Meu nome é Ryan Riley, e esse é mais outro dia comum no Asilo para
loucos ou se você preferir “Manicômio”.Existe algo que você precisa
saber sobre mim: Eu não sou louco! Ou até mesmo drogado! é, mas eles não
acreditam em mim. Eles pensam que eu matei meus amigos. Meus amigos
estão mortos mas ainda sinto eles comigo, suas almas, seus espíritos,
não morreram junto a seus corpos. Eles estão comigo independentemente de
onde eu vá, mas apenas eu posso vê-los. Eles estão tentando me proteger
daquilo que os matou: “Aquela Garota Má”. É assim que nós a chamávamos.
Faz
exatamente 5 anos da morte deles. E todos aqui ainda me fazem as
perguntas erradas. Sempre me perguntam “Por quê” eu matei eles, e nunca
perguntam “Que merda aconteceu”.
Há uma nova médica no meu
tratamento, os outros desistiram de mim, eles acham que sou apenas mais
um namorado ciumento, afinal, minha namorada também foi morta junto aos
meus amigos. Eu espero que essa nova médica acredite em mim, e me faça
as perguntas certas.
Finalmente eles estão me chamando para uma consulta com a doutora Cindy Norman.
Passando
pelos corredores, vendo aquela situação de sempre, vendo meus amigos
mutilados e sangrando aos cantos, mas todos eles comigo. Os enfermeiros
me olhando como se eu fosse um ... assassino! Argh! Eu não sou um
assassino, eu preciso de uma chance para provar que sou inocente!
Na
sala da doutora Cindy eu me desloco devagar e tento não expressar minha
raiva em meus olhos. Ela me comprimentou e começamos uma conversa
aparentemente civilizada:
-Boa noite senhor Riley! –Ela disse.
Ela aparenta ser muito jovem para uma doutora tão comentada, espero ter
bons resultados. –Então, o que trás você aqui? Você diz que não é o
assassino de 3 garotas e 2 rapazes, e ainda diz que eles eram todos seus
amigos e que estão te perseguindo... se não foi você quem os matou,
então quem foi?
Havia muita ironia em suas palavras, aquilo me enraivecia ainda mais! Eu ao respondi a nenhuma pergunta, então ela diz:
-Percebi
que passaremos um bom tempo juntos essa noite. Você precisa me contar o
que aconteceu naquela noite sr. Riley... –Sua voz me irritava.
Me exaltei:
-Você quer saber o que aconteceu senhorita Norman? Vou lhe contar exatamente o que aconteceu e como aconteceu!
Aqui
começa a história de uma amizade interrompida, de uma viagem de férias
entre amigos, e aqui também termina essa amizade entre mim, Mary, Emily,
Paul, Gustavo e Kelly e então...
Eu e meus amigos estávamos a
procura de uma boa viagem de férias, um pouco de bebidas e sim.. drogas.
Nós estávamos tão felizes em viajar juntos que nem pensamos em fazer
planos para isso, apenas alugamos uma Kombi e pegamos estrada depois do
almoço.
Então nós começamos a viajar pelo Flurryh. Nosso
primeiro dia foi ótimo,mas quando chegou a noite nós não sabíamos onde
hospedar, pois não havia muitos lugares para ficar. A estrada era
deserta e úmida. Nós já estávamos ficando aflitos quando vimos uma placa
indicando um hotel mais próximo. Todos decidimos parar lá mesmo pois
não sabíamos se iria haver um outro hotel depois daquele.
Chegando
lá, as meninas já mostraram sinal de contradição. Também, com um lugar
desses. O lugar era horrível, macabro por sinal, nenhuma das meninas
queria dormir lá, mas o carro estava imundo, não havia jeito de dormir
todos lá. Depois de muita insistência elas resolveram ficar. Eu e Mary
ficamos em um quarto, logo em baixo ficariam Emily, Paul e Kelly.
Gustavo não estava na viagem com agente, pelo menos não ainda, ele havia
decidido viajar com um amigo por algum motivo quase na mesma direção
que nós.
Ninguém conseguia dormir, nenhum corpo vivo conseguiria
fechar os olhos e descansar naquele lugar cheio de barulhos estranhos,
como se o próprio lugar quisesse que nós o deixássemos.
De
repente, houve um grito! Eu levantei assustado da cama. Era Emily, ela
não parava de gritar, sua voz ia se afastando e havia um barulho enorme
como se ela estivesse sendo arrastada. Eu e Mary abrimos a porta e
corremos pro andar de cima onde estavam os outros. Kelly estava
assustada olhando para uma porta no fim do corredor, Paula estava
correndo até lá. Pude ver que Emily estava realmente sendo arrastada até
aquela porta. Corri até ela também, estávamos eu e Paul tentando
livra-la de algo invisível tentando puxá-la. A porta se abre com força
que me assustei por um instante, soltei ela com o susto e Paul não
conseguiu segura-la sozinho, ela então é puxada pra dentro de uma
despensa que no teto havia uma entrada para o sortam
A porta se
fecha com força e eu e Paul não conseguíamos abri-la. Emily de repente
para de gritar. Mary e Kelly enfim tiveram coragem de ser aproximar de
nós. Mary começou a gritar o nome de Emily esperando resposta, alguns
segundos de pânico intenso houve então a resposta: Emily grita
novamente, porém um grito de dor. Eu nunca estive tão apavorado em minha
vida, e com certeza os outros também não.
Finalmente Paul
consegue abrir a porta e rapidamente pegamos uma escada que estava nessa
dispensa para subir até o sortam. Eu subi a escada chamando por Emily.
Peguei meu celular que havia esquecido no bolso da minha bermuda antes
de tentar dormir e o usei como lanterna. Lá estava ela no canto daquele
pequeno sortam, tremendo e totalmente encolhida, ela estava olhando para
algum ponto fixo atrás de mim perto de uma talão de gasolina, mas eu
nem quis olhar, eu estava com muito medo.
Carreguei ela até o
sortam abaixo, Paul me ajudou a carrega-la até o quarto onde eles
estavam. Ela não parava de gemer como se estivesse com muito frio,
aquilo me dava arrepios.
J á no quarto ela nos mostra o que havia feito ela gritar dor enquanto estava no sortam.
Ela dizia aterrorizada:
- Eu não o vi,mas ele me mordeu- Ela levanta um pouco da blusa e mostra um a mordida em sua cintura do lado esquerdo.
Todos
ficaram terrivelmente apavorados. A mordida estava sangrando um pouco,
não conseguimos identificar se a mordida foi de um animal por ter todos
os dentes completamente afiados, ou se era de um humano por ter a
modelagem de uma boca humana.
Eu e os outros piscávamos de medo. Não conseguíamos ficar mais um segundo naquele lugar.
No
caminho para o carro, ela estava voltando com seus sentidos e já
conseguia falar sem soluçar, ou se assustar com seus próprios passos.
Ela então explicou o que havia acontecido:
-Eu estava deitada na
cama tentando fechar meus olhar e tentar em não pensar em quanto aquele
lugar era assustador. Finalmente quando eu consigo dormir, eu escuto uma
voz muito estranha e muito alta, não consegui abrir meus olhos naquele
instante, mas quando consegui, eu estava caindo da cama e sendo
arrastada por alguma coisa ou alguém, eu não consegui ver nada, não
havia nada me puxando, apenas eu sendo puxada! Foi horrível! Aquela
coisa era tão forte que me puxou de uma vez para o sortam. Eu estava com
tanto medo que minhas cordas vocais não funcionavam mais, não conseguia
nem gritar, até que ... ele me mordeu! Foi uma dor que nunca senti
antes, e agora estou enjoada, como se houvesse um veneno a penetrar no
meu corpo...
