Sempre fui um menino tímido, nunca tive amigos, eu era o nerd feioso da
escola, todos me chamavam de esquisito. Eu tinha 12 anos quando a vi
pela primeira vez, ela tinha acabado de se mudar para rua onde eu
morava, como ela era linda estava toda sorridente, lembro como se fosse
hoje ela estava com um vestido branco, cabelo solto, parecia um anjo me
apaixonei de primeira, queria aquele anjo.
Ela foi estudar na
mesma escola que a minha, ela era uma serie mas nova, nunca tive coragem
de falar com ela, logo ela se tornou muito popular da escola, todos a
queriam e aquilo que deixava cheio de ódio, e assim o tempo foi passando
e eu fiz de tudo para tirar os obstáculos da minha frente, o meu amor
so fazia aumentar, isso me consumia queria saber onde e com quem ela
estava, muitas vezes a seguia como eu queria ser o dono daquele sorriso,
quando a vi com um namorado, quase morri de ciúmes, era como se uma
faca entrasse no meu coração, ela não podia ficar com ele, ela era
minha... Dei um jeito do cara sumir e aparecer em uma vala qualquer.
Quando ela tinha 21 anos seus pais morreram em um acidente de carros,
os freios não funcionaram eles bateram com toda velocidade em um poste
tiveram morte instantânea. Fui ao velório presta minhas condolência,
quando a abracei me sentir no céu, ela agora estava só, eu ja tinha um
jeito de ter aquela mulher só pra mim.
Como agora ela morava só
quando ela saiu para trabalhar invadir sua casa, e instalei varias
câmeras, comecei a vigia-la dia e noite, a primeira vez que a vi nua
tomando banho quase enlouqueço de desejo. Comecei a mandar flores,
bombons,vinhos, sexta de café da manha tudo para ela como um admirador
segredo. Estava na hora de colocar a segunda parte do meu plano em
pratica.
Certo dia lhe mandei uma caixa de bombom, mas eles
estavam com muito soníferos, fiquei olhando pela câmera enquanto ela
comia os bombons, e caiu no sono ali no sofá assistindo TV. Eu entrei na
casa dela a levei para cama como ela era linda, ela foi minha a noite
toda, pena que estava dormindo mas isso não tinha importância, ela foi
só minha fiz tudo que sempre desejei fazer com ela. Repetir essa noite
varias vezes. Quando ela arrumou outro namorado, lhe enviei fotos dela
nua ele acabou com ela dizendo que ela era uma vagabunda, ela nem
entendeu o porque. Resolvi que já estava na hora dela saber o que
acontecia quase toda as noite, lhe envie um DVD, vi sua cara de horror
assistindo vendo as imagens das nossas noites de amor, ela chorava
talvez fosse de felicidade, quando ela levantou e pegou o telefone
provavelmente para ligar para a policia, eu estava ali o tempo todo lhe
apliquei um remédio que paralisar o corpo mas deixa a pessoa consciente
de tudo que acontece ao seu redor, eu a possuir ali mesmo no chão da
sala, ela me olhava com aqueles olhos aterrorizado, mas isso não me
incomodou ela foi minha e agora sabia disso.
Depois daquela noite
me mudei da cidade e ela foi comigo, sei que contra a vontade. eu a
trato como rainha, sei que ela não pode se mexer, nem falar mas seus
olhos falavam tudo. Faço tudo por ela dou banho, penteio seu cabelo, a
levo para passear e tomar banho de sol sempre empurrando cuidadosamente
sua cadeira de rodas, todos me acham um marido exemplar, que não
abandonou sua esposa, que cuidava dela com carinho, se eles soubessem o
que eu fiz para ter aquela mulher, se soubessem ler aqueles olhos
saberiam o horror que ela estava passando, o pedido de socorro
silencioso. Mas agora ela era minha para sempre.
sábado, 7 de dezembro de 2013
Fulano, que matou beltrano, que enganou sicrano
O marido acordou.
Espreguiçou-se e olho pela janela. Achou o dia bonito, e de lambuja, se
achou bonito também. Bocejou mais uma vez, lavou o rosto na suíte, e
depois, ajeitou de leve o lençol sobre a cama dele e de sua esposa.
A esposa já havia acordado antes. Estava na cozinha e também estava sorridente. Assoviava alguma música animada, porém indistinguível, provavelmente estava criando na hora. Estava sem pressa alguma de ir para o trabalho. Fazia o café da manhã com capricho. O leite fervia, e o pão torrava no forninho ao lado da pia. Abriu a geladeira e procurou por frutas, achou duas maçãs e um cacho de uva verde. Pegou as uvas, mordeu uma das maçãs, e ao fechar a porta da geladeira, passou um pano de prato sobre o pinguim que a enfeitava. Esperava apenas seu marido descer para tomar café, e seu filho de quinze anos vir se despedir antes de ir para a escola.
O filho terminava de pentear os cabelos. Uma nova espinha nascera sobre seu nariz, porém ele não ligou! Na parede a qual sua cama se apoiava, fitou rapidamente o enorme pôster que sua mãe mandara fazer em uma gráfica no centro da cidade. Na foto, sua família sorria para a câmera. Uma foto tirada num Lambe-lambe, em pleno jardim do Méier. Era a última lembrança que tinha de sair com os pais. Pegou um pacote de papel pardo dentro de uma de suas gavetas na cômoda, vieram dois em sua mão, porém ele ficou com apenas um, e o outro ele escondeu colocando suas cuecas por cima. Fungou o nariz perto do envelope, sorriu de leve, apenas com o canto da boca, e, antes que esquecesse, desconectou seu Facebook, e pegou seu celular quase escondido dentre os lençóis de sua cama. Não estava com mínima pressa de ir para a escola.
O marido então desceu animado. Estava bem vestido e cheiroso. Seu cabelo estava graciosamente penteado, e sua gravata dava-lhe um ar de magnata. Ao chegar na cozinha, respirou fundo, e pode sentir o cheiro do café recém preparado. Deu um leve tapa na bunda da esposa, e sentou-se abrindo o jornal que já o aguardava ao lado da bandeja de pães. Sentiu seu celular vibrar no bolso da calça, mas preferiu ignorar naquele momento.
O filho também chegou à cozinha animado, mas não queria tomar café. Apenas beijou sua mãe, deu um leve tapa nos ombros de seu pai, que lhe retribuiu com um sorriso forçado, enquanto continuava com os olhos nas noticias do jornal. O menino roubou um pão da bandeja, e na tentativa de desviar de seu pai, que já tentava lhe segurar, deixou seu envelope cair no chão. Abaixou-se imediatamente, e demorou um pouco para se levantar. Estava pegando a carteira do pai, queria dinheiro.
A esposa nesse momento, aproveitou a distração de ambos, e de dentro do bolsinho secreto de seu avental, retirou um pequeno frasco enrolado em uma receita. Abriu o frasco devagar, e pegou algumas bolinhas pretas, menores que um caroço de uva, e despejou em duas xícaras de café. Rapidamente, abriu a receita, e analisou a foto 3X4 que estava anexada a ela. A foto de um doutor moreno, com um olhar jovial, e com bocas carnudas que a fizera suspirar semanas antes. Rapidamente, mexeu nas duas xícaras com a colher e deixou sobre a mesa.
O filho nesse instante foi que se levantou do chão com seu envelope são e salvo. Deu outro tapinha na nuca do pai, e se preparou para sair, mas sua mãe o abraçou forte e pediu para que ele pelo menos bebesse um gole de café, pois sair com estomago vazio poderia desenvolver uma gastrite. Ele não quis, mas ela insistiu um pouco mais, e com um olhar meigo que partiu o coração do jovem. Ele então, bebeu um pouco, mas não tudo, e pousou a xícara sobre a pia.
O marido, aproveitando a distração dos dois, pegou o telefone e conferiu quem havia lhe ligado minutos antes. Levou um susto tão grande, que chegou a cadeira para trás e quase caiu. Sua esposa e filho imediatamente viraram a cabeça assustados. O marido então disse que fora uma barata que o assustara, e bebeu o café na xícara quase todo. Os dois riram do susto dele. O filho o chamou de frouxo. E o marido, bem, ele teve a impressão de que o susto o deixara sonolento.
A esposa começou a sentir que os olhos de seu filho estavam caídos. De repente, sua fisionomia alegre se converteu em cansaço. De repente, a cabeça de seu marido caiu sobre a mesa como uma pedra inanimada, e imediatamente um filete de sangue foi seguindo em direção a beirada da mesa, pingando em velocidade de conta-gotas no chão de azulejos.
O filho também caiu. Aos poucos ela foi soltando o corpo morto do jovem, e ele se esparramou pela cozinha, colocando espuma pela boca. Ela pegou o envelope e estranhou ter o nome do marido nele com as iniciais de uma facção criminosa carioca. Ela abriu o envelope, ela retirou o pequeno saco plástico transparente de dentro do envelope, e analisou o pó branco que continha nesse saco. Grampeado ao saco, havia um bilhete dobrado.
O marido parecia estar devendo dinheiro a alguns traficantes, e ia pagar com drogas. Ela soltou o envelope, espalhando o pó pelo chão da cozinha, e caindo boa parte sobre o corpo do filho que ela havia acabado de matar. Ouviu um zumbido, foi se aproximando do marido e notou que seu celular, sempre no silencioso, vibrava naquele instante, uma mensagem de texto acabava de chegar e, ao abri-la para ler, a esposa levou um susto. “ESTAMOS NA SUA PORTA, VAMOS MATAR VOCÊS TODOS, CALOTEIRO!”...
O assassino entrou na cozinha chutando a porta, e ao ver a esposa ali de pé, amedrontada, atirou sem pensar, bem no meio de sua testa. Ela deu um impulso para trás com a força do tiro, e caiu sobre a mesa onde antes, seu marido estava. O assassino chutou o corpo do menino, cuspiu no corpo de seu pai, e deu outro tiro na cabeça da esposa. Sabia que aquela família vivia de fachada. Mas não entendera porque o menino já estava morto, assim como o cara que lhe devia dinheiro. Ele nunca saberia que a mulher matara os dois, para pegar dinheiro do seguro e fugir com seu psicólogo. Não sabia que o menino apenas tentava ajudar o pai, e ia naquele momento entregar a cocaína aos bandidos, para salvar a vida da família, e com o dinheiro roubado do pai, iria num puteiro. Após isso, apenas bebeu uma xícara de café quase cheia sobre a pia, para minutos depois, notar que estava com sono.
O assassino pensou que devia dormir mais e trabalhar menos, pra evitar aquele súbito cansaço.
A esposa já havia acordado antes. Estava na cozinha e também estava sorridente. Assoviava alguma música animada, porém indistinguível, provavelmente estava criando na hora. Estava sem pressa alguma de ir para o trabalho. Fazia o café da manhã com capricho. O leite fervia, e o pão torrava no forninho ao lado da pia. Abriu a geladeira e procurou por frutas, achou duas maçãs e um cacho de uva verde. Pegou as uvas, mordeu uma das maçãs, e ao fechar a porta da geladeira, passou um pano de prato sobre o pinguim que a enfeitava. Esperava apenas seu marido descer para tomar café, e seu filho de quinze anos vir se despedir antes de ir para a escola.
