Conheci
uma garota chamada Larrisa. Ela tinha marcas pelo corpo, sinais que
demonstravam seu sofrimento. Quando perguntei a ela se não havia outro
modo de exprimir sua tristeza, ela apenas deu de ombros.
Conheci uma garota chamada Joana. Ela tinha olhos extremamente
vermelhos, daqueles que se destacavam de longe. Quando perguntei a ela
se não havia outro modo de expulsar a dor, ela apenas fez uma careta.
Conheci uma garota chamada Olívia. Ela sorria como se houvesse algum
fio esticando os cantos da sua boca. Quando perguntei a ela se não havia
outro jeito de ser feliz, ela apenas continuou a sorrir.
Conheci uma garota chamada Nina. Ela vivia em bares como se eles fossem
algum tipo de salvação. Quando perguntei a ela se não havia outro modo
de esquecer as infelicidades, ela apenas pediu uma dose para mim.
Até que em um belo dia conheci uma garota chamada isis. Ela, de
longe, era a mais quieta de todas. Não se auto-mutilava, não chorava,
não sorria falsamente e não bebia. Apenas permanecia na sua, com grandes
olhos abertos e um nariz empinado. Quando perguntei se ela não tinha
nenhum problema, ela apenas balançou a cabeça incrédula e respondeu:
“Moço, todos temos problemas. O diferencial está em como lidamos com
tais fatos”.
Larissa era rejeitada por uma boa parte das pessoas ao seu redor.
Joana estava em uma crise de baixa auto-estima.
Olívia era infeliz com um marido que a traía descaradamente.
Nina havia levado um pé na bunda do namorado.
Já a minha pequena isis… Ah, pequena grande isis. Isis tinha
uma doença terminal e, por incrível que pareça, foi a que mais me
ensinou a viver.
Todos temos problemas, o diferencial está em como lidamos com tais fatos.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
domingo, 26 de janeiro de 2014
Mar, Amar, Amor.
A gente caminha por aí, como dois apaixonados. Você ri e me olha, eu
sorrio de volta, como se nada me fizesse mais feliz. A gente amanhece noutro dia, se ama ao nascer do sol, até que nos dê vontade. A gente briga,
todo mês, ou toda semana, ou todo dia, o que importa é a reconciliação
depois. No nosso canto, ao som da natureza, a gente canta como se não houvesse
mais problemas, como se fosse só nós e o mundo estivesse parado por
isso. Como se tudo sumisse e só houvesse nós, pelo menos por um dia, só a
gente, ou pra sempre. Finge que é de verdade, finge que somos de
verdade, finge que isso tudo aconteceu.
Eu nunca te pedi pra mudar, não por mim. Se um dia tivesse que mudar, teria que ser por você, acima de qualquer coisa. Eu queria apenas um pouco mais de atenção, como nunca me deram antes, e quem sabe, um pouco mais de carinho. Eu sei é o teu jeito. Mas saiba que me deixa confuso, quem se esconde atrás dessa fala. Dizem que quando se gosta de algo ou alguém, a gente cuida, protege, quer estar perto, fazer parte da vida. Eu aqui, trocando prioridades, te dando atenção e carinho, a ponto de fazer com que meus amigos sintam ciúmes de ti. E você aí, no seu mundo. Dizendo que esse é o teu jeito. Dizendo que cuida e gosta da sua maneira.
Talvez, se um dia me deixares, eu passe a mão na minha barba mal feita, e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, eu possa pensar em você todos os dias, e ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus beijos, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir suas músicas, procurar tua voz em outras vozes.
Eu nunca te pedi pra mudar, não por mim. Se um dia tivesse que mudar, teria que ser por você, acima de qualquer coisa. Eu queria apenas um pouco mais de atenção, como nunca me deram antes, e quem sabe, um pouco mais de carinho. Eu sei é o teu jeito. Mas saiba que me deixa confuso, quem se esconde atrás dessa fala. Dizem que quando se gosta de algo ou alguém, a gente cuida, protege, quer estar perto, fazer parte da vida. Eu aqui, trocando prioridades, te dando atenção e carinho, a ponto de fazer com que meus amigos sintam ciúmes de ti. E você aí, no seu mundo. Dizendo que esse é o teu jeito. Dizendo que cuida e gosta da sua maneira.
Talvez, se um dia me deixares, eu passe a mão na minha barba mal feita, e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, eu possa pensar em você todos os dias, e ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus beijos, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir suas músicas, procurar tua voz em outras vozes.
Aprendi que nessa vida as coisas que amamos podem ir embora sem avisar,
outras vão embora e deixam bem claro que estão indo. Ambas as formas
irão doer, doeram. Não se escapa de um tiro quando ele já está na sua direção,
assim como não é possível escapar de um amor que já tomou conta do
coração inteiro, o que é o meu caso com você. Se o meu amor não for suficiente para impedir a sua
partida, a continuação não iria nos deixar ter um final feliz, se depender de mim minha cara pequenina, só vou chorar por você, quando não te ter em meus braços mais, quando a vida te tirar da minha vida, mas não por vontade sua ou minha, mas sim por todos nós um dia ter que partir.
Uma ninfeta explosiva
Nas noites mal dormidas teve frio, chuva, enchente... até tentativa de
estupro aconteceu, mesmo assim elas estavam felizes, afinal faltavam
poucos minutos para abertura das bilheterias, os 30 dias de sofrimento
seriam agora recompensados: a venda de ingressos para o show do "Teen
Idol" da vez, estava para começar.
