Olhando os livros na escrivaninha eu presenciei algo inusitado.
Um velho livro com a figura de seu Criador rabiscado na capa.
Uma
folha adicionada narrava que alguns rabiscos se multiplicaram
desordenadamente em milhares de figuras, de pedras, animais, árvores e
pessoas que se transformaram. Pedras naturais em preciosas, árvores em
frutíferas, animais selvagens em domésticos e pessoas de singelas em
rudes e cruéis.
Ao folheá-lo um rabisco em forma de pessoa saltou sobre a escrivaninha. Falou para a figura da capa:
-Não me aceitaram no mundo dos rabiscos por eu ser terna, suave, diferente.
Comovido
tentei recolocá-la em diversas páginas, mas em nenhuma fora aceita.
Percebi que muitas outras estavam sendo expulsas. Um verdadeiro
rebuliço. Uma balburdia no mundo dos traços.
Diante disto a sensível
figura pegou uma borracha na escrivaninha e começou a se apagar e antes
de pedir que eu terminasse falou para a figura do Criador:
- Se fizer
outro livro de rabiscos, mundo, por favor, cuide para que as coisas não
saiam do seu controle. Creio que garatujas ainda não têm capacidade
para usufruir do livre-arbítrio.
Esvanecendo perguntou se Ele teria
coragem de criar um novo livro de rabiscos e se tinha se arrependido de
ter rascunhado este velho esboço
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