O filho terminava de pentear os cabelos. Uma nova espinha nascera sobre seu nariz, porém ele não ligou! Na parede a qual sua cama se apoiava, fitou rapidamente o enorme pôster que sua mãe mandara fazer em uma gráfica no centro da cidade. Na foto, sua família sorria para a câmera. Uma foto tirada num Lambe-lambe, em pleno jardim do Méier. Era a última lembrança que tinha de sair com os pais. Pegou um pacote de papel pardo dentro de uma de suas gavetas na cômoda, vieram dois em sua mão, porém ele ficou com apenas um, e o outro ele escondeu colocando suas cuecas por cima. Fungou o nariz perto do envelope, sorriu de leve, apenas com o canto da boca, e, antes que esquecesse, desconectou seu Facebook, e pegou seu celular quase escondido dentre os lençóis de sua cama. Não estava com mínima pressa de ir para a escola.
O marido então desceu animado. Estava bem vestido e cheiroso. Seu cabelo estava graciosamente penteado, e sua gravata dava-lhe um ar de magnata. Ao chegar na cozinha, respirou fundo, e pode sentir o cheiro do café recém preparado. Deu um leve tapa na bunda da esposa, e sentou-se abrindo o jornal que já o aguardava ao lado da bandeja de pães. Sentiu seu celular vibrar no bolso da calça, mas preferiu ignorar naquele momento.
O filho também chegou à cozinha animado, mas não queria tomar café. Apenas beijou sua mãe, deu um leve tapa nos ombros de seu pai, que lhe retribuiu com um sorriso forçado, enquanto continuava com os olhos nas noticias do jornal. O menino roubou um pão da bandeja, e na tentativa de desviar de seu pai, que já tentava lhe segurar, deixou seu envelope cair no chão. Abaixou-se imediatamente, e demorou um pouco para se levantar. Estava pegando a carteira do pai, queria dinheiro.
A esposa nesse momento, aproveitou a distração de ambos, e de dentro do bolsinho secreto de seu avental, retirou um pequeno frasco enrolado em uma receita. Abriu o frasco devagar, e pegou algumas bolinhas pretas, menores que um caroço de uva, e despejou em duas xícaras de café. Rapidamente, abriu a receita, e analisou a foto 3X4 que estava anexada a ela. A foto de um doutor moreno, com um olhar jovial, e com bocas carnudas que a fizera suspirar semanas antes. Rapidamente, mexeu nas duas xícaras com a colher e deixou sobre a mesa.
O filho nesse instante foi que se levantou do chão com seu envelope são e salvo. Deu outro tapinha na nuca do pai, e se preparou para sair, mas sua mãe o abraçou forte e pediu para que ele pelo menos bebesse um gole de café, pois sair com estomago vazio poderia desenvolver uma gastrite. Ele não quis, mas ela insistiu um pouco mais, e com um olhar meigo que partiu o coração do jovem. Ele então, bebeu um pouco, mas não tudo, e pousou a xícara sobre a pia.
O marido, aproveitando a distração dos dois, pegou o telefone e conferiu quem havia lhe ligado minutos antes. Levou um susto tão grande, que chegou a cadeira para trás e quase caiu. Sua esposa e filho imediatamente viraram a cabeça assustados. O marido então disse que fora uma barata que o assustara, e bebeu o café na xícara quase todo. Os dois riram do susto dele. O filho o chamou de frouxo. E o marido, bem, ele teve a impressão de que o susto o deixara sonolento.
A esposa começou a sentir que os olhos de seu filho estavam caídos. De repente, sua fisionomia alegre se converteu em cansaço. De repente, a cabeça de seu marido caiu sobre a mesa como uma pedra inanimada, e imediatamente um filete de sangue foi seguindo em direção a beirada da mesa, pingando em velocidade de conta-gotas no chão de azulejos.
O filho também caiu. Aos poucos ela foi soltando o corpo morto do jovem, e ele se esparramou pela cozinha, colocando espuma pela boca. Ela pegou o envelope e estranhou ter o nome do marido nele com as iniciais de uma facção criminosa carioca. Ela abriu o envelope, ela retirou o pequeno saco plástico transparente de dentro do envelope, e analisou o pó branco que continha nesse saco. Grampeado ao saco, havia um bilhete dobrado.
O marido parecia estar devendo dinheiro a alguns traficantes, e ia pagar com drogas. Ela soltou o envelope, espalhando o pó pelo chão da cozinha, e caindo boa parte sobre o corpo do filho que ela havia acabado de matar. Ouviu um zumbido, foi se aproximando do marido e notou que seu celular, sempre no silencioso, vibrava naquele instante, uma mensagem de texto acabava de chegar e, ao abri-la para ler, a esposa levou um susto. “ESTAMOS NA SUA PORTA, VAMOS MATAR VOCÊS TODOS, CALOTEIRO!”...
O assassino entrou na cozinha chutando a porta, e ao ver a esposa ali de pé, amedrontada, atirou sem pensar, bem no meio de sua testa. Ela deu um impulso para trás com a força do tiro, e caiu sobre a mesa onde antes, seu marido estava. O assassino chutou o corpo do menino, cuspiu no corpo de seu pai, e deu outro tiro na cabeça da esposa. Sabia que aquela família vivia de fachada. Mas não entendera porque o menino já estava morto, assim como o cara que lhe devia dinheiro. Ele nunca saberia que a mulher matara os dois, para pegar dinheiro do seguro e fugir com seu psicólogo. Não sabia que o menino apenas tentava ajudar o pai, e ia naquele momento entregar a cocaína aos bandidos, para salvar a vida da família, e com o dinheiro roubado do pai, iria num puteiro. Após isso, apenas bebeu uma xícara de café quase cheia sobre a pia, para minutos depois, notar que estava com sono.
O assassino pensou que devia dormir mais e trabalhar menos, pra evitar aquele súbito cansaço.
FIM
O ser mais apavorante da terra
No dia 28 de outubro de 1956, eis que surge, na atmosfera terrestre, um
estranho corpo, que a atravessa a toda velocidade em direção à
superfície do planeta. E o corpo não-identificado encontra a superfície
do planeta no oeste do Canadá, nas proximidades de Vancouver.
Cientistas do mundo inteiro partiram para o Canadá no mesmo dia. Queriam investigar a todo custo aquele estranho objeto não-identificado – principalmente quando saiu a notícia de que havia um ser vivo em seu interior.
A notícia de que um ser extraterrestre caiu na superfície do planeta tomou conta dos noticiários durante as semanas seguintes. Todo o mundo queria saber sobre o extraterrestre que caiu na superfície terrestre, se era hostil ou não, se viria outros ou não; em suma, queriam saber o futuro da Terra após a vinda daquele extraterrestre.
Repentinamente, eis que, no dia 5 de dezembro daquele mesmo ano, a notícia bombástica da chegada de extraterrestres no planeta simplesmente desapareceu. Ninguém mais comentava sobre o assunto – era como se o extraterrestre nunca tivesse chegado ao planeta. Os mais revoltados diziam ser conspiração comunista, ou que a chegada de extraterrestre era invenção do governo para atrair mais simpatizantes.
Foi feito diversas investigações com o intuito de descobrir a verdade por trás do estranho desaparecimento do extraterrestre – nenhuma delas oficial. Vários centros de pesquisa colocaram espiões infiltrados no Canadá com a missão de descobrir o paradeiro do objeto não-identificado ou do ET. Entretanto, parecia que o governo de nenhum país queria saber de a verdade chegar a público – qualquer pessoa que fosse descoberta como espião era presa onde se encontrava; igualmente eram presas as pessoas que queriam investigar o paradeiro do ET.
Todavia, mesmo com o governo de todos os países atrapalhando as investigações, havia conseguido descobrir duas coisas: 1) o extraterrestre ainda existia, e se encontrava escondido em uma caverna obscura no norte do Canadá, numa região de difícil acesso e geladíssima; 2) o rosto do extraterrestre era o rosto do ser mais apavorante da Terra e, por essa razão, sua existência deveria ser apagada do planeta, para não amedrontar a população.
A notícia – obviamente dada de forma informal – de que o rosto do extraterrestre era o rosto do ser mais apavorante da Terra surpreendeu a todos. Qual seria o ser mais apavorante da Terra? Seria um búfalo, um tubarão?, alguns pensaram. Outros, mais religiosos, acreditavam ser o rosto do Diabo – afinal, não haveria ser mais apavorante na Terra do que aquele que era contrário a Deus, pensavam tais pessoas.
E assim ficou durante anos. O governo nada dizia a respeito e as pessoas especulavam sobre qual seria o rosto do extraterrestre. Entretanto, a história do extraterrestre de 1956 começou a desaparecer da população. Outras notícias – como os “bebês da talidomida” ou a Copa do Mundo da Suécia – começaram a aparecer na mídia em 1958, fazendo todos se esquecerem do extraterrestre de 1956.
Contudo, em 2006, eis que um ufólogo alemão, de nome Hans Kücher, ao estudar sobre casos da ufologia sem solução, descobriu sobre o extraterrestre de 1956. Ficando curioso – como todo o mundo – sobre o rosto do ET, começou uma longa pesquisa com o intuito de descobrir o paradeiro do extraterrestre. Segundo constava nas informações, o referido ET se encontrava em uma caverna gelada no norte do Canadá. Estava ali enterrado, para desaparecer da mente das pessoas.
Kücher começou, junto com outros ufólogos do seu centro de pesquisas, uma longa peregrinação em busca da tal caverna gelada no norte do Canadá. Entretanto, para seu desagrado, eis que tal fato caiu no noticiário, chegando ao ouvido da população como “A missão que desenterrará o extraterrestre de 1956 do imaginário popular”. A notícia de que Kücher e seu grupo iria finalmente descobrir as verdades sobre o extraterrestre de 1956 chamou a atenção da mídia do mundo inteiro. E, ao ouvir falar da lenda que encobre o rosto do referido ET, a população foi atraída novamente, como em 1956.
Entretanto, dessa vez, como não tinham o temor dos governantes de 1956, o governo do mundo inteiro ajudou Kücher e seu grupo a investigar sobre o extraterrestre, principalmente porque a maioria dos governantes havia nascido na época dos fatos e, como membros da sociedade da época, se encontrava curioso em descobrir a verdade sobre o ET.
Kücher e seu grupo chegaram ao Canadá em fevereiro em 2008 e, com a ajuda do governo canadense, partiram em direção às cavernas do norte do país, em direção à verdade sobre o extraterrestre de 1956. A mídia do mundo inteiro se encontrava atrás do grupo de Kücher, a fim de cobrir seus atos – e, de quebra, televisionar para o mundo inteiro, a verdade sobre o rosto do ET.