A jovem repórter dentro da van da emissora enquanto se arrumava pensou em como odiava aquilo tudo, mais um adolescente mimado que logo iria desaparecer para dar lugar ao próximo, fazendo assim girar a roda da fortuna...das gravadoras...é claro!
Com os cabelos já arrumados e pronta para começar a matéria não pôde deixar de exprimir sua decepção com o trabalho:"PQP! tantos anos de "facul" para acabar nisso..." o cinegrafista apenas sorriu em sinal de simpatia...e saíram da van.
Aquilo era um campo de guerra, as meninas se espremiam em filas intermináveis diante das bilheterias.
A repórter queria terminar logo o serviço e sumir dali, com experiência neste tipo de matéria sabia o que fazer: acompanharia a primeira da fila até ela ter comprado seu ingresso depois era só entrevistá-la: mostrando ao telespectador a fã com cara de quem acabou de encontrar o Santo Graal.
A primeira menina da fila tinha os cabelos tingidos de vermelho e era bem desenvolvida para seus 16 anos, usava top e um shortinho mínimo, isso animou a repórter, ela sabia que um apelo sexy tornava qualquer matéria mais interessante aos olhos da audiência.
A menina atordoada deixou o guichê com o pequeno cartão nas mãos e deu de cara com o microfone da experiente profissional que disparou a pergunta clichê:"qual a emoção de comprar o primeiro ingresso..." o cinegrafista que até então filmava as curvas da garota, fechou um close no rosto da jovem, a menina começou a respirar com dificuldade, revirar os olhos e então soltou uma enxurrada de frases sem sentindo. A esta altura a equipe percebeu que a entrevistada estava a beira de um ataque... o que não seria uma surpresa depois do mês que passou, devia estar desidratada e mal alimentada some-se a isto a histeria de estar com o tão esperado ingresso. Numa atitude oportunista e cruel, a mulher da tv disparou uma sequencia de perguntas sem dar fôlego para infeliz adolescente, tinha a esperança de que a jovem perdesse o controle de vez... e tivesse um troço em frente a câmera.
Ficou feliz vendo que sua estratégia estava funcionando, a fã falava compulsivamente, sacudia corpo e tinha o belo rosto contorcido como uma possuída de filmes B.
De repente parecendo asfixiada levou as mãos ao pescoço, encarou a câmera e explodiu cobrindo a equipe da tv com seu sangue e pedaços sabe-se lá de que...ééca!!
Os milhares de ingressos que estavam a venda foram esgotados em menos de 40 minutos e o show foi um grande sucesso.
A jovem repórter dentro da van da emissora enquanto se arrumava pensou em como odiava aquilo tudo, mais um adolescente mimado que logo iria desaparecer para dar lugar ao próximo, fazendo assim girar a roda da fortuna...das gravadoras...é claro!
Com os cabelos já arrumados e pronta para começar a matéria não pôde deixar de exprimir sua decepção com o trabalho:"PQP! tantos anos de "facul" para acabar nisso..." o cinegrafista apenas sorriu em sinal de simpatia...e saíram da van.
Aquilo era um campo de guerra, as meninas se espremiam em filas intermináveis diante das bilheterias.
A repórter queria terminar logo o serviço e sumir dali, com experiência neste tipo de matéria sabia o que fazer: acompanharia a primeira da fila até ela ter comprado seu ingresso depois era só entrevistá-la: mostrando ao telespectador a fã com cara de quem acabou de encontrar o Santo Graal.
A primeira menina da fila tinha os cabelos tingidos de vermelho e era bem desenvolvida para seus 16 anos, usava top e um shortinho mínimo, isso animou a repórter, ela sabia que um apelo sexy tornava qualquer matéria mais interessante aos olhos da audiência.
A menina atordoada deixou o guichê com o pequeno cartão nas mãos e deu de cara com o microfone da experiente profissional que disparou a pergunta clichê:"qual a emoção de comprar o primeiro ingresso..." o cinegrafista que até então filmava as curvas da garota, fechou um close no rosto da jovem, a menina começou a respirar com dificuldade, revirar os olhos e então soltou uma enxurrada de frases sem sentindo. A esta altura a equipe percebeu que a entrevistada estava a beira de um ataque... o que não seria uma surpresa depois do mês que passou, devia estar desidratada e mal alimentada some-se a isto a histeria de estar com o tão esperado ingresso. Numa atitude oportunista e cruel, a mulher da tv disparou uma sequencia de perguntas sem dar fôlego para infeliz adolescente, tinha a esperança de que a jovem perdesse o controle de vez... e tivesse um troço em frente a câmera.
Ficou feliz vendo que sua estratégia estava funcionando, a fã falava compulsivamente, sacudia corpo e tinha o belo rosto contorcido como uma possuída de filmes B.
De repente parecendo asfixiada levou as mãos ao pescoço, encarou a câmera e explodiu cobrindo a equipe da tv com seu sangue e pedaços sabe-se lá de que...ééca!!
Os milhares de ingressos que estavam a venda foram esgotados em menos de 40 minutos e o show foi um grande sucesso.
Horror na estrada
- Quando ela sumiu? – Perguntou o policial civil Afonso, responsável interinamente pela delegacia de Vargem Verde, cidade que fica a trezentos quilômetros da capital.
- Há uns dois anos. Já estava desistindo de tudo, então enviaram para a minha mãe, Lucia Alves, o senhor deve conhecê-la... Acho que todo mundo conhece minha mãe nessa cidade – disse Marcos ajeitando os óculos, com as mãos trêmulas e com gotas de suor escorrendo pelo lado da face.