Ela deita no banco da Kombi e desmaia.
Paul
estava desesperado, completamente descontrolado pelo medo, subiu
rapidamente no carro e tentou liga-lo. Com raiva por perceber que não
havia mais gasolina ele sai do carro e começa a gritar com toda sua
força, raiva e seu medo daquele lugar.
Logo lembrei que havia
visto um talão de gasolina no sotam enquanto fui buscar Emily. Mary e
Kelly ficaram agitadas e não deixaram eu ir busca-lo, porém, enquanto
elas estavam cuidando de Emily, eu fui escondido até lá.
Chegando
na escada, senti arrepios e um vento forte vindo de algum lugar. Tremi.
Ouvi barulhos e por alguns instantes ouvi risadas, risadas de alguém
que estava sentindo prazer em me ver apavorado. Pensei duas vezes antes
de entra mas quando ouvi os gritos de Mary, Kelly e Paul me chamando,
subi o mais rápido que pude.
Direcionei meus olhos apenas na
direção do talão. Não consegui me conter e acabei olhando na direção
onde Emily havia fixado seus olhos com medo. Lá havia uma caixinha de
metal com uns símbolos estranhos, o único símbolo que pude reconhecer
era o de um crucifixo. Peguei a caixinha e coloquei no bolso
rapidamente, peguei o talão e desci a escada. Logo quando coloquei minha
cabeça para fora do sortam, a porta do mesmo se fechou com uma força
enorme. Ruídos e vozes começaram a me perseguir no meu caminho de
encontro aos outros
Em frente ao carro Mary me dá um empurrão e diz:
- Você está louco? Quase nos matou de preocupação! Você poderia ter se machucado lá dentro! Disse para não voltar lá!
Paul
arranca o talão da minha mão mostrando-se ainda mais desesperado. Emily
ainda não havia acordado. Todos correram para o carro e finalmente
conseguimos sair dali.
Paul dirigindo, eu na frente com ele, e
as meninas atrás. Tudo parecia mais tranqüilo quando de repente uma
mulher ou algo entra na frente do carro. Desviando da rota, acabamos
entrando em uma rota de estrada de chão. O carro atravessou um portão
que impedia a entrada naquele local, enfim eu desmaiei.
A única coisa que me lembro desde então foi a voz suave da Mary falando comigo enquanto eu estava adormecido:
-Nós
não podemos esperar aqui! Nós precisamos encontrar uma outra saída!
Precisamos encontrar um carro e encontrar os outros! Temos que
encontra-los!- Ela não parava de repetir.
Eu acordo com uma dor
enorme na cabeça que estava sangrando. Meus sentidos estavam voltando
lentamente quando eu olho nos olhos de Mary e penso “ Onde eu estou?
Onde estão os outros? O que aconteceu depois que o carro bateu? etc”.
Mas o que mais doía na minha cabeça era a imagem daquela mulher
atravessando a estrada.
Nós estávamos perto da van destruía e o
lugar era parecido com uma cidade, havia uma placa que dizia “Bem Vindo á
Silince Montain”. Quando eu li esse nome na placa, meu corpo tudo
tremeu.
Eu já havia ouvido falar dessa cidade. Soube que foi
totalmente destruída por uma horrível acidente com fogo, diziam que essa
cidade explodiu em chamas, a população toda morreu á uns 13 anos mais
ou menos e agora a cidade vive sobre a escuridão.
Bianca
percebeu que eu já estava melhor e começou a dizer o que havia
acontecido. Ela dizia que Paul e Kelly foram procurar ajuda e que já
fazia quase 1 hora que eles foram. Ela disse também que Emily já havia
desaparecido quando Paul e Kelly acordaram. Ela chorava, de medo, de dor
e de preocupação.
De repente, barulhos de sinos começam a tocar. Nós não sabíamos para que era aquele som mas pareciam sinos de uma igreja.
Uma
nevoa cobria a cidade enquanto o sino tocava. Eu fui correndo pela
estrada para ver se havia uma saída daquela cidade que poderíamos ir a
pé, mas era horrível de enxergar, eu conseguia enxergar apenas 2 metros a
minha frente, as vezes menos que isso.
Eu estava andando
cauteloso enquanto Mary me gritava para voltar, e de repente eu quase
caí em uma grande cratera que havia no meio do asfalto, impedindo que
alguém chegasse até a fronteira da cidade.
Várias dúvidas vieram em minha cabeça, tudo aquilo, desde o começo da viagem vinha como um martelo em mim.
Mary veio correndo até mim, e quase caiu, por pouco a segurei, ela gritava.
De
repente eu comecei a sentir que nós estávamos em perigo, era um
sentimento muito forte, e Mary também podia sentir. Nós nos viramos para
trás e corremos até a van. Comecei a pensar no quê fazer, talvez tentar
encontrar uma outra saída, mas nós não poderíamos deixar os outras para
trás. Em fim, decidimos seguir pela cidade, pois era uma cidade pequena
e há nela muitos pontos em que nós poderíamos encontrar nossos amigos
tentando encontrar ajuda.
Com sorte, em quase todas as ruas
havia uma placa informando os grandes pontos da cidade. A cidade inteira
abrangia um grande território, porém o centro era no início dela e
quase todas as casas eram fazendas mais longe dali.
Na primeira
placa estava informando onde estava a escola, a prefeitura etc. E em
cima da escola, na placa havia uma mancha de sangue, como se alguém
estivesse marcando aquele lugar com a mão. O sangue estava molhado, como
se alguém tivesse marcado aquele lugar recentemente.
Agora a
questão era: ir até a escola e descobrir o porque ela foi manchada de
sangue, ou ir para o norte e tentar passar pela outra saída que situava
perto do cemitério. Que ótimo! Essas opções eram tentadoras. Que tal
irmos até a igreja e morrer lá? Quero dizer, Deus vai nos salvar, certo?
Não!
Eu perguntei a opinião de Mary e ela disse que nós
deveríamos ir para o norte, seria o que Paul teria escolhido, e se eles
estivessem procurando mesmo a saída, eles poderiam estar pelo caminho do
norte, vivos ou mortos. Mary chorava.
Eu e Mary paramos
assustados, mas eu tinha em meu bolso um isqueiro que Paul havia pedido
pra eu guardar para ele durante a viagem.
Como estava chovendo, tive que tampar o isqueiro com a minha mão.
As
placas de informação haviam desaparecido e a cidade parecia o inferno:
Havia barulhos de ferro como se estivéssemos em uma metalurgia, havia
muitos barulhos de passos que vinham atrás de nós e que quando olhávamos
´para trás, os passos paravam. Era horrível aquela sensação. E eu
apenas conseguia me lembrar apenas de uma coisa que eu pude ver nas
placas, a escola era próximo onde nós estávamos e era a caminho do
norte.
Decidimos passar pela escola, aquele sangue na placa poria significar algo importante.
Na
frente da escola, um sentimento de perigo veio a mim e nós
imediatamente paramos. Havia um cheiro de fumaça no ar, de um fogo que
recentemente fora apagado com essa chuva. Barulho de passos vinham do
outro lado da rua, que eu ainda me lembro o nome, se chamava “Streets of
Mercy” e eu também me lembro o que estava escrito em um outdoor perto
da escola: “Os anjos não perdoam, apenas Deus faz a justiça”. Na hora,
essa frase não fez o menor sentido para mim, mas agora faz.