A notícia enchia os jornais, TVs e redes sociais do mundo inteiro como encheu os jornais e TVs em 1956. Os olhos da população se encontravam, após cinco décadas, novamente em direção ao extraterrestre.
Após semanas cortando o deserto gelado do norte do Canadá, eis que Kücher e seu grupo finalmente chegam à entrada da caverna de gelo onde o ET se encontrava. A apreensão do mundo inteiro era gigante – afinal, todos, dos que vivenciaram os fatos de 1956 aos que ouviram falar do extraterrestre agora, em 2008, queriam saber sobre o extraterrestre, principalmente qual era a verdade sobre o seu rosto, que o obrigou a ser escondido em uma caverna no norte do Canadá durante mais de cinco décadas, sem a população do mundo inteiro poder ficar sabendo.
Kücher adentrou no interior da caverna gelada, junto de seu grupo, e caminhou por ela até chegar em uma espécie de galeria, onde se encontrava o extraterrestre – congelado. Não havia outras pessoas no local, tampouco seguranças, pois, com o passar dos anos, o governo do Canadá – assim como o governo do restante do mundo – passou a esquecer-se sobre a rígida precaução dos governantes de 1956.
Kücher foi o primeiro a chegar ao lado do extraterrestre, congelado sobre uma mesa, aparentemente de cirurgia. Tinha o corpo verde, esquelético e o rosto tampado por um pano – um pano que tampava a verdade do mundo.
Naquele instante, a apreensão do mundo interior era tamanha. Todos queriam saber qual era o ser mais apavorante da Terra, da qual o extraterrestre detinha uma cópia de seu rosto. Em diversos lugares do mundo, houve aposta. Estava em primeiro lugar – como nas igrejas de todas, ou praticamente todas, as crenças – que o extraterrestre tinha a face do Diabo. Os olhos do mundo estavam virados em direção a Kücher e o extraterrestre de 1956. Este retirou o pano, sob os olhos afoitos da mídia que se encontrava ao seu lado. Retirou o pano. Repentinamente, o choque, de todos – não só dos presentes, mas provavelmente de todos que acompanhavam o desfecho da aventura de Kücher. O rosto do extraterrestre era a fiel cópia do rosto de um ser humano!
Cientistas do mundo inteiro partiram para o Canadá no mesmo dia. Queriam investigar a todo custo aquele estranho objeto não-identificado – principalmente quando saiu a notícia de que havia um ser vivo em seu interior.
A notícia de que um ser extraterrestre caiu na superfície do planeta tomou conta dos noticiários durante as semanas seguintes. Todo o mundo queria saber sobre o extraterrestre que caiu na superfície terrestre, se era hostil ou não, se viria outros ou não; em suma, queriam saber o futuro da Terra após a vinda daquele extraterrestre.
Repentinamente, eis que, no dia 5 de dezembro daquele mesmo ano, a notícia bombástica da chegada de extraterrestres no planeta simplesmente desapareceu. Ninguém mais comentava sobre o assunto – era como se o extraterrestre nunca tivesse chegado ao planeta. Os mais revoltados diziam ser conspiração comunista, ou que a chegada de extraterrestre era invenção do governo para atrair mais simpatizantes.
Foi feito diversas investigações com o intuito de descobrir a verdade por trás do estranho desaparecimento do extraterrestre – nenhuma delas oficial. Vários centros de pesquisa colocaram espiões infiltrados no Canadá com a missão de descobrir o paradeiro do objeto não-identificado ou do ET. Entretanto, parecia que o governo de nenhum país queria saber de a verdade chegar a público – qualquer pessoa que fosse descoberta como espião era presa onde se encontrava; igualmente eram presas as pessoas que queriam investigar o paradeiro do ET.
Todavia, mesmo com o governo de todos os países atrapalhando as investigações, havia conseguido descobrir duas coisas: 1) o extraterrestre ainda existia, e se encontrava escondido em uma caverna obscura no norte do Canadá, numa região de difícil acesso e geladíssima; 2) o rosto do extraterrestre era o rosto do ser mais apavorante da Terra e, por essa razão, sua existência deveria ser apagada do planeta, para não amedrontar a população.
A notícia – obviamente dada de forma informal – de que o rosto do extraterrestre era o rosto do ser mais apavorante da Terra surpreendeu a todos. Qual seria o ser mais apavorante da Terra? Seria um búfalo, um tubarão?, alguns pensaram. Outros, mais religiosos, acreditavam ser o rosto do Diabo – afinal, não haveria ser mais apavorante na Terra do que aquele que era contrário a Deus, pensavam tais pessoas.
E assim ficou durante anos. O governo nada dizia a respeito e as pessoas especulavam sobre qual seria o rosto do extraterrestre. Entretanto, a história do extraterrestre de 1956 começou a desaparecer da população. Outras notícias – como os “bebês da talidomida” ou a Copa do Mundo da Suécia – começaram a aparecer na mídia em 1958, fazendo todos se esquecerem do extraterrestre de 1956.
Contudo, em 2006, eis que um ufólogo alemão, de nome Hans Kücher, ao estudar sobre casos da ufologia sem solução, descobriu sobre o extraterrestre de 1956. Ficando curioso – como todo o mundo – sobre o rosto do ET, começou uma longa pesquisa com o intuito de descobrir o paradeiro do extraterrestre. Segundo constava nas informações, o referido ET se encontrava em uma caverna gelada no norte do Canadá. Estava ali enterrado, para desaparecer da mente das pessoas.
Kücher começou, junto com outros ufólogos do seu centro de pesquisas, uma longa peregrinação em busca da tal caverna gelada no norte do Canadá. Entretanto, para seu desagrado, eis que tal fato caiu no noticiário, chegando ao ouvido da população como “A missão que desenterrará o extraterrestre de 1956 do imaginário popular”. A notícia de que Kücher e seu grupo iria finalmente descobrir as verdades sobre o extraterrestre de 1956 chamou a atenção da mídia do mundo inteiro. E, ao ouvir falar da lenda que encobre o rosto do referido ET, a população foi atraída novamente, como em 1956.
Entretanto, dessa vez, como não tinham o temor dos governantes de 1956, o governo do mundo inteiro ajudou Kücher e seu grupo a investigar sobre o extraterrestre, principalmente porque a maioria dos governantes havia nascido na época dos fatos e, como membros da sociedade da época, se encontrava curioso em descobrir a verdade sobre o ET.
Kücher e seu grupo chegaram ao Canadá em fevereiro em 2008 e, com a ajuda do governo canadense, partiram em direção às cavernas do norte do país, em direção à verdade sobre o extraterrestre de 1956. A mídia do mundo inteiro se encontrava atrás do grupo de Kücher, a fim de cobrir seus atos – e, de quebra, televisionar para o mundo inteiro, a verdade sobre o rosto do ET.
A notícia enchia os jornais, TVs e redes sociais do mundo inteiro como encheu os jornais e TVs em 1956. Os olhos da população se encontravam, após cinco décadas, novamente em direção ao extraterrestre.
Após semanas cortando o deserto gelado do norte do Canadá, eis que Kücher e seu grupo finalmente chegam à entrada da caverna de gelo onde o ET se encontrava. A apreensão do mundo inteiro era gigante – afinal, todos, dos que vivenciaram os fatos de 1956 aos que ouviram falar do extraterrestre agora, em 2008, queriam saber sobre o extraterrestre, principalmente qual era a verdade sobre o seu rosto, que o obrigou a ser escondido em uma caverna no norte do Canadá durante mais de cinco décadas, sem a população do mundo inteiro poder ficar sabendo.
Kücher adentrou no interior da caverna gelada, junto de seu grupo, e caminhou por ela até chegar em uma espécie de galeria, onde se encontrava o extraterrestre – congelado. Não havia outras pessoas no local, tampouco seguranças, pois, com o passar dos anos, o governo do Canadá – assim como o governo do restante do mundo – passou a esquecer-se sobre a rígida precaução dos governantes de 1956.
Kücher foi o primeiro a chegar ao lado do extraterrestre, congelado sobre uma mesa, aparentemente de cirurgia. Tinha o corpo verde, esquelético e o rosto tampado por um pano – um pano que tampava a verdade do mundo.
Naquele instante, a apreensão do mundo interior era tamanha. Todos queriam saber qual era o ser mais apavorante da Terra, da qual o extraterrestre detinha uma cópia de seu rosto. Em diversos lugares do mundo, houve aposta. Estava em primeiro lugar – como nas igrejas de todas, ou praticamente todas, as crenças – que o extraterrestre tinha a face do Diabo. Os olhos do mundo estavam virados em direção a Kücher e o extraterrestre de 1956. Este retirou o pano, sob os olhos afoitos da mídia que se encontrava ao seu lado. Retirou o pano. Repentinamente, o choque, de todos – não só dos presentes, mas provavelmente de todos que acompanhavam o desfecho da aventura de Kücher. O rosto do extraterrestre era a fiel cópia do rosto de um ser humano!
O príncipe das trevas
Antes de dar o texto por encerrado, tecnicamente falando, ele reparou na hora. Passava das 02H00 da madrugada e estava quente, o ar carregado e estático mostrava a impressão de estar dentro de um forno. Era o pior tipo de ar que ele não gostaria de sentir, o corpo suado, como se tivesse viajando entre colunas de fogo até o inferno. Ivan adorava ler livros de ocultismo e terror, sentia necessidade de se alimentar de histórias de satanismo, vampirismo e canibalismo. Atraído por ciências ocultas, considerava-se o mestre na arte de escrever. Imaginava cenários, inventava personagens, convivia com vampiros e demônios o tempo todo. Na construção da criação textual via-se dentro da história que fantasiava. Um dia sonhou ter descoberto o Portal do Inferno, que se abriu como duas línguas de fogo. A cada conto de terror que ele postava no Site de Escritores, inconscientemente sentia-se o mensageiro do diabo. Nos comentários que lia elogiando seus contos descobria ter extraído a essência do lado negro de leitores adoradores de satã. Obturado pela soberba, Ivan queria mais, novos contos de terror brotavam no lado negro da sua mente maligna que só enxergava o mal, o sangue era jorrado como uma fonte inesgotável que lhe dava prazer. Havia momentos que parecia ser um deus. Regozijava-se, nunca lhe faltou inspiração, assunto e emoção. Ele queria atingir a plenitude da existência humana explorando a base da escrita na viagem fronteiriça entre a vida e a morte. Ele releu mais uma vez a sua criação. Outra obra lançada aos famintos: O PRÍNCIPE DAS TREVAS QUER A TUA ALMA.