Um homem com boa aparência aquele Dr. Marcos, pensou o policial. Olhos pequenos, rosto firme, lembrava o ator Sean Penn usando óculos. Ele continuava a falar e a cabeça de Afonso balançava afirmativamente, sem nenhum interesse no assunto.
-Sabe, não tive muito contato com a minha mãe. Ela é uma pessoa difícil, devo tudo a ela, mas nunca entendeu as minhas escolhas; por isso não venho visitá-la, mas agora ela está com câncer...
-Não se explique! - Disse Afonso - Não sou daqui; venho apenas trabalhar nesta cidade, cumpro meu dever de policial e vou embora. As lendas desse lugar não me interessam, pois sei que em cidades do interior cuida-se bem da vida dos outros. Já me contaram poucas e boas do senhor e sua mãe; fofocas, coisa bestas carregadas de muita bobagem sobrenatural.
Afonso chegou perto da janela e ascendeu um cigarro, a chuva caia lá fora e anunciava alagamentos e sofrimentos. “Que droga de lugar amaldiçoado por Deus”.
Pensou nas coisas que Jairo disse sobre a família de Marcos. Afonso não acreditava em nada daquilo: bruxas e feitiçaria. A velha era odiada por toda cidade, mas recebia muitas pessoas de fora para “tratamento espiritual”. Aquilo causava transtorno para o prefeito e para a polícia, até que ela adoeceu; teve câncer e virou uma inválida numa cadeira de rodas que nem ao menos falava. Os vizinhos tinham medo dela. Apenas um homem surdo-mudo fazia o serviço da casa todas as manhãs, e depois ia embora.
- O senhor Tarso, quem é? – Perguntou Afonso.
-Meu irmão de criação – fez a ressalva esfregando as mãos. Fomos criados juntos, ele teve meningite quando criança e ficou surdo – Marcos enxugou o suor da testa.
Afonso pensou que ele estava nervoso, mas lembrou-se do boato sobre sua internação em um hospício e todas aquelas noticia nos jornais sobre os ataques de pânico do grande cirurgião.
- Não me leve a mal. Eu também fui adotado, mas Tarso sempre foi o preferido dela.
- É … Ele parece um filho dedicado – disse Afonso. As famílias são assim... Minha mãe sempre preferia a minha irmã.
- Não sou um ingrato, senhor Afonso! Por isso acho bom explicar: Tenho uma boa condição financeira e minha mãe anda quase na miséria. Sei que deveria ajudar mais, porém ela não aceita. Ela nunca aceitou a minha partida, sempre disse que médicos não sabem de nada – Marcos abaixou a cabeça – ela considera um absurdo tudo o que eu digo. Nos amamos, porém temos opiniões divergentes. Eu fui adotado por ela e recentemente conheci a minha mãe biológica... Sabe, de repente descobri que tenho afinidades com ela. Isto é como ter uma segunda mãe.
- Diante de tudo isso, essa mensagem vem parar exatamente aqui! – Disse Afonso abrindo mais uma vez a caixa. – Não gosto disso! Tenho uma sensação ruim aqui na minha clavícula e, na última vez que tive essa sensação, perdi um irmão assassinado.
- Acho que quem a enviou, queria ter a certeza que eu a receberia.
A caixa estava aberta e, o que os olhos viam, assustava até mesmo um médico experiente como Marcos. Seus sentimentos por Lúcia ainda eram fortes e suas esperanças foram violentamente abalada por aquela mensagem. Ao longe um trovão abalou o silêncio do momento, seguido por outro. Afonso estava há seis meses na polícia e pensava seriamente em mudar de atividade assim que pudesse. Era baixo, usava um bigode que lembrava filmes antigos e tinha uma expressão facial do Mazaropi.
- Não há nada que eu possa fazer aqui. Tenho que levar a evidência e o senhor para a capital, como sabe. Pode repetir a história novamente?
Marcos parecia estar cansado de repetir toda a história, porém o fez mais uma vez. Conheceu Lúcia na estrada da vida há dez anos atrás, quando deu uma carona para a jovem morena que pulou à frente do seu carro. Bonita e com uma expressão trite, Lúcia cativou o médico.
Ela tinha uma expressão meiga e começaram então a sair depois daquele encontro. A menina morava sozinha em um quarto no centro da cidade e lhe disse que seus pais eram do interior. A verdade é que Marcos nunca os conheceu. Quando foram morar juntos, repentinamente, ela se propôs visitar a mãe adotiva de Marcos. As duas não se entenderam, pois a velha não aceitava outra mulher na vida de Marcos. Voltaram para a capital e naquele mesmo dia, quase se separaram. A jovem fez com que Marcos lhe prometesse que nunca mais a levaria naquele lugar terrível e ele cumpriu. Três meses depois ela desapareceu.
- Uma história de cinema! – disse Afonso. – Tem certeza de que o que está dentro dessa caixa é dela?
Marcos tirou da carteira uma foto e disse: - Tirei esta foto de surpresa. Isso pode lhe ajudar. Afonso olhou a bela jovem de cabelos negros e sorriso aberto.
-Muito bonita, realmente. Olhos castanhos … Pode ser! – Fez um gesto com as pernas e depois levantou-se – Acho melhor o senhor reportar-se ao delegado da capital. Temos um ônibus que vai sair em uma hora; pegue as suas coisas que arranjo uma vaga. Veja: Esse temporal vai isolar essa cidade em quatro horas, se continuar assim, devemos partir logo! – Afonso parecia exausto. - Essa chuva tem me causado muitos problemas.