Os
passos ficavam cada vez mais altos mas estava muito escuro para ver quem
ou o que estava chegando. De repente, algo ou alguém veio em nossa
direção, parecia meio humano e meio “coisa”, ele ou alquilo era cinza e
não tinha braços, havia algo vermelho e brilhante que saia de sua
barriga, ele vinha lentamente e quando nos avistou começou a fazer uns
barulhos estranhos, como se estivesse gritando de dor ou algo, e de
repente um tipo de gás saiu de sua barriga em direção a nós.
Foi
assustador, saímos correndo e nós quase caímos em uma outra cratera no
meio da rua, e para piorar, ouvimos uns tipos de latidos vindo em nossa
direção, eram um tipo de cachorros demônios, corremos o mais rápido que
pudemos, apenas paramos quando não ouvimos mais nenhum latido.
Nós
estávamos á outra direção, perdemos a noção de norte e sul, não
sabíamos mais onde nós estávamos, andamos com medo e sem direção até que
vimos um carro que aparentava ter batido recentemente, estava em frente
á uma casa, havia um dos cachorros no para choque do carro como se o
motorista o tivesse atropelado violentamente, mas ele se movia se
debatendo, como se ele estivesse vivo, porém prestes a morrer.
De
repente, as coisas começaram a voltar ao normal, o cachorro atropelado
desaparecera, mas o carro continuava lá do mesmo jeito, olhamos dentro
do carro lá estava a chave e uma mochila, era a mochila de Emily, e
havia sangue no acento do passageiro, então nós resolvemos entrar na
casa para ver se ela estava lá dentro.
Mary pegou a bolsa de
Emily e fomos em direção a porta de entrada, nós conseguíamos ver a
entrada a garagem que estava aberta, mas não conseguimos ver direito o
que tinha dentro, a neblina estava densa outra vez.
Entramos na
casa e nada nos chocou primeiramente, a casa estava normal, a não ser
pelo fato de haver um caminho de água conectando uma porta á uma cadeira
na sala de estar perto de uma janela, como se alguém tivesse saído da
porta se arrastando em direção a cadeira. Não havia ninguém na cadeira e
então resolvemos ver o que havia por trás da porta. Havia uma escada
que provavelmente levava até ao porão, estava muito escuro então nós
decidimos não descer e verificar o térreo e o andar de cima primeiro.
A
cada passo que Mary dava ela gritava por Emily, nós subimos as escada
para o segundo andar que nos levou a um corredor com 3 portas, entramos
na primeira, era um quarto comum de casal, havia umas fotos penduradas
nas paredes que pareciam terem sidas queimadas, o segundo quarto também
normal parecia o quarto de uma menina, havia uma entrada secreta perto
da janela que fora aberta por alguém antes de nós, havia uma caixas lá,
mas todas vazias, era um espaço muito pequeno, poderia ter sido usado
como um closet mas muito mal acabado. O outro quarto estava trancado,
Mary gritou pelo nome de Emily esperando que ela estivesse do outro
lado, eu não tentei forçar a tranca pois estava com medo do que havia
lá, e se fosse Emily ela já teria respondido, se viva.
Então,
nós descemos e tentamos abrir um outra porta perto do caminho de água,
uma porta grande que provavelmente levaria a sala de jantar ou a
cozinha. Mary gritava insatisfeita.
Decidimos então em verificar a garagem, talvez ela estivesse lá e nem estivesse entrado na casa.
Chegando
perto da garagem, vimos um corpo no chão bem na entrada, era um corpo
estranho, não era de uma pessoa, era cinza mas diferente daquele em que
nós havíamos visto em frente a escola, esse tinha braços e em vez de
dedos ele tinha garras enormes, suas pernas eram grudadas como as de uma
sereia onde não havia pés, ele não tinha rosto, ele estava sangrando na
cabeça e nas costas.
Perto daquele demônio havia uma parede
quebrada em que havia um caminho, como se fosse uma passagem secreta na
floresta, eu não sabia onde levava, como não havia nada na garagem, Mary
insistiu em passarmos por aquela passagem. Eu arranquei uma daquelas
garras daquele demônio e entramos pela parede. A neblina era bem densa,
quase não conseguíamos ver as árvores.
No final da passagem
havia um portão com grades de ferro, e estava quebrada então nós
podíamos passar, eu não queria, eu queria voltar, eu estava com mais
medo que Mary que estava determinada a encontrar Emily, Kelly e Paul.
Nós
entramos devagar e vimos que estávamos em um parque público da cidade,
havia balanços, escorregadores etc. e as luzes dos postes estavam muito
intensas ou seja, não havia mais neblina. O fato de não estarmos mais na
escuro ou na neblina não me deixava mais confortável, havia algo
errado.
De repente, Kelly e Paul surgem correndo até nós, Mary
oi até eles e abraçou os dois, eu fiquei com receio, mas logo fui até
eles, nós estávamos felizes por eles estarem vivos! Nos abraçamos e
choramos, mas ainda havia algo de errado no ar.
Kelly e Paul
começaram a nos dizer o que havia acontecido com eles depois que eles
saíram da van a procura de ajuda. Eles disseram que foram atacados
muitas vezes por cachorros demônios e por aqueles demônios cinzas que
tem garras, e foi correndo desse bichos que eles foram parar na
prefeitura da cidade e no cemitério. Eles disseram que viram Emily no
cemitério, ela estava correndo como uma desesperada por lá, e quando
eles gritaram por ela, ela não os respondia apenas corria, eles disseram
que sempre quando a viam ela corria para o oeste em direção ao lago,
mas só perceberam isso agora quando as placas com informação voltaram.
Eles conheceram um menininho que os ajudou a escapar de terríveis
demônios e foi este menino que os direcionou para o parque onde eles nos
encontrou. O garoto, de acordo com eles, só aparecia quando os sinos
tocavam e tudo ficava com a aparência infernal.
De repente
Gustavo aparece no parque correndo em nossa direção. Gustavo não havia
viajado conosco, ele estuda com agente mas não veio viajar pois um amigo
já havia chamado-o antes, e nós ficamos assustados com a presença dele
ali. Ele estava sangrando muito mas ainda sim corria muito, ele disse
que Emily estava em perigo.
Com mais calma ele começou a
explicar: “Uma mulher seqüestrou Emily e a levou a uma igreja, haviam
mais pessoas com ela que não me deixavam entrar lá pra busca-la, eu
estou ferido e preciso da ajuda de vocês para resgata-la. Nós temos que
tira-la de lá antes dos sinos tocarem.”
Gustavo estava falando
muito rápido e ofegante, e no instante em que ele parou os sinos
infelizmente começaram a tocar. Ele começou a correr feito um louco, e
nós fomos atrás dele, corríamos rapidamente pelas ruas e vimos as coisas
se transformando na escuridão que ia surgindo. Já estávamos na escada a
igreja quando o sino parou de tocar, ou seja, a transformação do lugar
já estava completa, estávamos em completa escuridão.
A porta da
igreja estava trancada, então eu, Gustavo e Paul a quebramos. Entramos e
havia muita gente lá, a igreja era enorme e todos nos olhavam
assustados. Analisando o local vimos a Emily pendurada em um crucifixo
bem no centro da igreja, eles estavam preparando para queima-la. Ela,
quando nos viu, começou a gritar dizendo que não era para nós entrarmos
lá, mas nós já estávamos dentro. Correndo até ela, a porta da igreja se
fecha rapidamente impedindo que a escuridão lá fora entrasse.