Ivan
abriu o site, deu alguns retoques e postou. Tinha certeza que
apreciadores do terror aguardavam ansiosos algo diabólico para atingirem
o êxtase do mal. Minutos depois leu o obscuro comentário achando
diferente de todos os que havia lido até aquele dia:
_ "Eu, o anjo rebelde expulso do céu e precipitado no inferno vos saúdo meu caro neófito, gosto do teu jeito atroz, funestamente inspirado em mim, do modo que te expressas, quando escreves e manténs atitudes de quem se julga superior e faz alardes das tuas qualidades e proezas com os demônios em volta de ti, não sintas jactação por que a cada conto de terror que escreves eu sempre estou contigo, eu contigo me deito, contigo acordo por que teu templo é o meu templo. Todas as vezes que pensas em satanismo eu estou contigo, quando imaginas uma história de vampirismo eu sou o sangue, quando fantasias o canibalismo me faço carne.Tu te dedicas e me atrai para ti todo tempo por que não sabes viver longe da minha presença. Tens prestado bons serviços, mas ainda é pouco. Tens se portado como teórico de pensamentos malignos, em breve conhecerás o outro lado da moeda, o que pensas e rabiscas se tornará real na tua curta passagem por este mundo. O texto que escrevestes terá admiração de alguns e repulsa de outros, os aficionados hão de comentar querendo ensinar-te o caminho que deves seguir. Mas não temas, por que muitos brincam de ser diabo sem sê-lo, esses utopistas aventureiros buscam abrigo no tédio da ignorância e se perdem na obscuridade das próprias almas. Desconhecem o que é inferno, sentem-se deuses nas palavras que rabiscam. E como o universo quer se mostrar, eles falam do universo que não conseguem discernir. Tens muito o que buscar aluno. Mas O Portal do Inferno te foi aberto, expandida será a tua sapiência, eu tomarei a tua mente, viajarás no tempo, conhecerás lugares aos quais nunca imaginastes, tens sido meu servo até agora, ordeno que continues explorando o insondado dom que me aprouve te conceder. Em breve, muito em breve nos encontraremos, me aguarde, ass. O Príncipe"
Ivan
ficou imóvel ao terminar a leitura, não era esse o comentário que
queria ler. Foi um choque brutal, uma sensação que nunca havia sentido
na vida. Tentou recompor-se. Necessitava sair dali, manter a
serenidade. Precisava sair da Internet, desligar o PC. Ao fazer os
procedimentos notou que estava sendo observado pelo silêncio da noite.
Reparou o suor frio escorrer pelo corpo, o calor anunciando o ambiente tenebroso. A máquina desligada, na tela do monitor insistia a fatídica mensagem : "Em breve, muito em breve nos encontraremos, me aguarde."
Ele foi até a copa matar a sede, na porta da geladeira o pedaço de papel preso no imã, o recado em vermelho: "Em breve, muito em breve nos encontraremos, me aguarde." Ivan
percebeu que foi longe demais, mas era tarde, não tinha saída. Ele
estava temeroso, precisava respirar o ar da madrugada triste, lúgubre,
pegou as chaves do carro e a sensação sombria rondava a sua alma,
parecia o fim do caminho, sentia o gosto amargo na boca, angústia. Ligou
o carro acionou o controle e o portão se abriu. Viu o negrume do ritual
da dança da noite com as sombras do passado de horror. Envolto em
pensamentos se assustou quando alguém bateu no vidro do carona. Seu
coração disparou, o mistério nefasto era associado aos seus soluços
incontidos. O estranho com roupa negra lhe fez o sinal para abrir a
janela. Ele tomado pelo terror obedeceu achando ser um assalto. O
desconhecido jogou um livro negro e se retirou. Havia um recado: "Não abras, até o tempo determinado."
O
homem de capuz na cabeça desapareceu como fumaça na funesta madrugada.
Na escuridão sombria ele enxergava tudo sinistro, a ausência de vida nas
ruas que percorria, tudo carregado e sem esperança, obscuro, confuso.
Pressentia o final do caminho, sem amigos, ninguém que pudesse amar,
nenhum mendigo na calçada para
desabafar e tirar o peso da morte que rondava a sua alma. Ao longe
percebeu um outdoor em vermelho, aproximando-se leu a frase: "Em breve,
muito em breve nos encontraremos, me aguarde." Ivan fez a volta e
retornou, pegou o livro lacrado e não ousou abri-lo. Ficou uma semana
sem dormir. Durante muito tempo foi brincar de ser o demônio se
vangloriando dos textos que escrevia. Adorava os comentários de elogio,
falando da sua capacidade e criatividade. A sua condição agora era de um
reles mortal, o medo se fazia presente nos cantos negros da sua mente.
Ivan ficou tão traumatizado que tinha passado uma semana sem ligar o
computador.
Deitado
no sofá da sala, lembrou-se dos tempos de criança quando se imaginava
morar nas nuvens. Os seus sonhos foram destruídos quando em sala de aula
a bela professora explicou que dentro da nuvem a velocidade aproximada
do vento era de duzentos e cinquenta quilômetros por hora, a
temperatura de trinta graus negativos e não havia oxigênio, em poucos
segundos o corpo seria levado a morte...O telefone tocou, Ivan não
esperava nenhuma ligação; quando atendeu tremeu ao ouvir a voz, anotou o
local e a hora do encontro...quando ele imaginou ser um pesadelo o tom
daquela voz malígna provou o contrário. A semana que passou persistia como a mais tenebrosa da sua curta existência.
Meia
noite e dois, estava no local combinado dentro do carro aguardando a
chegada do príncipe das trevas. Rondava-lhe a impaciência por que não
tinha certeza de nada. Persistia o peso sobre as suas costas, com 35
anos, o corpo estava cansado como de um pobre homem velho. Ficou
envolvido em pensamentos: _tudo poderia ser diferente...( O demônio leu os seus pensamentos e respondeu...)
_É
verdade... tudo poderia ser diferente....-Ivan deu um salto no banco do
carro olhando para o banco do carona e viu aquela criatura sinistra de
preto ao lado, cabeça coberta e com a face oculta._ ...se teus
pensamentos fossem bons, se a tua busca fosse o bem certamente eu
estaria distante de ti. Mas tu me chamastes por todo o tempo, neófito.
_ Eu acredito em Deus, procuro cumprir meus deveres...
_Não sejas hipócrita, acreditas em Deus e vives o tempo todo maquinando o mal, atraindo para ti a minha presença com teus pensamentos, pregas a violência quando rabiscas, falas de satanismo como tivesses intimidade de um mestre, quando não passas de um reles mortal.
_ Eu acredito em Deus, procuro cumprir meus deveres...
_Não sejas hipócrita, acreditas em Deus e vives o tempo todo maquinando o mal, atraindo para ti a minha presença com teus pensamentos, pregas a violência quando rabiscas, falas de satanismo como tivesses intimidade de um mestre, quando não passas de um reles mortal.
_Mas
senhor, eu só li livros de ocultismo e mistérios, escrevi contos
baseados nesses escritos, só queria saber por que me escolheu, não sou o
único que escreve sobre terror...
_Tens
muito a aprender, neófito. Toda palavra é espírito, a palavra falada ou
escrita é a manifestação do espírito, teus pensamentos, as palavras que
dissestes e escrevestes fizeram-me estar contigo. Aqui estou. Terás de
pagar a tua dívida...-o homem sem face colocou a mão dentro da roupa e
tirou de lá uma garrafa, fez um gesto na direção de Ivan.
_Te ordeno que bebas até o final... não deixes uma gota...
_O que é... (?)-ele perguntou apavorado...-A sensação estranha induziu Ivan beber o líquido quente e amargo.
_Sangue das trevas...está consumado, Omnis cellulla e cellulla
_O o o o...q...q que..é..é..is..isso?
_Toda
célula nasce de outra célula que antecede outra célula. Um abismo chama
outro abismo. Um espírito chama outro espírito...o espírito que tens
chamado tem nome: A MORTE.
_Mas não disse que eu viajaria no tempo, que os Portais do Inferno estavariam abertos e...
_Nunca ouvistes dizer que o diabo é o pai da mentira?
_Abra
o livro negro que trouxestes, o que estiver escrito assim se fará, tens
apenas uma chance de prosseguir a tua jornada...- O homem sem face
separou a longa corda de fibra que ele havia deixado no banco de trás
do carro sem que Ivan tivesse visto.
_Leia a o que está escrito.
_ Mas está escrito em latim...
_Ordeno que leias em voz alta...-disse o homem sem face.
_"quod in inferno autem mortis est per" (Se passou por diabo agora merece morrer)
_Ordeno que leias em voz alta...-disse o homem sem face.
_"quod in inferno autem mortis est per" (Se passou por diabo agora merece morrer)
_
O príncipe de negro desceu do carro com a corda na mão foi para o lado
do motorista e colocou o laço no pescoço de Ivan, dirigiu-se a árvore
mais próxima atrás do carro e amarrou-a de maneira que não se soltasse.
Voltou, sentou-se no banco do carona, o escritor de contos de terror
estava aflito, mas tinha perdido todas as forças, não conseguia
mover-se. O homem sem face deu a partida no carro, engatou drive e pisou no acelerador com toda a força...
Pela
manhã corpo de um homem não identificado foi encontrado dentro do carro
no bosque com a cabeça arrancada. A cabeça foi localizada a alguns
metros dalí, perto de uma árvore e estava sendo consumida por abutres
famintos que brigavam entre si. Populares que presenciaram a cena
ligaram para a polícia...
Pela morte brutal, o delegado de plantão acredita em vingança. Alguns suspeitos foram detidos para averiguação.
Pela morte brutal, o delegado de plantão acredita em vingança. Alguns suspeitos foram detidos para averiguação.
Na semana seguinte um escritor de contos de terror que frequentava o mesmo site, após postar o seu texto leu um comentário muito estranho. Se tratava de algo sobrenatural ou alguém que brincou se passando pelo príncipe das trevas...o escritor não dormiu naquela noite. Começou a ver mensagens, ter visões com símbolos satânicos no monitor e nos cômodos da casa, e não conseguiu mais dormir...até que...encontrou na porta de sua casa um livro preto com os seguintes dizeres: "Não abras até o tempo determinado."
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Um Breve Conto Da Morte
Velho, sozinho, cansado... Era um Homem que passou os dias de sua vida a
chamar a concubina dos aflitos, aquela que desata os nós indissolúveis e
põe fim às agonias infindáveis. Sentado em sua velha cadeira, vendo o
sol se despedir do céu, tornando-o rubro como o solo das mais ferozes
batalhas, sentiu, finalmente, o ar frio encher seus cansados pulmões e
aquietar seu triste coração.
– Demorou, minha cara – disse o Homem.
– Desculpe-me, meu velho – respondeu a negra senhora, com a mais doce das vozes. Meu trabalho é árduo e a fila sempre longa...
– Mas passei a vida toda a te chamar...
– E, agora que vim, irá clamar pela Vida?
– Não seria capaz de tal traição, nobre mulher. A Vida, por toda minha vida, deu-me as costas. Privou-me de suas ternuras e nunca me mostrou o calor de seu olhar... Deixou-me a míngua, padecendo de fome e sedento de sua compaixão. Procurei esses anos todos, a doce melodia cantada pela Vida, mas perdi a audição e tal cântico me permanece desconhecido. Voltei meus olhos para a terra e para o céu, procurando algum significado nessa penosa existência e, nada, nada me foi dito. Por isso sempre te chamei, minha boa senhora, por isso que a amo. Pois encontro mais amor na Morte do que em toda a Vida.