O prefeito está fora e o delegado pediu-me para levar (junto com as provas) um casal de amigos dele e uma mulher gestante em trabalho de parto prolongado. O senhor que é médico deve saber, parece que o filho dela está meio de lado na barriga e a polícia acaba fazendo trabalhos que não são de sua competência. Eu preciso levar um preso e umas provas, o Jairo vai ficar responsável pela delegacia; vamos em um ônibus da prefeitura com um trator fazendo a nossa escolta (limpando o caminho e portando uma corda, para o caso de atolarmos). Você está de carro?
- Não vim de carro. Há alguns anos não posso dirigir devido a um problema de saúde. Tenho síndrome do pânico e não posso mais operar.
- Poderia me ajudar com a gestante?
- Entro em pânico quando vejo sangue – disse Marcos.
- Talvez possa nos ajudar com a gestante – insistiu Afonso – uma ajuda é melhor do que nenhuma.
- Meu ataque de pânico não permitiria. Sinto muito.
Afonso teve uma sensação ruim ouvindo aquelas palavras. Aquele médico estava lhe escondendo alguma coisa, porém não ligava. Seu turno de trabalho estava acabando e logo, dali a quatro horas, estaria em algum bar curtindo o que a vida tem de melhor: o vício e as mulheres. Já até sentia o gosto de uma bebida na capital, livre daquela gente e, principalmente, livre do maluco de óculos com sua caixa maldita.
-Isso é um olho humano senhor Marcos? A perícia pode determinar com mais detalhes, mas é um olho humano, não há duvida; e muito parecido com o desta foto.
Marcos chorou. Aquele parecia um choro forçado, mas Afonso não queria julgar ninguém.
A chuva caia impertinente. Grandes corredeiras se formavam dificultando qualquer deslocamento a pé. Afonso teria que se deslocar até o hospital o casal, juntamente com a gestante, estavam esperando-o lá. Reinaldo, o motorista, parecia impaciente. Gritava que logo as pontes cairiam e eles não conseguiam passar. O ônibus tinha correntes nas rodas e um reforço na estrutura que protege o motor; e tinha sido construído para andar naquele inferno.
- Temos que ir, policial. A chuva só vai piorar – disse Reinaldo.
- Temos que levar outro passageiro – disse Afonso para Reinaldo.
- Certo. Vamos logo! A chuva vai destruir as pontes.
As gotas caiam como pedras. Afonso amaldiçoou o dia que ouviu o seu amigo Lauro lhe dizer que, no interior, a polícia é mais tranquila. Teve um trabalho imenso até juntar todo mundo e colocar o trator para andar.
Quando a viagem começou, os passageiros se dividiram no ônibus de forma heterogê0nia: O casal sentou-se no meio; conversavam sem parar como se estivessem de férias. A gestante amparada por uma enfermeira gemia no fundo do ônibus e tinha um soro acoplado ao seu pulso; Marcos sentava-se no primeiro banco e Afonso ficou de pé ao lado do motorista. À frente, estava um trator conduzido pelo experiente Helmer e todos andavam em uma velocidade pegajosamente lenta, escorregadia e cheia de balanços. Na primeira hora os solavancos deixaram Marcos enjoado, e então ele levantou-se.
- Fique sentado, senhor! – disse Afonso.
-Estou enjoado. Você tem algum remédio para enjoo? – perguntou Marcos. Depois escutou-se um barulho tremendo e uma sirene disparou.
– Ah meu Deus! O que aconteceu com o trator?
Todos olhavam para frente. Nada do trator.
- Deve ter feito meia volta – disse Reinaldo que conduzia o ônibus bem devagar. – A visibilidade está péssima, mas na minha frente ele não está mais.
- Pare o ônibus! – disse Afonso – vou descer para ver o que aconteceu.
Marcos desceu atrás do policial que tentou protestar, mas... O mundo é livre! Ele praguejou alguma coisa do tipo “o azar é seu se morrer”. Os dois andaram por uns cem metros, sob chuva torrencial. Havia pouca visibilidade, pois já era cinco da tarde, mas... Afinal, o que havia acontecido com o trator? Olharam um pouco mais a frente, na lateral da estrada, no acostamento.
- Olhe Afonso! – disse Marcos.
- Oque foi? – balbuciou Afonso no meio da chuva forte.
- Acho que ele caiu ali – disse apontando para uma enorme cratera feita na estrada.
Afonso olhou para onde Marcos apontava e percebeu que o buraco na estrada tinha uns três metros de profundidade, mas estava totalmente fora da trajetória. Somente um erro grosseiro levaria o trator para aquela direção. A pergunta que Afonso estava se fazendo naquele momento era: Como um motorista experiente foi cair naquele buraco?
- Que merda está acontecendo? – perguntou Reinaldo.
- Alguma coisa desviou o caminho do Seu Helmer e ele caiu no buraco – disse Afonso quase gritando. Sua voz saia fina, como a de uma mulher – temos que descer lá. Há cordas no carro?
Reinaldo fez um sinal afirmativo com a cabeça e foi buscar a corda. Afonso desceu devagar e seus pés escorregavam na lama; Marcos e Reinaldo seguravam a corda que estava amarrada no ônibus. O que Afonso viu foi terrível: Helmer teve o corpo esmagado, seu sangue era levado pela chuva, que tudo sugava como um vampiro; e essa hemorragia o levaria à morte. Antes de morrer, ele disse umas palavras:
- Afonso, fuja! E leve essa gente com você. Uma coisa horrível... Eu vi uma coisa horrível!