De
repente, Gustavo pega uma adaga que estava dentro de seu bolso e enfia
em seu próprio peito, foi uma ato totalmente inesperado, todos se
chocaram, inclusive nós! Algo então começa a sair da ferida, um tipo de
sangue escuro, ele parecia estar aliviando uma dor, ficava de joelhos e o
sangue escorria uniformemente de seu corpo, o sangue se juntava no
formato de uma menina bem no altar. Era o demônio! Não “um” mas “o”! Ele
se escondia no rosto dos inocentes, por isso víamos uma menina e não
“o” próprio.
A menina tinha um sorriso cínico no rosto, mas
estava coberta de sangue seco por todo corpo, mal conseguia olhar para
ela de tanto medo. E o pior, era como se ela trouxesse todo o inferno lá
fora para dentro da igreja, arames farpados surgiram do sangue escuro
derramado no chão que matavam as pessoas no local uma a uma
violentamente, atravessando seus corpos como folhas de papel, mas a
mulher de quem Gustavo havia falado não foi simplesmente morta, fora
também torturada por aqueles arames, parecia que o Diabo tinha contas a
acertar com aquela mulher.
Gustavo se levantou e atravessou os
arames que pareciam nem perceber que ele estava lá, soltou Emily e nós
todos corremos daquele lugar...
Mary se lembrou daquele carro
perto da casa que tinha a chave dentro, Gustavo disse que ele estava com
Emily e que dirigiu o carro enquanto estavam sendo perseguidos por cães
demônios e que estava procurando refugio para eles.
Corremos
desesperadoramente até o carro, passamos por diversos demônios, matamos
alguns, mas nós estávamos com presa, queríamos sair daquela cidade o
mais rápido possível. Quando já estávamos no carro, não conseguimos
liga-lo, então corremos para dentro da casa para esperar até que as
coisas voltem ao normal outra vez, então corremos para dentro da casa.
Na
casa, todos estávamos assustados e cheios de duvidas, estávamos todos
sangrando, eu estava sujo e havia machucado minha cabeça fortemente
durante a batida da van, Mary sangrava na cabeça e também estava suja,
Paul tinha um corte no braço e não parava de tocar como se estivesse com
muita dor mas não queria fazer muito drama ao reclamar, ele estava com a
perna molhada e Kelly toda molhada. Gustavo e Emily eram os mais
machucados, Gustavo ainda podia correr, mas Emily tinha um pouco de
dificuldade parecia que Gustav havia sido cortado no braço e na perna
esquerda, e Emily estava completamente suja de sangue, Gustavo parecia
mais preocupado com ela do que com si mesmo.
A casa estava toda
diferente do que vimos antes dos sinos tocarem, não estava muito escuro
por causa do fogo que surgiu em alguns buracos nas paredes.
Eu
ainda posso ouvir aquelas pessoas morrendo e gritando de dor, foi
horrível, mas o suficiente para manter “Aquela Garota Má” ocupada por um
tempo.
As coisas felizmente foram voltando ao normal depois de
um tempo e então nós pudemos sair da casa. Na garagem, nós encontramos
gasolina e abastecemos o carro que logo pegou.
Nós entramos no
carro e eu dirigi o mais rápido que pude, porém mais atento, não queria
sofrer outro acidente de carro, e no caminho, Gustavo e Emily contaram o
que acontecera com eles lá.
Versão de Emily:
“Só me
lembro de ter acordado com o barulho de um sino tocando, eu estava em
cima de uma sepultura no cemitério e estava com a minha mochila que por
sorte havia uma lanterna. Em uma lápide estava escrito o nome de Ryan
nela, eu me assustei, no começo pareceu tudo um sonho, ou pesadelo...
Todo começou a parecer cada ver mais real quando apareceram aqueles cães
e tive que correr.
Quando eu estava na beira de um rio, a
mordida que recebi naquele sortam do motel começou a sangrar e doía
muito, comecei a delirar um pouco de tanta dor, até que vi uma caminhão
de bombeiro capotado perto dali e fui até lá, de repente um demônio
cinza veio rastejando até mim mas não conseguia correr, fiquei
apavorada, até que Gustavo surgiu de dentro da ambulância com um machado
de bombeiro na mão e matou o demônio, ele e eu nos assustamos em ver um
ao outro ali, nos abraçamos e o contei que estava com vocês também e
que eu havia acordado perdida no cemitério.
Tentamos voltar para
o local do acidente e vimos um carro, havia um homem morto dentro, nós o
retiramos e tentamos fugir de uns cães demônios usando o carro, Gustavo
atropelou um e o carro travou próximo a uma casa.
Entramos na
casa e havia uma mulher sentada em uma cadeira próximo a uma janela, ela
disse: “ela vai voltar, não vai ter perdão”. A mulher morreu logo após
essas palavras, mas seu corpo foi desaparecendo lentamente.
Havia um caminho de água que ligava a cadeira e uma porta, nós descemos por essa porta e chegamos a um porão alagado com água.
De
repente, fui puxada por algo, como no motel, me levou escada acima até
uma porta grande que me levava da sala de jantar da casa até a cozinha, e
da cozinha até o quintal da casa.
Lá fora eu fiquei esperando
por Gustavo, eu não sabia o que estava acontecendo com ele, ele me
gritava e eu por ele, até que desmaiei.
Desmaiada, e tive um
sonho, o Diabo falava comigo, ele dizia que eu ia ser morta por uma
mulher ... érr, uma tal de Morgan Vulmort... acho que é assim seu nome.
Ele me dizia que essa mulher a havia matado injustamente e que iria se
vingar mas Deus a impedia, ela dizia coisas malignas, disse sobre Ryan,
mas não consigo me lembrar...
Quando acordei, Gustavo estava
gritando por mim, ele havia acabado de matar um demônio rastejante, eu
ainda estava no quintal e ele estava vindo até mim, quando aquela mulher
da igreja veio com alguns homens e me raptaram, desmaiei com um golpe
de um deles, e só acordei quando já estava na cruz. O reto vocês
presenciaram...”
Versão de Gustavo:
“Bom, eu estava
viajando com Matthew, como vocês sabem, já não bastava estarmos
totalmente perdidos na estrada como também sofremos um acidente de
carro. Mas bom, Matthew não sobreviveu...
Eu não sabia onde
estava e o celular não pegava linha, eu não sabia o que fazer, até que
uma caminhão de bombeiro passou por lá perto, eu pedi carona e o
bombeiro me ajudou, até que atravessando uma encruzilhada havia alguém
no meio da pista, que fez o caminhão perder o controle e capotar até as
margens de um lago, o caminhão atravessou um muro na beira de um rio que
formava a divisa da cidade com a estrada, o bombeiro não sobreviveu e
foi saindo do caminhão que vi Emily...
Quando vi Emily sendo
seqüestrada pela aquela mulher, comecei correr, mas não consegui
alcança-los, estava escuro e de repente veio um menino até mim dizendo o
que eu tinha que fazer e aonde eu tinha que ir, me falou também uns
truques de como matar os demônios facilmente, mas o mais importante: ele
falou que eu tinha que falar com a “Aquela Garota Má”.
Ao
encontrar com “Aquela Garota Má” que era o Diabo, ela me disse que para
salvar Emily eu teria que leva-la para dentro da igreja, que era o lugar
onde ela não conseguia entrar pois tinha a proteção divina, ela não me
disse o porque queria tanto se vingar dessa tal de Morgan Vulmort, mas
eu aceitei com a condição de que ela nos deixaria sair daquela lugar com
vida, ela aceitou. Peguei a adaga que ela me deu e fui a procura de
vocês.