– Meu triste coração, castigado pelo negro ofício de transformar riso em pranto, aquece todo meu ser ao ouvir tais palavras – seus olhos fundos e negros faiscaram com uma melancolia que seria capaz de ser maior que o próprio universo e continuou. Carrego o mais pesado dos fardos, sou vítima das orações, sou a “indesejada das gentes”... Sou clamada em momentos de tristeza e desespero, por vozes abafadas pelo choro ou pela insanidade... Com aquilo em sua face, que parecia um esboço de sorriso, singelo e misterioso, olhou profundamente para o homem e lhe perguntou:
– É, então, meu nobre Senhor, de lúcida e espontânea vontade que me estende essa tua mão, cansada de pedir pela Vida e calejada de limpar o suor desse enrugado rosto? É por amor a mim, e não por desapego à outra, que a mim se une, por toda a eternidade?
- Oh, triste Senhora, com meu coração em júbilo tomo tua mão salvadora, que me tira desse eterno tormento e me leva para tão suave e infinito destino.
Com um beijo na pálida e fria mão, desposou a Morte, deixando para trás os despojos de uma carne sofrida para encontrar uma eternidade de luz.
– Demorou, minha cara – disse o Homem.
– Desculpe-me, meu velho – respondeu a negra senhora, com a mais doce das vozes. Meu trabalho é árduo e a fila sempre longa...
– Mas passei a vida toda a te chamar...
– E, agora que vim, irá clamar pela Vida?
– Não seria capaz de tal traição, nobre mulher. A Vida, por toda minha vida, deu-me as costas. Privou-me de suas ternuras e nunca me mostrou o calor de seu olhar... Deixou-me a míngua, padecendo de fome e sedento de sua compaixão. Procurei esses anos todos, a doce melodia cantada pela Vida, mas perdi a audição e tal cântico me permanece desconhecido. Voltei meus olhos para a terra e para o céu, procurando algum significado nessa penosa existência e, nada, nada me foi dito. Por isso sempre te chamei, minha boa senhora, por isso que a amo. Pois encontro mais amor na Morte do que em toda a Vida.
– Meu triste coração, castigado pelo negro ofício de transformar riso em pranto, aquece todo meu ser ao ouvir tais palavras – seus olhos fundos e negros faiscaram com uma melancolia que seria capaz de ser maior que o próprio universo e continuou. Carrego o mais pesado dos fardos, sou vítima das orações, sou a “indesejada das gentes”... Sou clamada em momentos de tristeza e desespero, por vozes abafadas pelo choro ou pela insanidade... Com aquilo em sua face, que parecia um esboço de sorriso, singelo e misterioso, olhou profundamente para o homem e lhe perguntou:
– É, então, meu nobre Senhor, de lúcida e espontânea vontade que me estende essa tua mão, cansada de pedir pela Vida e calejada de limpar o suor desse enrugado rosto? É por amor a mim, e não por desapego à outra, que a mim se une, por toda a eternidade?
- Oh, triste Senhora, com meu coração em júbilo tomo tua mão salvadora, que me tira desse eterno tormento e me leva para tão suave e infinito destino.
Com um beijo na pálida e fria mão, desposou a Morte, deixando para trás os despojos de uma carne sofrida para encontrar uma eternidade de luz.
A Mula
Seu crime? Uma paixão.
Sua pena? Uma maldição.
Era mais um setembro quando tropas de mulas chegavam à vila trazendo em seus cestos e embornais toda sorte de encomendas e viveres para abastecer as casas de comércio, armarinhos e boticas do arraial.
Assim que os tropeiros apeavam eram cercados por dúzias de negrinhos escravos, bem como vários outros meninos e meninas, moços e moças e até os mais velhos, todos ávidos para saber das novidades trazidas das terras de além das montanhas das Minas Gerais.
Mas não só mantimentos chegavam com as mulas. Aproveitando a rota da tropa todo tipo de homem chegava naquela região: aventureiros a caça de ouro, agentes da Coroa em busca de impostos para o Rei ou até mesmo criminosos procurando refúgio, acontecia de muitos clérigos também se aventurarem nas trilhas dos tropeiros, usando-as como rota para chegarem até as almas dos cristãos espalhados naquele pedaço da Colônia.
Era o caso de Inácio, jovem padre que chegava para substituir o velho sacerdote da paroquia local. Inácio estava feliz por finalmente ter terminado a jornada mais longa que jamais havia feito, pois até então não conhecia mais do mundo que não fosse o pequeno pedaço do vale do Alentejo em Portugal, região onde fora criado e educado na santa doutrina da Igreja Católica e onde fora prometido por sua mãe para ser servo do bom nome do Senhor.
E agora ele se encontrava ali, a léguas e léguas de seu mundo e em seu coração batia o desejo de pregar os ensinamentos de Cristo ao fiel povo da Colônia.
Assim ele apeou de sua montaria e pisou com suas sandálias as ruas de pedra indo em direção a imponente igreja construída através dos anos pelas mãos negras de legiões de escravos. E neste momento, quando seguia para cumprir seu destino como discípulo de Deus, foi que a tentação e o pecado surgiram em sua frente e decidiram seu destino para sempre.
Do meio da algazarra de muares ela apareceu, sua visão foi como a de um anjo. Era bela, a mais bela jamais vista por ele, seu nome era Maria do Rosário, jovem moça das redondezas que encantava a todos os viajantes com seu corpo de donzela e sua face de grande beleza. Naquele momento o coração de Inácio bateu forte e ele estacou frente aquele ser produzido por Deus, ou pelo Diabo.
E Maria do Rosário, mesmo acostumada com a reação dos viajantes a sua presença, também se surpreendeu com aquele moço, pois ele não era um viajante comum, trazia no corpo as vestes de um homem santo. Assim, quando percebeu ser observada por ele, sua face branca se ruborizou e ela desviou o olhar.
Inácio, envergonhado pela reação de ter sido flagrado pela jovem, criou coragem e se desculpou pela indelicadeza:
- Me perdoe a indelicadeza – falou ele – estou há muito na estrada, acostumado a lidar com homens rudes e a visão de sinhazinha é como um bálsamo de Deus para ombros cansados.
Maria do Rosário riu por dentro, não estava acostumada com este tipo de galanteio:
- Por tuas vestes vê-se logo que és um homem de Deus, mas há de concordar que teu discurso destoa muito daquele que se esperaria de um santo.
Agora foi Inácio quem se viu ruborizado:
- Mas uma vez peço-lhe perdão sinhazinha, não era minha intenção ser indelicado. Meu nome é Inácio, sou o padre enviado para esta localidade. Posso saber tua graça?
- Me chamo Maria, Maria do Rosário. E perdoo-te só por que és um padre, apesar de não se portar como um. Bem sei que padre Tiago deve estar lhe esperando na igreja, pois vá lá e confesse teu pecado, o de se apresentar assim a uma moça. Agora, já que és um sacerdote, eu peço tua benção e espero ver vossa senhoria mais tarde na celebração.
Maria do Rosário, num ato ao mesmo de tempo de respeito e provocação, pegou na mão do jovem padre e a beijou deixando Inácio sentir o calor que as mulheres provocam nos homens. Depois disso ela partiu.
Inácio seguiu então para a igreja e percebeu que de suas portas um velho de batina o observava, aquele era padre Tiago, que assistiu em silêncio toda cena entre os jovens.
- Sua benção padre... – começou Inácio.
Mas não continuou, padre Tiago o interrompeu:
- Vejo que já conheceu o rebanho local – disse ele – e vejo também que o Diabo já lhe infectou a alma e o coração padre Inácio.
- Fala da jovem? Uma simples rapariga que veio me recepcionar, aliás, a única a fazê-lo.
- Não estamos na Metrópole jovem padre, cuidado com as moças daqui, não estão acostumadas a serem tratadas com bons modos. E são donas de uma beleza não vista em terras europeias, acredite em mim quando digo que são cria do próprio demônio, armadilhas para enganar os incautos e desvia-los dos caminhos do Senhor. Agora entre e prepare-se para celebrar sua primeira missa, nos fundos da igreja fica a casa paroquial, encontrará comida e roupas limpas lá. Vejo o senhor mais tarde, passar bem.
O velho padre saiu e Inácio percebeu que não poderia contar muito com ele.
Resignado ele seguiu para casa paroquial onde se lavou, se trocou, comeu e dormiu um pouco.
Acordou com os sinos da igreja bradando. Olhando pela janela percebeu o Sol se deitando por sobre as montanhas. O tremendo cansaço de todos aqueles dias de viagem havia lhe pregado uma peça e ele não conseguiu acordar a tempo da missa, e padre Tiago nem ao menos buscou por ele!
Apressado ele se arrumou e seguiu para a igreja, lá chegando encontrou todos os bancos tomados pela elite local disposta nas primeiras filas, no meio da igreja havia moradores mais humildes, no fundo mineiros e por último, de pé, alguns escravos.
Padre Tiago estava sentado junto ao altar e lançou lhe um olhar de reprovação:
- Deus a tudo observa jovem Inácio – disse ele – agora comece a homilia.
Antes de começar Inácio se apresentou aos presentes, corria o olhar por todos, mas se deteve frente a uma visão: lá estava ela, mesmo com o rosto coberto por um véu a reconheceu, era Maria do Rosário. Inácio vacilou um pouco em seu discurso, foi breve, porém nada que não escapasse ao olhar inquieto de padre Tiago que a tudo observava sentado ao lado do púlpito.
A celebração corria sem problemas, Inácio dominava o latim com a maestria de poucos e entoava cantos de grande beleza sacra. Chegou então o ápice da cerimônia católica, a Santa Ceia, e o povo fez fila para receber o corpo de Cristo e, mesmo que o próprio Jesus considerasse todos os homens iguais perante Deus, ali imperava a lei da importância e os poderosos locais eram os primeiros a receber a hóstia sagrada.
Um a um recebiam das mãos de Inácio o pequeno pedaço de pão ázimo, ele depositava nas mãos dos fieis, em outros colocava diretamente na boca. Até que veio a vez de Maria do Rosário que mais uma vez demonstrando ousadia levantou o véu e abriu a boca para que Inácio depositasse ali o alimento santo, e ele o fez e de novo sentiu os lábios da moça roçarem sua mão, mais uma vez sua face ruborizou. Maria do Rosário o encarou um pouco e seus olhos castanhos brilharam para ele.
Ao lado, padre Tiago observava tudo, impassível como uma ave de rapina.