- Não diga nada. Você perdeu muito sangue. Vamos pegar o macaco do ônibus para levantar o trator e retirá-lo daí; depois voltamos para Vargem Verde.
- A coisa me atacou e disse que a cidade deve pagar pelo que fez....
- Como é?
-A mãe do médico, a velha bruxa – ele tossiu, pela boca saiu uma quantidade sangue. Tarde demais, Helmer estava morto.
Afonso pediu que o ajudassem a subir.
- Vamos voltar para Vargem Verde! - Quando Afonso disse essas palavras, já estava dentro do ônibus. Ele não comentou nada do que Helmer lhe disse. Marcos permanecia calado. Reinaldo estava resignado, afinal, estavam apenas a cem quilômetros de Vargem Verde, poderia voltar para casa e dormir em uma cama quente.
Afonso foi até o médico e gritou.
- Que diabos está acontecendo aqui?
- Não tenho a menor ideia - disse Marcos.
- Helmer falou que toda essa merda é obra de sua mãe – disse Afonso.
- Você acreditou em tudo? Sobrenatural.
-Vamos voltar! – disse Afonso. Na delegacia quero ouvir essa história novamente.
A enfermeira foi a primeira a se manifestar:
- Não podemos! A criança dela está atravessada e logo vai sentir dores muito fortes, assim morrerá. Marcos concordou com a cabeça.
-Eu tenho negócios. Se não chegarmos à capital, perderei muito dinheiro – disse o amigo do prefeito, enquanto a sua mulher esboçava uma gritaria.
Afonso pegou a sua arma.
-Estão vendo isso? Isso é a minha autoridade. Vamos voltar para Vargem Verde. Nada mais tenho a dizer e quero todos calados no caminho de volta; já temos um bom homem morto debaixo de um trator por tentar nos ajudar. Não quero ninguém mais morrendo! – Ele apontou para a enfermeira e para Marcos que desviou o olhar.
– Você tem que cuidar dela. Sei que é experiente e já viu o Dr. Mauro, antes de morrer, fazer dezenas de cesarianas. Agora é a sua vez.
O caminho foi lento. A chuva parecia aumentar e muitos tentavam secretamente usar o seus telefones celulares. Afonso nem tentou. Sabia que telefones não funcionavam ali e que estavam por conta própria, jogados à própria sorte. Ninguém mais poderia saber pelo que eles passavam naquele momento. Ninguém.
O pneu dianteiro direito do ônibus estourou. Reinaldo parou o veículo.
- Merda! Vamos perder de uma ou duas horas trocando o pneu. Já está ficando tarde e essa grávida não para de gritar.
-Vamos! – disse Afonso.
Todos tiveram que descer do ônibus. A lama cobria os joelhos e a água caia com força. A gestante começou a gritar de dor, nada amenizava o seu sofrimento, nem mesmo as injeções de remédios. A gritaria e a noite deixavam o ambiente tão desesperador que se sentia um arrepio constante nas costas. Pensamentos ruins passavam pela cabeça de todos.
- Cala a sua boca! – disse o amigo do prefeito. - Estou ficando louco com sua gritaria, sua grávida de merda! Na hora de fazer, o gritinho era outro....
Marcos queria esmurrar aquele homem. Afonso ignorou, pois estava pensando em coisas mais importantes.
A gestante deu um grito ainda mais forte, seguido de outro. Afonso pediu para o amigo do prefeito se afastar, com a arma em punho. Com medo, o homem retrocedeu. Afonso ficou na frente da gestante que gritava de dor.
- Alguma chance dela parar? – disse o policial.
- Não – disse a enfermeira que se aproximou de Afonso, falando próximo ao seu ouvido – em algumas horas ela estará morta, se não chegarmos ao hospital.
- Vamos chegar! Darei um jeito de chegarmos a algum hospital – disse Afonso.
Marcos aproximou-se do policial e disse:
- Vou tentar. Acho que posso ajudá-la, mas temos que chegar ao hospital. Posso dar o meu máximo... Ainda tenho conhecimentos de obstetrícia – disse pegando uma medicação em uma maleta e injetando no soro. – Isso vai retardar o parto, mas se não chegarmos ao hospital ela vai morrer.
Afonso balançou a cabeça afirmativamente.
- Cadê a minha mulher? Onde está a Karla? – disse o amigo do prefeito.
- O que aconteceu com ela? – perguntou Afonso.
- Foi atrás daquela arvore fazer xixi e desapareceu. Já procurei... Meu Deus, o que eu vim fazer nesse fim de mundo?
Afonso correu até o pé de manga. Teve dificuldade pois havia muita lama. Nada. Nem uma pista. O amigo do prefeito começou a chorar e gritar o nome de Karla. Minutos depois, Afonso e Marcos faziam o mesmo; estavam exaustos e com as pernas atoladas no meio da lama.
Ficaram caminhando nesse delírio por horas. A chuva molhava mais que a alma, os olhos nem podiam ser totalmente abertos, os gritos por Carla somavam -se à gritaria infernal da grávida, alguma coisa esbarrou junto com a enxurrada na perna no amigo do prefeito. Um galho solto entrou em sua coxa e rasgou quarenta centímetros da sua carne, fazendo com que o sangue que saia da parte posterior de sua coxa misturasse com o barro e com a lama. A dor deve ter sido intensa, pois o homem magro, de face feminina e jeito educado perdeu os sentidos. Marcos olhou para ele e teve a certeza de uma lesão na artéria femoral. Afonso tentou correr para ajudar o homem que empalideceu. Correr é um eufemismo diante da lama, da enxurrada e da chuva pesada. Os movimentos pareciam em câmara lenta e a noite começava a aparecer. O farol do ônibus iluminava, mas a escuridão fora daquele clarão era quase que total. Marcos e Afonso estavam usando uma pequena lanterna que iluminava o caminho de uma forma precária e macabra.