Eu sabia onde vocês estavam por causa daquele menino, que
me parecia familiar cada vez mais, talvez se ele não estivesse todo sujo
e com sangue por todo o corpo, talvez eu o pudesse reconhecer, o resto
vocês presenciaram...”
– Então foi isso doutora!
– Mas você disse que isso aconteceu a mais ou menos um ano atrás! – disse doutora Cindy sem compreender direito a historia.
Eu
sei que ela queria acreditar em mim, mas com toda essa historia de
demônios, acidentes de carro, sinos tocando, ela nunca iria acreditar em
mim. Mesmo assim, continuei, eu iria a fundo com ela nesse assunto.
Eu
não havia contado a ela a historia toda, a historia da morte dos meus
amigos, mas ela é uma boa ouvidora. Mas agora eu tinha que ir para minha
cama, eu sei que amanhã vai ser um grande dia de revelações, e eu sei
que amanhã eu terei que estar mais conectado com meus amigos do que
nunca pois vou tentar dizer exatamente o que aconteceu com eles para que
todos morressem.
Voltando para meu quarto, tentando não olhar
para o lado, pois eles estavam lá comigo, eu podia os ver, porém todos
estavam ali exatamente como morreram, sangrando, feridos, mas não
sentiam mais dor, eram fantasmas. Como meus amigos, eles só queriam me
proteger, com a força de todos juntos por mais que a “Aquela Garota Má”
tentasse chegar até mim, ela não conseguia por que eles estavam sempre
comigo. Isso faz com que eu me sinta bem e mal ao mesmo tempo, eu queria
vê-los, mas não daquela forma, eles falavam comigo em meus pensamentos.
Já
é um novo dia aqui no asilo, e hoje eu tenho uma outra consulta com a
doutora Cindy Norman. Eu não gostava muito dela, mas ela pelo menos é
mais atenciosa, ouviu tudo o que eu tinha a dizer ontem, apesar de não
ter acreditado em nada do que disse. Hoje vou contar a ela como meus
amigos morreram... isso vai ser difícil. Sinto que muitos sentimentos
irão fluir de mim hoje enquanto contar a ela, não posso decepcionar meus
amigos, vou contar tudo e exatamente o que aconteceu! Acreditem eles no
que quiserem!
Agora no café da manhã, reflito um pouco sobre os
fatos que aconteceram e tento encaixa-los. Como acompanhei quase tudo,
tudo faz mais sentido pra mim agora. É incrível com tudo se encaixa! Mas
agora, sei que a minha missão é salvar meus amigos, ou pelo menos a
alma deles, eles não podem “viver” assim eternamente, será que quando eu
morrer vou ficar igual a eles? Tenho que fazer alguma coisa, tenho que
descobrir mais coisas, preciso salva-los...
Comendo meu café da manhã horrível, doutora Cindy vem assustada até mim e me interrompe...
–Senhor
Riley, será que o senhor pode me acompanhar até minha sala?- Ela
parecia apavorada, mas tentava visivelmente se controlar.
–Sim, o que aconteceu?- Eu disse já em sua sala.
–Fizemos
uma autopsia em cada um de seus amigos mortos... bom, eu fiquei
intrigada com as cicatrizes que cada um possui em seus corpos e que
coincidem exatamente com a história que você disse para mim ontem,
principalmente a mordida na garota éer... Emily, certo? Bom, como não
adianta afirmar que foi você quem fez por que seria impossível algum ser
humano ter feito aquele tipo de mordida, e que...- Ela parou de falar
sem mais nem menos, ela parecia aterrorizada.
–Continue por favor, isso é muito importante para mim!
–Senhor
Riley, fizemos testes a noite inteira, não há nenhuma mordida comparada
com a que está no corpo de sua amiga, além disso...- Ela deu outra
pausa, porém mais rápida-... não há possibilidades de que uma mordida
aparentemente superficial continue sem uma cicatrização, uma mordida
qualquer ficaria não continuaria na pele como se fosse recente,
principalmente quando houve a um ano!
Eu me sentia feliz e triste ao mesmo tempo! Eu sabia que ela estava começando a acreditar em mim, finalmente!
–
Senhor, antes de começar com minhas perguntas, você pode por favor
continuar a dizer o que aconteceu com seus amigos há algumas semanas
atrás, preciso saber. O senhor em momento algum mostrou contradição e
nem aparentou estar mentindo sobre o assunto, por favor, prossiga...-
Ela parou de falar rapidamente como se estivesse ansiosa pra ouvir o que
eu tinha a dizer, então, sem mais delongas, eu começo a falar...
Lá
estava eu, na faculdade, já fazia quase um ano que nós fizemos aquela
viagem, mas esse ano, nós decidimos ficarmos juntos e passar as férias
na faculdade mesmo.
Eu me lembro que eu ficava tento pesadelos sobre a viagem...
Neste
ano, não iria ter aulas de verão para quem ficasse de férias na
faculdade então lá iria ficar praticamente vazio, mas as salas iam ficar
abertas caso os alunos quisessem estudar nas férias.
Eu
particularmente não queria ficar lá, mas ao mesmo tempo, queria ficar
com meus amigos e sentia que alguma coisa ira acontecer de ruim, com
todos aqueles pesadelos e visões, era horrível.
Já fazia 3 dias
para 1 ano que fizemos a viagem no ano passado, e nenhum de nós
conseguia definir o que era real ou só um pesadelo. Eu decidi dizer aos
meus amigos o que estava acontecendo comigo e meus pesadelos, e descobri
que eles estavam tento sonhos similares aos meus. Meu corpo tremia
quando concordavam com meus pesadelos.
Paul queria relaxar,
então nós decidimos comprar uns pots. Eu, Gustavo e Paul chamamos uns
outros amigos nossos para nos acompanhar e fomos a um quarto para usar o
pot...
Música alta, conversando merda, jogando cartas, tudo
parecia melhor. As meninas não estavam lá, aquela era a noite os homens.
Quando uns certos amigos nossos foram embora, nós chamamos as meninas.
Um
amigo estranho de Gustavo havia trago um diferente tipo de pot, ele
dizia que era bom e que havia encontrado quando ele foi viajar com uns
guardas para reconhecer o corpo de Matthew cujo viajou com Gustavo há um
ano e não sobreviveu ao acidente de carro, ele disse que pegou a erva
para fazer pot que estava mais perto de um rio em muro quebrado. Meu
corpo tremia a medida que ele dizia aquilo, mas eu não disse nada porque
meus amigos pareciam ter uma boa hora de relaxamento.
Eu caí no
sono. Mas agora eu sei que o que eu tive não foi um sonho e que bem
mais real do que eu imaginava, e os meus amigos também tiveram um sonho
similar ao meu naquela noite...
Nesse pesadelo, eu podia sentir a
realidade, podia sentir a minha respiração ofegante, podia sentir o
cheiro de alguma coisa podre e o cheiro da erva que me fez adormecer e
também, eu pude sentir medo. Eu definitivamente estava lá. Mas que tipo
de pesadelo era aquele? Eu pensava.
Eu estava em um corredor
escuro e tudo ensanguentado, segui na mesma direção dele, parecia não
ter fim, eu podia ver apenas alguns metros a minha frente, haviam gritos
em todas as direções, eu os tentava ignorar, era horrível, eu estava
com muito medo...
De repente os gritos começaram a parecer mais
familiares... parecia com os gritos de Kelly! Eu a ouvia gritar e de
repente ela chamava por Paul ainda gritando, ninguém respondia. Eu corri
ate os gritos e finalmente a avistei pendurada no meio de um dos
corredores, de cabeça para baixo, completamente ensanguentada. Corri até
ela mas alguma coisa a puxou para cima a fazendo desaparecer.
