um pouco, mas como dizem os antigos, tudo que vai, volta...
FIM
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