Quando avistaram a mulher andando com dificuldade pela lama, havia alguma coisa errada com o pescoço dela que estava tombado, reclinado e preso por fios de aço. Olhar aquilo, por si só, já dava vontade de vomitar. Marcos teve um acesso de pânico e o amigo do prefeito misteriosamente acordou, tirando forças ninguém sabe de onde, e correu pela lama gritando desesperadamente.
- Karla, você está bem?
- Amigo pare! Há alguma coisa errada com ela - disse Reinaldo.
O homem, usando de uma força sobrenatural, correu o que pode. Seu rastro de sangue apavorava as pessoas que assistiam a tudo imóveis. Quando chegou perto da mulher, parou como se estivesse enfeitiçado; tudo ficou congelado, frio. Todos podiam ouvir seus corações e uma fração de segundos se passou onde apenas o barulho da floresta foi ouvido. Até que a mulher ergueu as mãos, segurou a cabeça do marido que não ofereceu resistência e, mesmo com o pescoço tombado, mordeu a sua face arrancando um pedaço e depois outro.
- Que lugar dos infernos! – gritou Afonso que foi atirando na direção de Karla. Uma das balas acertou a cabeça da mulher, que caiu.
- O que fizeram com eles? São mortos-vivos! Será que a lenda é verdadeira? – disse Reinaldo.
- Que lenda?– disse Marcos.
- Um zumbi (português brasileiro) ou zombie (português europeu) é uma criatura cujo esteriótipo define-se nos livros e na cultura popular tipicamente como um morto reanimado, usualmente de hábitos noturnos, que vive a perambular e a agir de forma estranha e instintiva; um morto-vivo; um ser privado de vontade própria, sem personalidade. Histórias de zumbis têm origem no sistema de crenças espirituais e nos rituais do Vodu afro-caribenhos, que contam sobre trabalhadores controlados por um poderoso feiticeiro – Reinaldo disse. – Neste lugar há muito tempo atrás, diziam que haviam mortos-vivos, gente que morreu e continuava vagando, alimentando-se de outros seres vivos. Sua mãe me contou essa história. Sabe que eu tinha muito medo daquela velha, não é?
- Minha mãe é praticante de Vodu. Ela também me contou essa história...
-Querem calar a boca! – disse Afonso. Ele estava olhando para Karla. Somente a última bala que a atingiu entre os olhos derrubou aquilo. Sua pele estava fosca e havia muito sangue do amigo do prefeito. Afonso apontou a arma para a cabeça dele e disparou.
-Por via das dúvidas... Não acredito nessa história, mas não vou ficar esperando que um indivíduo se levante e venha comer a minha carne.
- Que vamos fazer? Temos que voltar para a cidade e a grávida esta gritando de dor – disse Reinaldo.
Afonso olhou para Reinaldo com desprezo. Seus cabelos sujos pela lama e grudados na cabeça davam a ele um aspecto de louco.
- É tudo culpa dele!– disse Reinado apontado para Marcos. A mãe dele é a bruxa dessa cidade! Sempre foi. Sempre trouxe o mal junto dela. Quando eu era criança, ouvia coisas horríveis que ela fazia com meninos e meninas... Agora dizem que ela está morrendo de câncer e quer levar a cidade junto com ela.
- O que minha mãe tem com tudo isso? Muito do que falam dela é mentira! -disse Marcos.
- Nós sabemos, doutor, que o senhor ficou no hospício – disse Reinaldo. Em uma cidade pequena sabe-se de tudo – disse encarando Afonso que ainda estava de olho no amigo do prefeito e escutava a discussão cuidadosamente.
- Fiquei porque nasci assim. Não tem nada de estranho no fato de uma pessoa ter síndrome do pânico. Não sei o que minha vida pessoal tem com essa merda toda!
- Calem a boca! Essa conversa não vai chegar a lugar nenhum! – disse Afonso.
- Na cidade dizem que o senhor recebeu os olhos de sua esposa pelo correio... Pode ser que ela esteja viva e bem na casa de sua mãe, senhor Marcos. A velha é uma praticante de magia e arrancou os olhos de sua mulher porque não gostava dela. O senhor sabe que ela fez isso! Por isso veio aqui... Quer que ela pague, mas tem medo dela.
- O senhor ficou louco?
- É adotado não é? Ela roubava crianças e as oferecia em sacrifício. A gente ouvia os gemidos e isso deixava muita gente doida – disse Reinaldo. Não sabe nada sobre aquela velha... Antes de morrer ela vai destruir essa cidade. Vivo aqui a minha vida toda, ela vai acabar com a cidade... ela acha que a cidade lhe pertence.
Um grito aterrador ocorreu. Era a mulher grávida.
-Ela está morrendo! Temos que tirar a criança agora! Aqui e agora – disse a enfermeira. – Pode ajudar doutor?
O médico começou a tremer e suas mãos estavam suadas. Ele vomitou, depois caiu para frente. Afonso tentou levantá-lo, mas ele manteve a face na lama. Reinaldo ajudou a erguê-lo; seus olhos estavam virados, parecia em transe. Afonso bateu com a mão espalmada na face duas ou três vezes até que o médico começou a chorar e chamar a mãe.
- Ele está tendo a porra de um ataque de pânico! – disse Reinaldo.