Andando
mais um pouco a frente, completamente desorientado, avisto Paul no
chão, aparentava ter morrido, então entrei em desespero! Havia também ao
seu lado um tipo de demônio, ele era grande e tinha o corpo de um homem
porém com chifres e o rosto parecia de um cachorro, era meio cinza e
meio marrom, ele não tinha olhos e devorava Paul. Me escondi rapidamente
mas ele já havia me visto. Já era tarde, corri o mais rápido que pude,
apenas parei quando vi Kelly que surgiu bem na minha frente, ela dizia:
–Você falhou conosco, agora que venha o sacrifício!
Ela repetiu e sua voz misturava com a de Paul que surgia por trás dela.
De
repente, o demônio que apareceu atrás de mim, ele rosnava como se
estivesse com muita raiva, ele então me morde, senti dor, muita dor,mas
apenas por alguns segundos, eu finalmente havia acordado...
Imediatamente
eu me vejo no banheiro masculino vomitando e com muita dor na cabeça.
Como eu havia parado ali do nada? Eu me perguntava e ao mesmo tempo me
sentia feliz por estar de volta a vida real. Enganado eu por pensar que
essa mera ilusão era pior do que a realidade...
Levantei daquele
chão imundo, e fui até a pia lavar meu rosto e minhas mãos. A água
estava quente então logo assustei –me. O vapor que saía da água ia pro
espelho, que refletia em número: 403.
Ainda assustado,
afastei-me do espelho e tentei raciocinar o que aquele número revelava.
Então em um susto me lembrei, 403 era o número do quarto de Kelly!
Corri o mais rápido possível para encontra-la, as imagens de seu corpo pendurado e os gritos de dor vinham em minha cabeça...
Como
já era férias, quase todos haviam ido embora para sua casa, o campus
estava totalmente deserto. Para minha sorte, a porta de divisória entre
os dormitórios dos meninos e das meninas estava destrancada.
Chegando
no quarto 403, a porta estava aberta, entre com cautela e encontrei
Laura, irmã mais nova de Kelly, que estava na cama dormindo, e Kelly
estava no chão mais no canto também desacordada. Ajoelhei-me e tentei
acorda-la.
Desorientada, Kelly acorda gritando e se debatendo e
quando viu que era apenas eu ela começou a chorar, daí pude perceber que
ela havia tido um pesadelo, assim como eu.
Tentando acalma-la,
tirei ela do quarto para que seu choro não acordasse Laura...Já fora do
quarto, ela começou a contar sobre seu pesadelo...
Ela disse que
estava andando pela praça “First November” que é perto do hospital da
faculdade, até que foi arrastada por Morgan Vulmort para dentro do
hospital... ela disse também que quando entrou no hospital estava tudo
diferente, tudo escuro e macabro e a mulher Morgan havia sumido. Ela
disse que correu pelo corredor encontrando uma saída, até que algo a
puxou para cima, então ela gritou.
O chocante é que só naquele
momento em que ela estava falando que pude reconhecer, o pesadelo que
tive também era no hospital... tudo agora fazia sentido...
Ela
dizia mais, disse que viu Paul correndo até ela e tentava a soltar dos
arames que a prendiam e a faziam sangrar. Até que o demônio apareceu,
ela o descreveu exatamente como o demônio que eu vi em meu pesadelo. O
demônio atacou Paul e o matou ali mesmo em sua frente. Foi nessa hora
que ela começou a gritar por ele na esperança de que ele estivesse vivo,
e foi nessa hora que eu comecei a ouvir seus gritos por Paul e correr
até ela. Ela disse que não me viu em seu pesadelo pois quando percebeu
que Paul estava morto e que ela provavelmente seria a próxima, ela
fechou os olhasse não os abriu até que o demônio a matasse.
Mas ela dizia que não se lembrava de ter dito nada a mim no pesadelo, ela disse que morrer, ela foi meio que possuída por algo.
Já
mais calmos, fomos procurar por Paul. Kelly tentou ligar para ele mas
não conseguia, ninguém atendia, então fomos procurar por ele em seu
quarto.
Corremos até a porta de divisória dos dormitórios, como
eu já havia passado por lá e a porta estava aberta eu fui correndo com
tudo para ela, mas alguém avia trancado depois que eu passei e. Bati
minha cabeça no vidro da porta que se quebrou, caí no chão meio
desacordado, mas com o desespero de Kelly, eu pude voltar a ativa
rapidamente.
Corremos até outra saída do dormitório feminino,
que levava até a praça “First November”, e também teríamos que passar em
frente ao hospital antes de chegar na entrada do dormitório masculino.
Parecia
que alguém estava armando aquilo tudo aquilo para que nós atrasássemos
nosso encontro com Paul. Kelly estava apavorada, ela também havia
percebido isso.
A faculdade estava completamente deserta. O que dava ainda mais medo.
Já
na praça, começamos a ouvir uns gritos. Parecia Paul. Corremos até ele e
já em frente ao hospital, pudemos perceber que ele estava correndo de
um demônio, o mesmo que vimos em Silence Montain, um cinza que se
rastejava. Vimos Gustavo lá também, ele estava com uma arma e atirava
contra o monstro.
De repente, Kelly é puxada por uma sombra
obscura de uma mulher, a mesma mulher de seu pesadelo, Morgan Vulmort!
Ela puxava Kelly para dentro do hospital. As grades de entrada do
hospital se fecharam no mesmo instante em que ela fora puxada, e impedia
de que nós entrássemos até lá!
Paul correu, atirou contra a grade e quando se deu conta, ele já estava desesperado. Ele ficava se perguntando “por quê”.
Ficamos
parados lá por alguns segundos pensando em como entrar lá.. Fiquei
ainda mais preocupado quando Gustavo disse: “Como tiraremos elas de
lá?”.Parei por um segundo e pensei “elas”, como assim “elas”??
Desesperei-me. Então perguntei e Gustavo disse que Mary e Emily também
haviam sido levadas por aquela mulher maldita.
Agora eu sei que no caso de Emily e Mary foi ainda pior, pois foram raptadas pela própria “Aquela Garota Má”.
Gustavo e Paul resolveram então me falar o que havia acontecido.
Versão de Gustavo:
“Eu
estava com Emily no corredor do dormitório feminino, até que resolvemos
entrarem seu quarto. Quando entramos ela começou a se sentir mal e de
repente um celular começou a tocar, parecia com o barulho de celular
antigo de Paul que ele havia deixado em Silence Montain quando corria de
um demônio, procuramos o celular e percebemos que vinha de uma mochila
no canto do quarto... a mesma mochila que Emily havia esquecido em
Silence Montain naquela casa, a mochila estava exatamente como ela
deixou, toda sua de sangue e rasgada em algumas partes. Ela levou um
grande susto e surtou dizendo que eu havia deixado aquela mochila ali de
propósito para assusta-la, como em uma brincadeira de mal gosto. Mas eu
não fazia ideia. Ela me expulsou do quarto e no mesmo instante Mary
chegou reclamando de um pesadelo e de dor de cabeça, ela nem percebeu
que nós estávamos brigamos, apenas se deitou na cama, porém ela parecia
muito assustada.
Eu e Emily brigamos e decidi que amanhã e voltaria lá para conversarmos, ela estava mal e eu não queria mais confusão.