Aquela noite Inácio não dormiu. Sentiu a febre que acomete o homem quando inoculado pelo veneno de uma mulher. Suava frio, revirava-se na cama. Sentiu a vida pulsar entre suas pernas e por fim, não suportando mais a força da tentação, entregou-se ao pecado solitário derramando fluídos por sobre o lençol enquanto pensava nos olhos, nos lábios e no corpo de Maria do Rosário. Depois chorou, se ajoelhou ao lado da cama e rezou seu terço em busca de perdão e arrependimento. Porém a cada dia que passava, a cada missa celebrada, lá estava ela e o pecado noturno se repetia noite após noite. Pelos cantos, como uma sombra perversa, padre Tiago sempre estava à espreita de tudo.
- Padre Inácio – disse padre Tiago certo dia – lembre-se, Deus tudo observa e pune os erros dos homens.
- Porque diz isto padre? – retrucou Inácio.
- O Diabo padre Inácio, o diabo muitas vezes usa as jovens e seus encantos. Cuidado, não entregarei minha igreja a um pecador.
- Sua igreja padre Tiago? Pois digo que está igreja não é tua nem minha, nem do povo que reza protegido por suas paredes, antes é de Nosso Senhor Jesus Cristo, ninguém mais.
- Aqui eu tenho mais poder que Cristo padre Inácio, lembre-se disso.
- Isto sim é heresia padre Tiago, se algo assim chega-se aos ouvidos da Cúria o senhor seria excomungado.
- Não temo a excomunhão, mas acho que o senhor deveria temer a maldição. Agora passar bem, tenho de ir ter com os meus.
Depois desde episódio eles mal se falaram novamente. Inácio sentia que Tiago era um homem perigoso e deveria ser denunciado ao episcopado. Por outro lado não conseguia tirar a jovem Maria do Rosário da cabeça. O que não sabia era que a jovem também brigava com sua consciência e pela primeira vez se percebia uma mulher e não uma menina, frequentava mais a igreja, a ponto de as pessoas já começarem a comentar pelas ruas, ela não ligava, queria ficar perto de Inácio mais tempo.
E Inácio também tornou-se ousado, fazia visitas frequentes a casa da moça com a desculpa de pregar os evangelhos. Indiferentes a tudo e a todos eles faziam caminhadas sozinhos, conversavam na praça e trocavam risos e confidencias. Seria um casal normal, se ela não fosse uma moça solteira e ele um sacerdote da Igreja.
Desafiando todos, eles continuaram a se encontrar e certa ocasião, estando a sós na casa paroquial, tiveram uma conversa definitiva.
- Inácio – disse Maria do Rosário – toda a vila está a comentar sobre nós dois.
- Incomoda-te os boatos alheios?
- E não deveriam? Tu tens uma missão a cumprir, não quero ser um obstáculo em teu sacerdócio.
- Pois abandonaria meu sacerdócio por mais tempo junto a vos mi ce.
- Que queres dizer? – ela perguntou vermelha.
- Que não há nada neste mundo que desejo mais do que a senhora, é pela senhora que rezo a noite, é pela senhora que meu sono não vem e é pela senhora que meu corpo queima em febre. Amo-te Maria do Rosário e não creio que o amor, sentimento ensinado pelo próprio Cristo, seja pecado.
- Então vos mi ce também o sente? Mas irão nos perseguir, nunca irão nos aceitar.
- Pois fujamos os dois então! Na próxima madrugada uma tropa partirá da vila, venha comigo Maria do Rosário, rogo a Deus que venha comigo!
Como estavam sós eles foram ainda mais além e suas bocas se tocaram ignorando o lugar santo onde estavam. Mas eles só pensavam estar a sós, na penumbra, como sempre, estava padre Tiago, disposto a impedir a união dos jovens.
A noite chegou, uma noite sem lua e silenciosa, apenas o rouco agouro das corujas preenchia o ar, no estábulo das mulas Inácio esperava por sua amada, já havia abandonado o hábito, vestia-se como um homem comum.
Não demorou muito ela apareceu. Trajava vestes simples como a dele, mas sua beleza não diminuía nem um pouco por isso.
- Inácio – disse ela – ah meu amor, tenho tanto medo.
- Não temas meu amor, ninguém vai nos separar agora.
Sob o olhar apático das mulas os dois enamorados se beijaram mais uma vez. Um beijo longo e ardente, interrompido apenas por uma voz vinda das trevas:
- Nem a morte é punição grande o suficiente para tamanho pecado! – disse padre Tiago surgindo entre os animais.
- Deixe-nos! – gritou Inácio – não tenho mais nada contigo ou com “tua” igreja, como o senhor mesmo disse.
- Não quero nada de ti – disse padre Tiago – não passas de um pecador e teus crimes serão punidos por Deus e pelo diabo no momento certo. Negou a santa igreja, e o preço dos filhos que traem as mães é o esquecimento e o abandono. Agora quanto a esta sinhá, essa cria do demônio, ela sim deve pagar pelo crime de tentar os santos homens da igreja!
- Deixe-a, juro que se a tocar és um homem morto!
- Além da fornicação também irás matar Inácio? Não já pecou o suficiente?
Maria do Rosário falou pela primeira vez:
- Amar não é pecado, foi o que Jesus nos ensinou...
- Cala-te demônio – berrou padre Tiago – não tente corromper meus ouvidos, já há muito tempo meu corpo não tem mais desejo pela carne de mulher alguma. Mas tu já pecaste, e por teu pecado serás maldita!
Padre Tiago mostrou então um machado que trazia escondido por sob a batina.
- Afaste-se de nós! – gritou Inácio.
Padre Tiago estava enlouquecido, partiu armado com o machado para cima dos dois jovens. Inácio se colocou a frente para proteger Maria do Rosário, mas sua coragem custou caro, ele recebeu o primeiro golpe, a lâmina do machado entrou fundo em seu peito e o sangue escorreu pelo estábulo.
- Nãããoooo! – gritou Maria do Rosário se ajoelhando para segurar o corpo de Inácio enquanto este caia.
- Seu maldito! – ela gritou.
Padre Tiago apenas sorriu.
- Não morra ainda padre Inácio – disse ele – ainda não completei minha intenção.
Inácio, apesar do grave ferimento e da morte iminente, ainda mantinha os olhos abertos.
- Mata-me de uma vez! – pediu Maria do Rosário.
- Matar-te? – falou padre Tiago – não, não merece a morte, merece castigo muito pior.
Padre Tiago mais uma vez levantou o machado e num único e certeiro golpe decapitou a bela jovem. Inácio, no fim de suas forças, convalesceu de dor.
- Agora Inácio, verás a pena para o crime cometido por esta jovem.
Tiago pegou a cabeça da jovem e se dirigiu até uma das mulas próximas.
- Observe pecador, não servimos ao mesmo Senhor. Tenho outro mestre, um mestre sábio e perverso, e ele me concede poderes que nem imagina!
Inácio puxou então um pequeno punhal e com ele golpeou uma das mulas, o animal relinchou de dor e Tiago banhou a cabeça de Maria do Rosário com o sangue que escorria da garganta do quadrúpede. Depois jogou novamente a cabeça junto ao corpo e uma bizarra transformação começou a ocorrer.
A cabeça de Maria do Rosário começou a se queimar e seu corpo a se contorcer. No limite de suas forças Inácio via tudo, viu quando o corpo de sua amada ganhava contornos animalescos e ficava de pé em quatro patas, o pelo tomava conta de tudo. A sua volta os animais corriam assustados e o que restou era semelhante a eles em tudo, uma mula, porém faltava-lhe a cabeça e no lugar saia apenas labaredas de fogo.
A criatura tomada pelo medo, pela fúria e pela agonia, desembestou pelas ruas de pedra levando aflição a todos que cruzavam seu caminho. Inácio vivia seus últimos momentos de vida e antes que morresse padre Tiago ainda o amaldiçoou:
- Que teu espirito imundo nunca descanse Inácio!
Assim morreu Inácio, mas sua alma ainda vaga pelo mundo. Dizem que está em busca de sua amada até os dias de hoje, conhecida por todos como uma besta denominada simplesmente de a “Mula sem Cabeça”, uma mulher maldita que teve este destino como punição pelo simples ato de se enamorar por um padre.
Sua pena? Uma maldição.
Era mais um setembro quando tropas de mulas chegavam à vila trazendo em seus cestos e embornais toda sorte de encomendas e viveres para abastecer as casas de comércio, armarinhos e boticas do arraial.
Assim que os tropeiros apeavam eram cercados por dúzias de negrinhos escravos, bem como vários outros meninos e meninas, moços e moças e até os mais velhos, todos ávidos para saber das novidades trazidas das terras de além das montanhas das Minas Gerais.
Mas não só mantimentos chegavam com as mulas. Aproveitando a rota da tropa todo tipo de homem chegava naquela região: aventureiros a caça de ouro, agentes da Coroa em busca de impostos para o Rei ou até mesmo criminosos procurando refúgio, acontecia de muitos clérigos também se aventurarem nas trilhas dos tropeiros, usando-as como rota para chegarem até as almas dos cristãos espalhados naquele pedaço da Colônia.
Era o caso de Inácio, jovem padre que chegava para substituir o velho sacerdote da paroquia local. Inácio estava feliz por finalmente ter terminado a jornada mais longa que jamais havia feito, pois até então não conhecia mais do mundo que não fosse o pequeno pedaço do vale do Alentejo em Portugal, região onde fora criado e educado na santa doutrina da Igreja Católica e onde fora prometido por sua mãe para ser servo do bom nome do Senhor.
E agora ele se encontrava ali, a léguas e léguas de seu mundo e em seu coração batia o desejo de pregar os ensinamentos de Cristo ao fiel povo da Colônia.
Assim ele apeou de sua montaria e pisou com suas sandálias as ruas de pedra indo em direção a imponente igreja construída através dos anos pelas mãos negras de legiões de escravos. E neste momento, quando seguia para cumprir seu destino como discípulo de Deus, foi que a tentação e o pecado surgiram em sua frente e decidiram seu destino para sempre.
Do meio da algazarra de muares ela apareceu, sua visão foi como a de um anjo. Era bela, a mais bela jamais vista por ele, seu nome era Maria do Rosário, jovem moça das redondezas que encantava a todos os viajantes com seu corpo de donzela e sua face de grande beleza. Naquele momento o coração de Inácio bateu forte e ele estacou frente aquele ser produzido por Deus, ou pelo Diabo.
E Maria do Rosário, mesmo acostumada com a reação dos viajantes a sua presença, também se surpreendeu com aquele moço, pois ele não era um viajante comum, trazia no corpo as vestes de um homem santo. Assim, quando percebeu ser observada por ele, sua face branca se ruborizou e ela desviou o olhar.
Inácio, envergonhado pela reação de ter sido flagrado pela jovem, criou coragem e se desculpou pela indelicadeza:
- Me perdoe a indelicadeza – falou ele – estou há muito na estrada, acostumado a lidar com homens rudes e a visão de sinhazinha é como um bálsamo de Deus para ombros cansados.
Maria do Rosário riu por dentro, não estava acostumada com este tipo de galanteio:
- Por tuas vestes vê-se logo que és um homem de Deus, mas há de concordar que teu discurso destoa muito daquele que se esperaria de um santo.