- Doutor, nós precisamos do senhor! – gritou Afonso.
Como um robô, sem escutar direito o que Afonso estava falando e com as mãos trêmulas, Marcos pegou na maleta o velho bisturi. Jogou um pouco de álcool na barriga da grávida e, quando ia cortá-la, Affonso perguntou segurando o seu ombro:
- Ele vai corta - la?
- É – disse Reinaldo.
- Salvará a vida do bebê. – Disse a enfermeira.
Marcos passou o bisturi apenas com cuidado para não ferir a criança, depois retirou -a. A mulher não sobreviveu.
- Que merda! – disse Afonso olhando todo aquele sangue, lama e chuva. No meio de tudo... Uma menina.
Marcos entregou a criança para a enfermeira, mas o que viu não pode ser traduzido em palavras. Em toda a sua vida nunca viu algo tão macabro: Centenas de pessoas andando pela lama, devagar, com faces deformadas e pescoços tombados. Duas coisas eles tinham certeza: Primeiro, eram todos habitantes da cidade; a outra é que estavam todos mortos.
Afonso começou a atirar e depois gritou.
- Corram!
Então fez o último disparo.
Alguma coisa agarrou a enfermeira, ela desequilibrou e para proteger a criança caiu batendo a cabeça no tronco, Afonso olhou para o lado esquerdo onde estava Reinaldo, ele havia desaparecido, Marcos estava parado e olhava fixo para a mulher mais velha que conduzia a multidão, aquela mulher que um dia chamou de mãe.
-Doutor precisa pegar a criança – disse Afonso.
-A enfermeira está morta, precisa segurar a criança, eu vou tentar pegar o rifle e a outra pistola que estão no ônibus.
-Não quero ficar sozinho aqui – disse o médico.
-Todos nós estamos sozinhos nesse mundo Doutor, pegue a criança se eu não voltar corra o máximo que puder...
Ele nunca voltou.
Marcos não sabe quanto tempo andou, nem quantas horas ouviu o choro da criança, mas quando chegou a estrada havia um carro parado uma chave no banco do carona, roupas para a criança, alimento, e uma carta.
Onde havia os dizeres:
-Chama-me de “Lucia” é um presente meu para você, depois de um tempo vai entender tudo.
Marcos ligou o carro, queria sair dali o quanto antes. Não havia mais medo, Lucia estava do seu lado, ele conseguia enxergar, finalmente a chuva parou e tinha o seu amor de volta.
-Ela é linda não é? - disse Lucia. Marcos sorriu, sabia que tudo era coisa da sua cabeça da loucura. A criança chorou, tinha que sair dali antes de perder a sanidade definitivamente.
Amor, Entre o falso e o verdadeiro
Dizem que o mundo mudou e que o amor não é mais o mesmo, que o romantismo é piegas, que há uma necessidade de massificar tudo, levar aos extremos, todos sabem a resposta, o prazer em primeiro lugar e é assim que vivemos, pois os outros são bons, eles são os melhores então seremos iguais a eles.
O casal individualizado, no seu amor e na sua alma. Com suas alegrias e tristezas, calmos, dispostos a sentir a brisa e a música, não serve, pois no mundo moderno não há casais, a verdade é intransigente o que conta é a beleza, riqueza e prazer. A beleza magra, forte e dura, peitos e plásticos misturados em uma forma elástica, abençoada estática das prateleiras e dos bisturis.
Há quase nenhum espírito em tudo isso, homens macacos batendo em seus fortes peitorais, fêmeas cheias de suas belezas esperam pelo mais forte, aos gritos de (aí galera, massa veio, cara...). O que é óbvio é que o bonito vence, descemos um degrau ou dois, estamos mais perto do reino animal que imaginamos, tudo isso é tão natural quanto o excesso de álcool, cigarros e drogas, tudo isso sempre existiu, agora tudo é na “cara mesmo” “tá ligado”.
A sensação provocada pelos grandes romances e pelas belas músicas agora é substituída pelo funk ostentação, pelo “lelele” na mulher objeto, que afinal quer ser objeto, pois acha que sempre foi? Onde o beijo numerário, repetido é involuntário, surdo, completamente visual, um pequeno troféu.
A musica be my baby, diz em sua letra: “para todo beijo que me der, darei três em você” (The Ronettes - Be My BabyBe My Baby" é um single de 1963 escrito por Phil Spector, Jeff Barry, e Ellie Greenwich, interpretado por The Ronettes, lançado como o primeiro single do grupo e produzido por Spector. A canção é uma de uma série de produções de Spector que contam com o vocal de apoio de Cher, até então uma aspirante a cantora de 17 anos ). Uma belíssima música, imagine sentir a música, comprar aquelas flores, então o coração disparar, esperar pela aprovação do gesto mais tolo, pelo tão sonhado beijo o respeito pelo amor conquistado.
Há algo que vivi para sempre em algum lugar, talvez a forma mais bela de se encontrar o amor é através do sorriso da amada, para isso nos transformamos em comediantes, então a tragédia da vida, através da comédia, em um passe de mágica vira um belo romance. Diante de um amor tão necessário a massa de jovens se movimenta em uma lama igual de narcisismo, sintropia , comuna maciça, consumindo uma energia tão interessante para vida, liberando de forma desordenada, mortos diante de uma competição estéril, onde todos perdem, tornando a vida uma imensa brincadeira de videogame, onde a felicidade é impossível, por isso a busca louca pelo prazer.
O homem quando se afasta do reino animal, de alguma forma se aproxima da divindade, devemos pensar sempre nisso, ou será que essa história toda sobre Deus é uma grande mentira?