Já
no corredor, percebi que a porta de divisória dos dormitórios estava
trancada e que alguém havia quebrado o vidro da porta. Decidi, então,
voltar pela entrada principal do dormitório feminino, mas ao passar pelo
corredor do quarto de Mary e Emily eu ouvi gritos,pareciam de medo e
dor, ou seja, não era uma simples barata eu pensei. Entrei correndo no
quarto e vi, as meninas penduradas por arames farpados no teto, ao lado
delas estava “Aquela Garota Má”. De repente elas foram puxadas para fora
da janela, eu gritei por elas e tentei correr mas “Aquela Garota Má” me
impedia, ela me jogou perto da mochila ensanguentada de Emily, então me
lembrei que dentro ela havia guardado umas armas que encontramos usamos
para matar uns demônios em Silence Montain. Eu as peguei mas “Aquela
Garota Má” já havia sumido do quarto.
Eu saí do quarto correndo
com a mochila e as armas dentro caso fosse necessário e segui os gritos,
que logo percebi que eram de Paul”...
Gustavo havia chegado poucos minutos antes de mim e de Kelly e todos estávamos apavorados.
Paul também resolveu contar o que havia acontecido com ele...
Versão de Paul:
“Eu
tive um pesadelo mito estranho hoje logo após os pots, eu sonhei que
estava sendo atacado por um demônio horrível em que havia visto na
prefeitura de Silence Montein, sonhei também que Kelly estava pendurada
em um corredor, sangrando muito... não pude fazer, eu já estava no chão e
o demônio estava me devorando, foi horrível...
Eu acordei no
banheiro masculino com um barulho de alguém correndo, eu até achei que
fosse Ryan, não pude ver direito, e logo comecei a sentir dores de
cabeça muito fortes, eu só conseguia penar em Kelly, eu escrevi no
número do quarto dela no espelho e então votei para o vaso vomitar,
então vi Ryan saindo correndo do banheiro feito um louco. Resolvi ir ver
Kelly em seu quarto, passei pela porta de divisória e pensei melhor que
ela talvez estivesse dormindo e eu não queria atrapalhar, então voltei e
tranquei a porta de divisória e fui embora.
Eu então decidi ir
no hospital, meu remédio contra ressaca havia acabado e eu precisava de
mais, a minha dor de cabeça só piorava.
Quando estava em frente a
praça “First November”, um menininho veio até mim, ele fez silencio com
as mão e me assustei, ele me lembrava muito com alguém, mas não sei
quem..., ele veio até mim e disse para mim que eu e meus amigos
deveríamos ficar longe desse hospital, e disse que nós devíamos ir
embora da faculdade o mais rápido possível. Logo percebi que esse menino
era o mesmo menino que me ajudou em Silence Montain, porém ele estava
diferente um pouco, ele estava mais limpo, mas ainda com muito sangue no
corpo.
Logo lembrei que esse menino apenas aparecia quando os
sinos tocavam em Silence Montein e quando tudo se transformava em
inferno. Ele havia sumido bem ali diante de meus olhos, e quando me dei
conta, um daqueles demônios que se arrastam estava bem próximo de mim,
corri, e logo percebi que estava em frente ao hospital, e foi quando vi
Ryan, Kelly e Gustavo...”
Nós pegamos as armas dentro da mochila
de Emily e tentamos entrar, mas falhamos pois toda a estrada estava
coberta de arame farpado.
De repente vimos o garoto que Paul
havia mencionado vindo em nossa direção, o menino estava vindo de dentro
da entrada do hospital, onde nós não conseguíamos entrar.
Paul dizia a ele: “Por favor, nós ajude a entrar aí! Queremos salva-las!”
Então
menino sério atravesso as grades e os arames como se fosse um fantasma.
Ele me dava muito medo, quase nem conseguia olhar para ele. O menino
retrucou Paul:
–Não adianta vocês passarem aqui, elas já estão
praticamente mortas, se entrarem vocês também vão morrer,
“AquelaGarotaMá” não vai ter piedade de vocês!- Ele disse sem expressar
nenhum sentimento em suas palavras.
–Nós não iremos embora sem elas!- disseram Paul e Gustav quase como um coro.
–Se
entrarem, não iram sair vimos,mas se é isso que vocês querem...- O
menino disse essa ultima frase olhando diretamente para mim, eu me
arrepiei e pensei por um instante, ele realmente parece com alguém que
conheço...
As grades se distorceram e uma passagem foi aberta entre os arames... o menino havia sumido na frente de nossos olhos.
Paul
entrou na frente e depois Gustavo, fui atrás por que eu estava com
muito medo de ir, eu queria ri embora, queria esquecer tudo aquilo e ir,
eu era um covarde, talvez por isso meus amigo morreram... eu sou um
covarde...
Fiquei olhando para trás o tempo todo na esperança de
que aquelas grades não se fechassem, mas elas de contorceram de volta
ao normal, nós estávamos presos lá dentro...
Entramos correndo
no hospital, quebramos a porta de entrada. Não era o hospital e sim o
meu pesadelo. Alguns demônios apareceram de dentro das paredes, Gustavo e
Paul lutaram com bravura e eu, fiquei me escondendo na escuridão,
rezando para que eu acordasse no banheiro vomitando novamente.
Andamos
muito pelos corredores, até que ouvimos uns gritos, eram de Kelly. Paul
atravessou correndo uma poça gigante de sangue que cobria um corredor e
entrou correndo em uma porta que estava semi-aberta em que lá estava
Kelly.
Kelly estava pendurada desacordada sobre arames farpados
que retorciam seu corpo e a faziam sangrar, ela não tinha mais forças
para gritar de dor.
Paul enfrentou alguns demônios com sucesso.
Logo eu e Gustavo chegamos, todos estavamos assustados, era ainda pior
que nos pesadelos, mesmo assim Paul tentava soltar Kelly, nada
adiantava.
De repente uma voz suave surgiu de algum lugar daquela
sala que parecia ter sido de cirurgia do hospital, os móvel e aparelhos
jogados contra a parede abrindo um amplo espaço no centro onde Kelly
estava pendurada.
“Aquela Garota Má” aparece de repente...
Ela dizia:
–Ela já está morrendo, não há nada que vocês possam fazer, e agora vocês irão morrer também...”
Eu
assustado, me escondi por trás de umas macas ensanguentadas na parede,
enquanto isso Gustavo e Paul acabavam com aqueles demônios, eu era um
inútil ali.
Todos os demônios se foram, e de repente, enquanto
Paul tentava soltar Kelly dos arames, um liquido cai do teto sobre Kelly
e atinge Paul também, e como uma risada da “Aquela Garota Má” uma chama
surge sobre o corpo dos dois, Gustavo fica sem o que fazer. Os dois
corpos se debatiam de dor, e o corpo de Kelly cai sobre o de Paul que já
estava no chão. Nada adiantava, então puxei Gustavo do quarto e fechei a
porta. Gustavo chorava e não queria os deixar, mas ele não conseguia
olhar para eles, Paul ainda gritava de dor. Eles morreram. Ficamos
parados em frente a porta até Paul dar seu ultimo suspiro...
Entramos de novo no quarto que cheio de fumaça fazia com que nós não parássemos de tossir
Gustavo
deu um ultimo adeus a eles e pude ver que apesar de os ver mortos
daquela maneira,o dava mais forças para buscar Emily e Mary vivas...
Ver nossos dois melhores amigos morreram nos tornava ainda fortes e vingativos...
Saímos
daquela sala a procura das outras meninas, corremos sem rumo por aquele
grande hospital e em fim chegamos em um grande saguão. Lá estava Emily
ajoelhada no chão, estava olhando para baixo com um certo receio de
olhar para os lados. Tudo ao seu redor era escuridão, e havia uma luz
que jazia sobre ela.