Agora foi Inácio quem se viu ruborizado:
- Mas uma vez peço-lhe perdão sinhazinha, não era minha intenção ser indelicado. Meu nome é Inácio, sou o padre enviado para esta localidade. Posso saber tua graça?
- Me chamo Maria, Maria do Rosário. E perdoo-te só por que és um padre, apesar de não se portar como um. Bem sei que padre Tiago deve estar lhe esperando na igreja, pois vá lá e confesse teu pecado, o de se apresentar assim a uma moça. Agora, já que és um sacerdote, eu peço tua benção e espero ver vossa senhoria mais tarde na celebração.
Maria do Rosário, num ato ao mesmo de tempo de respeito e provocação, pegou na mão do jovem padre e a beijou deixando Inácio sentir o calor que as mulheres provocam nos homens. Depois disso ela partiu.
Inácio seguiu então para a igreja e percebeu que de suas portas um velho de batina o observava, aquele era padre Tiago, que assistiu em silêncio toda cena entre os jovens.
- Sua benção padre... – começou Inácio.
Mas não continuou, padre Tiago o interrompeu:
- Vejo que já conheceu o rebanho local – disse ele – e vejo também que o Diabo já lhe infectou a alma e o coração padre Inácio.
- Fala da jovem? Uma simples rapariga que veio me recepcionar, aliás, a única a fazê-lo.
- Não estamos na Metrópole jovem padre, cuidado com as moças daqui, não estão acostumadas a serem tratadas com bons modos. E são donas de uma beleza não vista em terras europeias, acredite em mim quando digo que são cria do próprio demônio, armadilhas para enganar os incautos e desvia-los dos caminhos do Senhor. Agora entre e prepare-se para celebrar sua primeira missa, nos fundos da igreja fica a casa paroquial, encontrará comida e roupas limpas lá. Vejo o senhor mais tarde, passar bem.
O velho padre saiu e Inácio percebeu que não poderia contar muito com ele.
Resignado ele seguiu para casa paroquial onde se lavou, se trocou, comeu e dormiu um pouco.
Acordou com os sinos da igreja bradando. Olhando pela janela percebeu o Sol se deitando por sobre as montanhas. O tremendo cansaço de todos aqueles dias de viagem havia lhe pregado uma peça e ele não conseguiu acordar a tempo da missa, e padre Tiago nem ao menos buscou por ele!
Apressado ele se arrumou e seguiu para a igreja, lá chegando encontrou todos os bancos tomados pela elite local disposta nas primeiras filas, no meio da igreja havia moradores mais humildes, no fundo mineiros e por último, de pé, alguns escravos.
Padre Tiago estava sentado junto ao altar e lançou lhe um olhar de reprovação:
- Deus a tudo observa jovem Inácio – disse ele – agora comece a homilia.
Antes de começar Inácio se apresentou aos presentes, corria o olhar por todos, mas se deteve frente a uma visão: lá estava ela, mesmo com o rosto coberto por um véu a reconheceu, era Maria do Rosário. Inácio vacilou um pouco em seu discurso, foi breve, porém nada que não escapasse ao olhar inquieto de padre Tiago que a tudo observava sentado ao lado do púlpito.
A celebração corria sem problemas, Inácio dominava o latim com a maestria de poucos e entoava cantos de grande beleza sacra. Chegou então o ápice da cerimônia católica, a Santa Ceia, e o povo fez fila para receber o corpo de Cristo e, mesmo que o próprio Jesus considerasse todos os homens iguais perante Deus, ali imperava a lei da importância e os poderosos locais eram os primeiros a receber a hóstia sagrada.
Um a um recebiam das mãos de Inácio o pequeno pedaço de pão ázimo, ele depositava nas mãos dos fieis, em outros colocava diretamente na boca. Até que veio a vez de Maria do Rosário que mais uma vez demonstrando ousadia levantou o véu e abriu a boca para que Inácio depositasse ali o alimento santo, e ele o fez e de novo sentiu os lábios da moça roçarem sua mão, mais uma vez sua face ruborizou. Maria do Rosário o encarou um pouco e seus olhos castanhos brilharam para ele.
Ao lado, padre Tiago observava tudo, impassível como uma ave de rapina.
Aquela noite Inácio não dormiu. Sentiu a febre que acomete o homem quando inoculado pelo veneno de uma mulher. Suava frio, revirava-se na cama. Sentiu a vida pulsar entre suas pernas e por fim, não suportando mais a força da tentação, entregou-se ao pecado solitário derramando fluídos por sobre o lençol enquanto pensava nos olhos, nos lábios e no corpo de Maria do Rosário. Depois chorou, se ajoelhou ao lado da cama e rezou seu terço em busca de perdão e arrependimento. Porém a cada dia que passava, a cada missa celebrada, lá estava ela e o pecado noturno se repetia noite após noite. Pelos cantos, como uma sombra perversa, padre Tiago sempre estava à espreita de tudo.
- Padre Inácio – disse padre Tiago certo dia – lembre-se, Deus tudo observa e pune os erros dos homens.
- Porque diz isto padre? – retrucou Inácio.
- O Diabo padre Inácio, o diabo muitas vezes usa as jovens e seus encantos. Cuidado, não entregarei minha igreja a um pecador.
- Sua igreja padre Tiago? Pois digo que está igreja não é tua nem minha, nem do povo que reza protegido por suas paredes, antes é de Nosso Senhor Jesus Cristo, ninguém mais.
- Aqui eu tenho mais poder que Cristo padre Inácio, lembre-se disso.
- Isto sim é heresia padre Tiago, se algo assim chega-se aos ouvidos da Cúria o senhor seria excomungado.
- Não temo a excomunhão, mas acho que o senhor deveria temer a maldição. Agora passar bem, tenho de ir ter com os meus.
Depois desde episódio eles mal se falaram novamente. Inácio sentia que Tiago era um homem perigoso e deveria ser denunciado ao episcopado. Por outro lado não conseguia tirar a jovem Maria do Rosário da cabeça. O que não sabia era que a jovem também brigava com sua consciência e pela primeira vez se percebia uma mulher e não uma menina, frequentava mais a igreja, a ponto de as pessoas já começarem a comentar pelas ruas, ela não ligava, queria ficar perto de Inácio mais tempo.
E Inácio também tornou-se ousado, fazia visitas frequentes a casa da moça com a desculpa de pregar os evangelhos. Indiferentes a tudo e a todos eles faziam caminhadas sozinhos, conversavam na praça e trocavam risos e confidencias. Seria um casal normal, se ela não fosse uma moça solteira e ele um sacerdote da Igreja.
Desafiando todos, eles continuaram a se encontrar e certa ocasião, estando a sós na casa paroquial, tiveram uma conversa definitiva.
- Inácio – disse Maria do Rosário – toda a vila está a comentar sobre nós dois.
- Incomoda-te os boatos alheios?
- E não deveriam? Tu tens uma missão a cumprir, não quero ser um obstáculo em teu sacerdócio.
- Pois abandonaria meu sacerdócio por mais tempo junto a vos mi ce.
- Que queres dizer? – ela perguntou vermelha.
- Que não há nada neste mundo que desejo mais do que a senhora, é pela senhora que rezo a noite, é pela senhora que meu sono não vem e é pela senhora que meu corpo queima em febre. Amo-te Maria do Rosário e não creio que o amor, sentimento ensinado pelo próprio Cristo, seja pecado.
- Então vos mi ce também o sente? Mas irão nos perseguir, nunca irão nos aceitar.
- Pois fujamos os dois então! Na próxima madrugada uma tropa partirá da vila, venha comigo Maria do Rosário, rogo a Deus que venha comigo!
Como estavam sós eles foram ainda mais além e suas bocas se tocaram ignorando o lugar santo onde estavam. Mas eles só pensavam estar a sós, na penumbra, como sempre, estava padre Tiago, disposto a impedir a união dos jovens.
A noite chegou, uma noite sem lua e silenciosa, apenas o rouco agouro das corujas preenchia o ar, no estábulo das mulas Inácio esperava por sua amada, já havia abandonado o hábito, vestia-se como um homem comum.
Não demorou muito ela apareceu. Trajava vestes simples como a dele, mas sua beleza não diminuía nem um pouco por isso.
- Inácio – disse ela – ah meu amor, tenho tanto medo.
- Não temas meu amor, ninguém vai nos separar agora.
Sob o olhar apático das mulas os dois enamorados se beijaram mais uma vez. Um beijo longo e ardente, interrompido apenas por uma voz vinda das trevas:
- Nem a morte é punição grande o suficiente para tamanho pecado! – disse padre Tiago surgindo entre os animais.
- Deixe-nos! – gritou Inácio – não tenho mais nada contigo ou com “tua” igreja, como o senhor mesmo disse.
- Não quero nada de ti – disse padre Tiago – não passas de um pecador e teus crimes serão punidos por Deus e pelo diabo no momento certo. Negou a santa igreja, e o preço dos filhos que traem as mães é o esquecimento e o abandono. Agora quanto a esta sinhá, essa cria do demônio, ela sim deve pagar pelo crime de tentar os santos homens da igreja!
- Deixe-a, juro que se a tocar és um homem morto!
- Além da fornicação também irás matar Inácio? Não já pecou o suficiente?
Maria do Rosário falou pela primeira vez:
- Amar não é pecado, foi o que Jesus nos ensinou...
- Cala-te demônio – berrou padre Tiago – não tente corromper meus ouvidos, já há muito tempo meu corpo não tem mais desejo pela carne de mulher alguma. Mas tu já pecaste, e por teu pecado serás maldita!
Padre Tiago mostrou então um machado que trazia escondido por sob a batina.
- Afaste-se de nós! – gritou Inácio.
Padre Tiago estava enlouquecido, partiu armado com o machado para cima dos dois jovens. Inácio se colocou a frente para proteger Maria do Rosário, mas sua coragem custou caro, ele recebeu o primeiro golpe, a lâmina do machado entrou fundo em seu peito e o sangue escorreu pelo estábulo.
- Nãããoooo! – gritou Maria do Rosário se ajoelhando para segurar o corpo de Inácio enquanto este caia.
- Seu maldito! – ela gritou.
Padre Tiago apenas sorriu.
- Não morra ainda padre Inácio – disse ele – ainda não completei minha intenção.
Inácio, apesar do grave ferimento e da morte iminente, ainda mantinha os olhos abertos.
- Mata-me de uma vez! – pediu Maria do Rosário.
- Matar-te? – falou padre Tiago – não, não merece a morte, merece castigo muito pior.
Padre Tiago mais uma vez levantou o machado e num único e certeiro golpe decapitou a bela jovem. Inácio, no fim de suas forças, convalesceu de dor.
- Agora Inácio, verás a pena para o crime cometido por esta jovem.
Tiago pegou a cabeça da jovem e se dirigiu até uma das mulas próximas.
- Observe pecador, não servimos ao mesmo Senhor. Tenho outro mestre, um mestre sábio e perverso, e ele me concede poderes que nem imagina!