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Cantinho de Poemas Semeados
Este era o único lugar onde desejaria estar. A cabana em que seus lábios se tocaram pela primeira vez, um instante voraz, congelado no tempo. Sob a luz do luar ele abrira os braços e ela se aninhara entre eles, e ficaram assim, um bom tempo, convictos de que os dois se amavam o suficiente para encontrarem uma maneira de continuarem juntos para sempre.
Naquele paraíso, por anos, o tempo do amor tinha sido um espaço sem fronteiras.
Os dois no silencio da lua.
Deusa do seu querer, ela abria os olhos, e ele se recolhia em seus olhos de lua enquanto ela dançava para ele, enfeitiçando-o com seu olhar, incendiando de paixão sua alma.
“Não chores por mim. Em vez disso sorria de alegria por mim e por meu amor”. E tão perfeitamente adormecida, os olhos dela se fecharam e a cabeça virou para o lado.
Espalhou as cinzas ao vento e sobre as flores, ali no lugar que ela amara.
Caminhou por entre as flores silvestres. As cinzas saíram voando, rodopiando sobre o cantinho de poemas semeados, como se estivessem procurando por ele, chamando-o pela ultima vez.
Pensou se devia dizer alguma coisa. Fazer um tributo à mulher que lhe dera o coração para não ser mais devolvido.
Decidiu que não. Palavras não saberiam descrever o amor tatuado em seu coração, uma estrela que nunca ia morrer.
Ao invés, no vesperal silencio, deixou sua alma murmurar, gritar, cantar a esse amor a sua eternidade.
O rompimento
Eram quatro horas da manhã. Joanna rolava de um lado para o outro na sua
imensa cama de casal. Pensava no dia em que teve a brilhante ideia de
comprá-la. Sempre foi tão confortável. No entanto, isso foi antes dele
ir embora. Agora essa mesma cama era fria, desagradável e vazia, e ela
achou impossível continuar ali.
Ela pegou as chaves e entrou no seu velho Fiat branco. Começou a dirigir sem pensar para onde estava indo. No rádio tocava Bed of Roses, do Bon Jovi. "I wanna lay you down in a bed of roses. For tonight I sleep on a bed of nails", Joanna murmurava para si esses versos da música. Não podia aceitar que ele não estivesse com ela, eles eram perfeitos um para o outro, ela tinha certeza. Dois anos de relacionamento, tantas conversas, tanto amor, sexo. Houveram algumas brigas, mas nada que ela achasse relevante, afinal, todo casal briga. O que ele disse para ela não justificava, o amor não podia ter simplesmente ter acabado, não era justo.
O carro parou e ela se deu conta de onde estava. Aquele velho portão de ferro, o número três na porta de dentro, o já conhecido cheiro de cachorro, vindo do quintal. Destrancou o portão com a cópia da chave que ainda tinha e entrou no quintal. Não sabia bem o que estava fazendo. Ela foi até a janela que dava para a sala e viu uma luz acesa, abaixou um pouco a cabeça e espiou. Escutou um gemido e grudou mais a cara no vidro. "Droga!", ela pensou. Seu ex estava com uma mulher, ela queria impedir, mas sabia que não deveria. Saiu correndo dali para a sua casa.
Duas da tarde, o telefone tocou. Viu no identificador, era ele. Não ia atender, não depois do que ela tinha visto na noite passada. Ela estava sofrendo por ele e enquanto isso ele estava com outra. Isso doeu. Mas e se não tivesse sido nada demais, e se ele tivesse percebido que gostava mesmo era dela. Sim, era isso mesmo que devia ter acontecido. "Alô".
No fundo ela sabia o que devia ter feito, mas jamais admitiria para si mesma. Ela não iria trair a sua tão amada esperança.
Ela pegou as chaves e entrou no seu velho Fiat branco. Começou a dirigir sem pensar para onde estava indo. No rádio tocava Bed of Roses, do Bon Jovi. "I wanna lay you down in a bed of roses. For tonight I sleep on a bed of nails", Joanna murmurava para si esses versos da música. Não podia aceitar que ele não estivesse com ela, eles eram perfeitos um para o outro, ela tinha certeza. Dois anos de relacionamento, tantas conversas, tanto amor, sexo. Houveram algumas brigas, mas nada que ela achasse relevante, afinal, todo casal briga. O que ele disse para ela não justificava, o amor não podia ter simplesmente ter acabado, não era justo.
O carro parou e ela se deu conta de onde estava. Aquele velho portão de ferro, o número três na porta de dentro, o já conhecido cheiro de cachorro, vindo do quintal. Destrancou o portão com a cópia da chave que ainda tinha e entrou no quintal. Não sabia bem o que estava fazendo. Ela foi até a janela que dava para a sala e viu uma luz acesa, abaixou um pouco a cabeça e espiou. Escutou um gemido e grudou mais a cara no vidro. "Droga!", ela pensou. Seu ex estava com uma mulher, ela queria impedir, mas sabia que não deveria. Saiu correndo dali para a sua casa.
Duas da tarde, o telefone tocou. Viu no identificador, era ele. Não ia atender, não depois do que ela tinha visto na noite passada. Ela estava sofrendo por ele e enquanto isso ele estava com outra. Isso doeu. Mas e se não tivesse sido nada demais, e se ele tivesse percebido que gostava mesmo era dela. Sim, era isso mesmo que devia ter acontecido. "Alô".
No fundo ela sabia o que devia ter feito, mas jamais admitiria para si mesma. Ela não iria trair a sua tão amada esperança.
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