Emily conversava com alguém, e nós não
entramos de imediato tentando escutar a conversa, ela não parecia tão
ferida quanto Kelly, mas sangrava....
Ela conversava com “AquelaGarotaMá”, e eu me lembro perfeitamente o que elas conversavam...
– Você pode me matar, eu não sei por quê não permitiu isso quando nós estávamos lá...- Emily dizia.
–Foi
seu amigo quem me procurou! O sentimento entre vocês me chamou atenção.
Tudo foi cautelosamente planejado por mim, desde o inicio, suas vias já
estavam marcadas para este destino, seriam 6 jovens a me ajudar com a
minha vingança sobre aquela cidade...- Disse o diabo...
–Se fomos nós quem a ajudou, por quê quer nos matar então?- Perguntou Emily com esperança.
–Porque
vocês já deveriam estar mortos! Eu os salvei! Todos vocês! Vocês acham
que podem viajar quilômetros de distancia em uma van inútil e
completamente drogados ? Mas se você quiser culpar alguém nessa
historia, culpe ELE!- ela disse “ele” e apontou diretamente para mim...
Eu
me assustei e Gustavo olhou para mim com um ar de duvida no rosto,
Emily lentamente olhou para trás e me viu e se assustou e disse:
– Vão embora, rápido!!
“AquelaGarotaMá” se transformou em um demônio horrível e rapidamente calou Emily a segurando pela cabeça e começou a falar:
–Ele
viajou até Silente Montain quando criança, ele e seus pais, nesta época
Loureine ainda era viva e nesta época todos aqueles que estavam lá
deveriam ter morrido, até ele...- apontou para mim novamente- ele não
devia ter escapado! Deveria estar morto! Então quando Loureine veio até
mim pedir vingança e quando vi que uma daquelas pessoas que estavam lá
havia sobrevivido resolvi matar-lo parcialmente... Deixem me explicar
melhor...
Versão de “Aquela Garota Má”
“Há 14 anos
atrás uma menina chamada Loureine que não possuía sobrenome, veio até
mim pedindo vingança sobre todos que estavam na cidade de Silence
Montain,Ryan Riley estava lá naquela época, mesmo de visita com os pais,
ele estava, então como o fogo destruiu a cidade inteira e todos
morreram queimados menos ele, eu resolvi mata-lo parcialmente, quer
dizer, ele iria ficar vagando naquela cidade nas leis do inferno e dos
céus, mas só seu espírito, seu corpo iria viver normalmente fora dali, e
resolvi acompanhar a vida desse garoto e utiliza-lo no futuro como
precisei, já que a vingança não estava completa pois algumas pessoas
daquela cidades tinhas a força divina do lado delas, como quando eu não
conseguia entrar na igreja e seu amigo Gustav me ajudou. Aquelas pessoas
daquela cidade foram mortas apenas fisicamente por castigo divino, elas
sofreram castigo divino e a vingança de Loureine, agora todos aqueles
que mereceram, estão no inferno comigo.”
Eu não entendia porque
ele não me matou apenas, teve que fazer tudo isso com meus amigos, e
também não sabia porque Deus castigou aquelas pessoas de tal forma.
“Aquela
Garota Má” pendurou Emily em arames e ela começava a gritar de dor, foi
nessa hora em que eu e Gustavo entramos no saguão e muitos demônios
surgiram, Gustavo ficara ferido mas eu estava ajudando no combate desta
vez.
Quando não restava mais nenhum demônio, Gustavo se ajoelhou
perto de Emily cujo os arames a soltaram e ela caíra no chão gravemente
ferida e quase sem vida. Ele se sentia culpado de tudo,talvez pelo fato
de ter feito o pacto com o diabo pra que ele conseguisse entrar na
igreja.
Emily chorava, mas não conseguia falar ao certo.
Uma
ultima lágrima escorreu sobre o rosto de Emily e justo a lágrima, foi
também sua ultima respiração. Gustavo não aguentava mais, ele a amava e
eu tentava acalma-lo, ele dizia:
–Vá atrás de Mary, Ryan, eu vou ficar aqui, não posso mais viver desta forma.
E antes que eu pudesse responder, ele se deitou no chão ensanguentado ao lado de Emily e disse suas ultimas palavras a ela:
–Me desculpe, mas fiz o que pude. Eu te amo.
Ele
deu um tiro em sua própria cabeça. Eu estava em choque, perdi mais dois
amigos e caí de joelhos sobre aquela situação. Eu chorava, até que ouvi
a voz de Mary, peguei a arma e fui fazer o que Gustava havia me dito.
Corri, nem sei como ainda conseguia ficar de pé e fui buscar Mary...
Eu
estava sem rumo dentro daquele hospital dos infernos,não havia nenhum
monstro no meu caminho mas eu estava preparado para eles. Ouvi seus
gritos e fui até eles sem medo, eram de Mary e quando abri a porta eu a
vi pendurada em uma cruz, seu corpo estava coberto de arames e ela
chorava e gritava, havia uma mascara cobrindo o seu rosto e por isso ela
não podia me ver. Eu gritei seu nome e fui até ela, mas a cada passo
que eu dava ela gritava de dor, até que percebi que seu corpo esticava a
medida que eu me aproximava, mas como eu poderia livrá-la de lá sem que
eu pudesse me aproximar? Eu tentei acalma-la e disse que ia ficar tudo
bem, até que “AquelaGarotaMá” surgiu, mas no corpo de criança, no corpo
de Loureine. Ela se aproximou de Mary sem dizer nenhuma palavra, tirou
então a mascara que cobria o rosto de Mary, deixou a mascara cair no
chão e desapareceu...
Mary chorava e se calou ao me ver e começou a falar:
–Ryan!
Você precisa acabar com isso, me mate, eu não vou conseguir sair daqui!
Se você matar será mais fácil para nós, não sentirei dor alguma, você
precisa atirar em mim e acabar logo com isso!
Então percebi que tudo aquilo não passava de um jogo e que ninguém poderia ganhar.
–Não vou te matar, você enlouqueceu? Não é a Mary, Mary nunca me pediria uma coisa dessas!
Por
um descuido eu me aproximei um pouco e ela gritou de dor, então voltei,
mas percebi que por mais que eu voltasse, seu corpo não voltava ao
normal, e ela chorava.
– Você precisa acreditar em mim, sou eu
Ryan! Você precisa acabar com essa dor, tem que fazer o que estou
pedindo, é o meu ultimo pedido!
Eu chorava, eu sabia que era o
certo a fazer mas não queria aquilo, eu podia ter simplesmente morrido a
13 anos atrás e nada disso teria acontecido...
Depois de muita
insistência de Mary eu cedi, eu apertei o gatilho e atirei contra Mary,
no mesmo instante os arames se soltaram e ela caiu no chão, eu corri até
ela e a abracei no chão, eu gritava com todas as minhas forças, eu não
sabia o que fazer, até que desmaiei ao seu lado...
Quando
acordei eu estava fora de mim, peguei a arma e Mary e a carreguei comigo
para fora, eu estava fazendo as coisas no “piloto automático”, não
pesava em nada, apenas fazia.
-Vai ficar tudo bem...
Eu
levantei Marry para o colo enquanto a “Aquela Garota Má” andava em
minha direção, quase não aguentava o peso de Mary e o demônio da risadas
e mais risadas -Não pode fugir para sempre, garoto." Eu achei um carro e
em seguida, coloquei Mary no carro. Mais risadas... Apenas risadas.
(CONTINUA...)