Inácio puxou então um pequeno punhal e com ele golpeou uma das mulas, o animal relinchou de dor e Tiago banhou a cabeça de Maria do Rosário com o sangue que escorria da garganta do quadrúpede. Depois jogou novamente a cabeça junto ao corpo e uma bizarra transformação começou a ocorrer.
A cabeça de Maria do Rosário começou a se queimar e seu corpo a se contorcer. No limite de suas forças Inácio via tudo, viu quando o corpo de sua amada ganhava contornos animalescos e ficava de pé em quatro patas, o pelo tomava conta de tudo. A sua volta os animais corriam assustados e o que restou era semelhante a eles em tudo, uma mula, porém faltava-lhe a cabeça e no lugar saia apenas labaredas de fogo.
A criatura tomada pelo medo, pela fúria e pela agonia, desembestou pelas ruas de pedra levando aflição a todos que cruzavam seu caminho. Inácio vivia seus últimos momentos de vida e antes que morresse padre Tiago ainda o amaldiçoou:
- Que teu espirito imundo nunca descanse Inácio!
Assim morreu Inácio, mas sua alma ainda vaga pelo mundo. Dizem que está em busca de sua amada até os dias de hoje, conhecida por todos como uma besta denominada simplesmente de a “Mula sem Cabeça”, uma mulher maldita que teve este destino como punição pelo simples ato de se enamorar por um padre.
Chapeuzinho Vermelho
Há muitos e muitos anos perdidos, em um tempo que o homem ainda temia o
desconhecido, escondido no meio da floresta existia um casebre antigo
onde ninguém ousava chegar perto, pois haviam boatos de gritos
horripilantes de dor e choros agonizantes ecoavam de lá. Junto com essas
histórias também era comumente vista indo para o casebre uma mulher
vestida em um capuz vermelho, carregando uma cesta, na qual juravam ter
visto dedos e outras partes do corpo humano.
Todos diziam que bruxas vindas dos infernos moravam lá e evitavam se perder na floresta ou caçar por perto do território delas, pois caso isso acontecesse nunca mais voltavam para casa.
Entretanto existia um jovem rapaz filho do moleiro, que era dos poucos que se aventurava a caçar até mais fundo na floresta. Educado, corajoso e adorado por todos da aldeia. Este se gabava entre os amigos de ser corajoso e dizia que aquelas histórias eram apenas fantasias do medo deles.
Certo dia, vindo do povoado vizinho já tarde da noite, o jovem caçador foi apanhado por uma chuva torrencial e o único lugar onde poderia se abrigar era o casebre perdido no fundo da floresta. Sem pensar duas vezes cavalgou até lá e bateu na porta no exato momento que um dos raios cortou o céu negro, abafando os gemidos agonizantes que saiam da casa.
-Quem está aí. – perguntou uma voz feminina.
-Um homem faminto e com frio, que busca abrigo até passar esse temporal. – seguiu-se certo silêncio e depois o barulho da chave na porta.
Pela fresta ele visualizou um pedaço do rosto, a cabeça coberta pelo capuz vermelho, entretanto não foi isso que chamou sua atenção e sim o rosto desfigurado da mulher. O que acontecera a ela?
-Vejam só. – dizia ela, olhando para o rosto enojado do rapaz. – não preciso caçar essa semana.
Ele não percebera o que aquelas palavras significavam até já ser tarde de mais, um alçapão abriu debaixo de seus pés e ele bateu a cabeça no chão, desmaiando de dor.
A mulher fechou a porta animada, foi até um canto e alimentou a fogueira, encheu um caldeirão com água e colocou a ferver. Então desceu por uma escada velha e mofada, chegou até onde estava o caçador, agarrou-o pelos pés e o arrastou até uma mesa.
Começou a despi-lo, amarrou seus braços e pernas e virou-se para amolar suas facas. Sentia suas entranhas tremerem de fome, quando fora a última vez que comera? Estava velha e cansada de mais para caçar, pelo menos teria uma semana para recuperar suas forças.
Nesse meio tempo ele acordou, sentiu o cheiro acre de sangue e podridão colado nas paredes do galpão. Quando olhou para o lado e viu o capuz vermelho seu coração bateu descompassado lembrando do que acontecera a pouco.
-Por favor, senhora. O que quer de mim? – ela não respondeu a pergunta aflita e continuou amolando seus instrumentos. Quando terminou virou-se para ele e sorriu com aquela boca torta e os dentes podres. Ele vendo aquilo na mão dela começou a se desesperar. Como fora parar ali?
Ela aproximou-se dele e ele sentiu o fedor de carne humana decrépita e podre vindo dela. Calmamente a mulher do capuz vermelho debruçou-se e com a ponta de sua faca começou a abri-lo do peito ao baixo ventre. Ele gritou de dor e involuntariamente suas lágrimas saíram e de debaixo de suas pernas um líquido quente de medo escorreu.
Devagar, com muito cuidado, ela enfiou a mão na fressura aberta e começou a vasculhar procurando seu rim. Ele sentia seu sangue sair, seus órgãos latejarem e a dor era tão intensa que já não fazia parte mais do real. Via-se de cima, observava ela retirar de dentro seus pulmões enquanto seu corpo dava pequenos espasmos de dor, e finalmente o seu último grito foi sufocado pelo negro véu da morte.
Depois de limpá-lo como a um frango, com um facão cortou na junta dos ossos, picando em pequenas partes e separando em baldes para preparar a comida que a alimentaria durante aquela semana.
Durante alguns dias, a família do jovem caçador gastou todo seu esforço procurando o jovem rapaz, mas tudo em vão. Então juntaram-se todos os outros caçadores e embrenharam-se floresta adentro a procura dele. Ao chegarem próximo do casebre encontraram o cavalo. Revoltados com o que poderia ter acontecido, chamaram todos os homens da cidade e no outro dia invadiram o casebre da mulher do capuz vermelho.
Com tochas e espadas incendiaram o miserável casebre, derrubaram nas cinzas e para o horror maior encontraram o porão banhado em sangue, repleto de caveiras, ossos e vísceras humanas. Em vão vasculharam cada canto do lugar e da floresta, mas não se viu vestígio da mulher.
Os anos se passaram e com o tempo as gerações seguintes esqueceram-se do que acontecera. A única coisa que permaneceu viva foi a história inocente de uma menina de capuz vermelho que não deveria tomar o caminho errado ou conversar com estranhos, pois no meio da floresta existia um malvado lobo mau que iria devorá-los.
Todos diziam que bruxas vindas dos infernos moravam lá e evitavam se perder na floresta ou caçar por perto do território delas, pois caso isso acontecesse nunca mais voltavam para casa.
Entretanto existia um jovem rapaz filho do moleiro, que era dos poucos que se aventurava a caçar até mais fundo na floresta. Educado, corajoso e adorado por todos da aldeia. Este se gabava entre os amigos de ser corajoso e dizia que aquelas histórias eram apenas fantasias do medo deles.
Certo dia, vindo do povoado vizinho já tarde da noite, o jovem caçador foi apanhado por uma chuva torrencial e o único lugar onde poderia se abrigar era o casebre perdido no fundo da floresta. Sem pensar duas vezes cavalgou até lá e bateu na porta no exato momento que um dos raios cortou o céu negro, abafando os gemidos agonizantes que saiam da casa.
-Quem está aí. – perguntou uma voz feminina.
-Um homem faminto e com frio, que busca abrigo até passar esse temporal. – seguiu-se certo silêncio e depois o barulho da chave na porta.
Pela fresta ele visualizou um pedaço do rosto, a cabeça coberta pelo capuz vermelho, entretanto não foi isso que chamou sua atenção e sim o rosto desfigurado da mulher. O que acontecera a ela?
-Vejam só. – dizia ela, olhando para o rosto enojado do rapaz. – não preciso caçar essa semana.
Ele não percebera o que aquelas palavras significavam até já ser tarde de mais, um alçapão abriu debaixo de seus pés e ele bateu a cabeça no chão, desmaiando de dor.
A mulher fechou a porta animada, foi até um canto e alimentou a fogueira, encheu um caldeirão com água e colocou a ferver. Então desceu por uma escada velha e mofada, chegou até onde estava o caçador, agarrou-o pelos pés e o arrastou até uma mesa.
Começou a despi-lo, amarrou seus braços e pernas e virou-se para amolar suas facas. Sentia suas entranhas tremerem de fome, quando fora a última vez que comera? Estava velha e cansada de mais para caçar, pelo menos teria uma semana para recuperar suas forças.
Nesse meio tempo ele acordou, sentiu o cheiro acre de sangue e podridão colado nas paredes do galpão. Quando olhou para o lado e viu o capuz vermelho seu coração bateu descompassado lembrando do que acontecera a pouco.
-Por favor, senhora. O que quer de mim? – ela não respondeu a pergunta aflita e continuou amolando seus instrumentos. Quando terminou virou-se para ele e sorriu com aquela boca torta e os dentes podres. Ele vendo aquilo na mão dela começou a se desesperar. Como fora parar ali?
Ela aproximou-se dele e ele sentiu o fedor de carne humana decrépita e podre vindo dela. Calmamente a mulher do capuz vermelho debruçou-se e com a ponta de sua faca começou a abri-lo do peito ao baixo ventre. Ele gritou de dor e involuntariamente suas lágrimas saíram e de debaixo de suas pernas um líquido quente de medo escorreu.
Devagar, com muito cuidado, ela enfiou a mão na fressura aberta e começou a vasculhar procurando seu rim. Ele sentia seu sangue sair, seus órgãos latejarem e a dor era tão intensa que já não fazia parte mais do real. Via-se de cima, observava ela retirar de dentro seus pulmões enquanto seu corpo dava pequenos espasmos de dor, e finalmente o seu último grito foi sufocado pelo negro véu da morte.
Depois de limpá-lo como a um frango, com um facão cortou na junta dos ossos, picando em pequenas partes e separando em baldes para preparar a comida que a alimentaria durante aquela semana.
Durante alguns dias, a família do jovem caçador gastou todo seu esforço procurando o jovem rapaz, mas tudo em vão. Então juntaram-se todos os outros caçadores e embrenharam-se floresta adentro a procura dele. Ao chegarem próximo do casebre encontraram o cavalo. Revoltados com o que poderia ter acontecido, chamaram todos os homens da cidade e no outro dia invadiram o casebre da mulher do capuz vermelho.
Com tochas e espadas incendiaram o miserável casebre, derrubaram nas cinzas e para o horror maior encontraram o porão banhado em sangue, repleto de caveiras, ossos e vísceras humanas. Em vão vasculharam cada canto do lugar e da floresta, mas não se viu vestígio da mulher.
Os anos se passaram e com o tempo as gerações seguintes esqueceram-se do que acontecera. A única coisa que permaneceu viva foi a história inocente de uma menina de capuz vermelho que não deveria tomar o caminho errado ou conversar com estranhos, pois no meio da floresta existia um malvado lobo mau que iria devorá-los.
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